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sábado, 17 de outubro de 2026

Flávio x Lula: o que a eleição pode — e o que não pode — mudar na Reforma Tributária

 

Ensaio preparado por ANTONIO CARLOS PEDROSO DE SIQUEIRA 

Em 12 de outubro de 2026

O segundo turno está marcado para 25 de outubro e a pergunta que não cala no setor produtivo é: vale a pena continuar investindo na adaptação ao IBS e à CBS, ou é melhor esperar? Sistemas, consultoria e reorganização fiscal custam caro. Ninguém quer gastar duas vezes.

A resposta curta: a maior parte da reforma já está blindada pela Constituição. Mas a disputa eleitoral pode mexer em detalhes que afetam diretamente o seu caixa. Vamos por partes.

O que já está protegido — e não muda com a eleição

A Reforma Tributária do consumo nasceu da Emenda Constitucional 132, aprovada em dezembro de 2023 com amplo consenso entre governo, oposição, estados e municípios. O cronograma está gravado na Constituição:

  • 2026 é o ano de teste: desde 1º de janeiro, as notas fiscais já destacam os valores de CBS e IBS — mas nada é cobrado ainda.
  • 2027: a CBS passa a ser cobrada de verdade, substituindo PIS e COFINS. Também nasce o Imposto Seletivo.
  • 2029 a 2032: o IBS entra em cobrança progressiva, ano a ano.
  • 2033: os tributos antigos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) são extintos.

Para alterar esse calendário, é preciso nova emenda constitucional — o que exige apoio de pelo menos 3/5 dos deputados e senadores, em dois turnos de votação em cada casa. Análises publicadas esta semana, como a do Congresso em Foco, reforçam: qualquer adiamento antes de 2027 exigiria emenda aprovada pelo atual Congresso em poucas semanas — improvável.

O cenário eleitoral: onde está a disputa

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula (PT). As primeiras pesquisas do segundo turno mostram disputa acirrada: o Datafolha (8/10) registrou 49% x 45% — empate técnico no limite da margem de erro —, enquanto o Atlas/Bloomberg (9/10) apontou 51,1% x 45,7% para Flávio.

O ponto central da campanha para o empresário: Flávio Bolsonaro promete revisar a reforma e acabar com o split payment — o mecanismo que separa o imposto no momento do pagamento.

O split payment no centro do debate

Como funciona: hoje, quando sua empresa vende R$ 100 mil, recebe os R$ 100 mil e recolhe o imposto depois. Com o split payment, o imposto é retido automaticamente no pagamento — se a carga de IBS e CBS for de R$ 17 mil, você recebe R$ 83 mil e o fisco recebe os R$ 17 mil direto.

A mudança afeta o capital de giro de qualquer empresa que venda a prazo. Por isso virou tema de campanha: o candidato do PL promete extingui-lo via PEC, e a Fazenda responde que o recuo favorece fraudes. Enquanto isso, o mecanismo segue seu curso: os testes de integração começam em 15 de outubro, e a vigência está prevista para 2028.

O que a política ainda pode mexer

Aqui está a influência real das eleições. A emenda criou a estrutura; as leis e regulamentos definem os detalhes — e detalhes, no imposto, significam dinheiro:

  • Alíquotas de referência: ainda não definidas. Caberá ao Senado fixá-las na transição. Estimativas do setor, como a da Roit, apontam CBS começando em 2027 com cerca de 9,43% — mas é projeção, não decisão.
  • Imposto Seletivo: o governo decidiu enviar a medida provisória só depois da eleição, para não transformar o tema em bandeira de campanha.
  • Pressão parlamentar: segundo a Folha de S. Paulo, cerca de 50 projetos de lei tramitam no Congresso tentando alterar pontos da reforma.
  • A janela da posse: o vencedor assume em 5 de janeiro de 2027 — com a CBS já em vigor desde 1º de janeiro. Mesmo um presidente contrário não teria tempo hábil para impedir essa etapa.

Os cenários possíveis

  1. Continuidade plena: o cronograma segue, com ajustes pontuais na regulamentação.
  2. Ajustes negociados: mudanças em leis complementares — regras de retenção, setores beneficiados. Exige maioria simples no Congresso; é o caminho mais viável.
  3. Revisão profunda: adiamento ou reescrita do modelo. A barreira é alta: emenda constitucional, negociação com governadores e desfazer investimentos que o mercado já fez — as notas fiscais de 2026 já trazem os novos tributos.

O cenário mais provável, na leitura da maioria dos especialistas, é o 2: o calendário se mantém, e a briga se dá nos detalhes regulatórios.

O que fazer na prática

  • Não paralise a adaptação. A CBS chega em 2027 independentemente do resultado das urnas. Sistemas e cadastros precisam estar prontos — as notas técnicas de outubro já mudaram os leiautes de NF-e e DANFE.
  • Acompanhe o split payment. É o ponto mais sensível da campanha e afeta seu fluxo de caixa. Modele o impacto: quanto do seu faturamento a prazo ficaria retido?
  • Atenção ao Simples Nacional. Quem opta pelo regime precisa definir até 20 de dezembro se fica no modelo puro ou híbrido de IBS/CBS — mais de 586 mil empresas já pediram o híbrido.
  • Documente os impactos. Registre como a transição afeta preços e contratos. Se a regra mudar, você terá base para renegociar.

As eleições vão definir o ritmo e o acabamento da reforma — não a sua existência. Quem se prepara agora, ajusta depois com menos custo.


ATENÇÃO: Este texto tem caráter informativo e não substitui análise individualizada por profissional habilitado para o seu caso.

Sua empresa tem dúvidas sobre como a transição afeta seu caixa e seus contratos? Vamos conversar.

#ReformaTributária #IBS #CBS #GestãoFinanceira #Eleições2026

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Fontes consultadas: Agência Senado e Rádio Senado (out/2026), G1/Datafolha (out/2026), Estadão/Atlas (out/2026), UOL (out/2026), O Globo (out/2026), Comsefaz (out/2026), Agência Brasil (out/2026), Folha de S. Paulo (mai e out/2026), Gazeta do Povo (out/2026), Congresso em Foco (out/2026), Receita Federal (set/2026), Contadores.cnt.br (mai/2026).

Como economizar na empresa em 2026: o guia financeiro para PMEs em tempos de juros ainda altos

 


2026 é um ano de virada — e de contradições. A taxa Selic, que passou quase todo o período entre meados de 2025 e março de 2026 no teto de 15% ao ano (o maior nível desde 2006), iniciou um ciclo de cortes e hoje está em 13,75% ao ano (fonte: Banco Central). O mercado já projeta novos cortes até dezembro, levando a taxa a 13,25% (fonte: Boletim Focus, 13/10/2026). Ao mesmo tempo, o faturamento real das pequenas e médias empresas cresceu 3,1% em junho na comparação anual (fonte: Índice Omie/Valor Econômico) — mas o Brasil ainda tinha 8,7 milhões de CNPJs inadimplentes no início do ano, sendo 8,3 milhões micro e pequenas empresas, com R$ 176,1 bilhões em dívidas (fonte: Serasa Experian).

Nesse cenário, “economizar” virou palavra de ordem. O problema é que a maioria das empresas corta custos do jeito errado: na pressa, sem critério e justamente nos lugares que sustentam o lucro. Este guia organiza a economia inteligente em cinco frentes — com o contexto atualizado de 2026.

Diagnóstico antes da tesoura

A regra número um não é cortar: é mapear. Antes de qualquer corte, liste todos os custos da empresa e mantenha um histórico deles. O critério de decisão é simples e implacável: cada gasto contribui ou não para a geração de receita e lucro? Os cortes devem começar pelos itens de menor participação no resultado — nunca pelos que sustentam a operação.

Com o mapa em mãos, defina metas de redução dentro do planejamento estratégico, do mesmo jeito que se definem metas de vendas. E envolva a equipe: usar parte da economia alcançada para premiar o time que ajudou a cortar transforma o controle de custos em causa coletiva, não em imposição do dono.

Um alerta que nunca sai de moda: economia que o cliente percebe costuma sair cara. Reduzir iluminação do salão, tempo de atendimento ou qualidade da embalagem pode gerar uma percepção negativa que custa muito mais do que a conta de luz economizada.

O custo do dinheiro caro (e como pagá-lo menos)

Com a Selic em 13,75%, toda dívida brasileira continua cara. E o pior cenário segue sendo o crédito rotativo do cartão: as taxas praticadas pelos bancos superam 150% ao ano em várias instituições e raramente ficam abaixo de 70% (fonte: Banco Central, set/2026). Nenhuma margem de PME sobrevive a isso.

Três movimentos práticos:

·      Renegocie dívidas existentes com os credores buscando a menor taxa possível — mas calcule antes a capacidade real de pagamento nas condições propostas. Renegociação que a empresa não consegue honrar é apenas uma dívida nova disfarçada.

·      Planeje o endividamento em vez de sofrê-lo. O crédito pode ser trampolim de crescimento, mas deve ser contratado comparando condições em vários bancos — nunca pela facilidade de acesso, que cobra a taxa mais alta.

·      Apresente bons números ao banco. Balanço e demonstração de resultado bem elaborados permitem ao credor avaliar o risco real da empresa e oferecer taxa compatível com o seu perfil — e não a taxa padrão para quem “não apresenta informações”. Empresas que demandaram mais crédito em 2026 (+8,6% no acumulado do ano, fonte: Serasa Experian) encontraram um mercado disposto a emprestar — a quem demonstra organização.

E o fluxo de caixa? Analise os últimos 12 meses e identifique os períodos de baixa de vendas e necessidade de capital. Com esse mapa, negocie com fornecedores o remanejamento de prazos antes que o aperto chegue — quem negocia antecipadamente tem poder de barganha; quem negocia no vencimento, não.

Regime tributário: a economia que a maioria das PMEs ignora

Aqui está, provavelmente, a maior economia disponível sem vender um ativo ou demitir ninguém. Cada regime tributário — Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real — tem alíquotas, créditos e deduções próprios. Estar mal enquadrado é pagar imposto que não precisava. Vale simular anualmente, com apoio de contador, se o enquadramento atual ainda é o melhor para o seu faturamento e margem.

E 2026 é um ano que exige atenção redobrada, porque a Reforma Tributária entrou em operação. O que está valendo agora:

·      Fase de teste: as empresas regidas pelo regime regular estão destacando nas notas fiscais as alíquotas simbólicas de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, valores deduzidos dos tributos atuais — sem cobrança efetiva (fonte: Agência Brasil). O preenchimento tornou-se obrigatório em agosto de 2026.

·      Simples Nacional e MEI ficaram dispensados do destaque em 2026 — mas não da decisão que vem por aí.

·      2027 será o ano crítico: extinção do PIS e da Cofins, entrada da CBS em alíquota cheia (estimada em torno de 8,8%), início do Imposto Seletivo e, principalmente, multas para quem não se adequar. É também o ano em que os optantes pelo Simples enfrentarão o dilema de permanecer ou migrar para o regime regular.

Na prática: a adaptação de sistemas, cadastros, contratos e precificação precisa começar agora, não em 2027. A empresa que tratar 2026 como “ano de teste, então não preciso fazer nada” vai amargar custos de correção apressada — e possivelmente multas — no ano seguinte. Para o empresário, a mensagem é direta: a reforma muda a forma de apurar, escriturar e precificar impostos, e quem se preparar antes converte obrigação em vantagem competitiva.

Compras e fornecedores: onde a margem se esconde

A negociação com fornecedores é uma das poucas fontes de economia com efeito imediato e sem perda de qualidade. Três práticas comprovadas:

·      Compre em volume para reduzir o custo unitário — e, quando fizer sentido, alugue em vez de comprar.

·      Diversifique fornecedores. Depender de um só significa preços mais altos e risco de ruptura de estoque. A busca constante de alternativas — inclusive produtos substitutos com custo menor — mantém os fornecedores atuais honestos.

·      Renegocie a matéria-prima com base em pesquisa de mercado. Uma renegociação bem-feita costuma gerar economia entre 13% e 30% — um intervalo que, na maioria das PMEs, equivale a todo o lucro do trimestre.

Uma tática subestimada: unir forças com empresas concorrentes ou complementares para compras conjuntas, reduzindo o valor unitário e dividindo custos logísticos. Concorrência na prateleira, cooperação na compra.

Informação contábil: o ativo que barateia tudo o resto

Repare que todas as frentes acima dependem da mesma matéria-prima: informação confiável. Não dá para mapear custos sem histórico, negociar com banco sem demonstrações, escolher regime tributário sem apuração correta ou planejar caixa sem fluxo organizado.

Por isso a dica de ouro — que já fechava o material original e continua sendo a mais importante de todas: tenha um ótimo contador. Mais do que um prestador de serviços, o contador é um parceiro de negócios, capaz de traduzir relatórios financeiros em decisões práticas. Em um ano de transição tributária como 2026, essa parceria deixa de ser recomendável e passa a ser estratégica: é o profissional que vai dizer se sua empresa está no regime certo, se o destaque de CBS e IBS nas notas está correto e se seus sistemas estarão prontos para 2027.

E uma nota de quem vive de auditoria: números bem estruturados não servem só para o fisco. Eles reduzem o custo de capital da empresa — banco e investidor cobram juros menores de quem apresenta informação transparente e verificável. Informação contábil de qualidade é, literalmente, dinheiro no bolso.

Conclusão

Economizar na empresa em 2026 não é cortar — é decidir com informação. Mapear custos antes de cortar, tratar a dívida com planejamento em vez de pânico, revisar o regime tributário no meio da maior reforma fiscal em décadas e negociar fornecedores com método. As empresas que fizerem isso sairão do ciclo de juros altos mais fortes — e chegarão à CBS em alíquota cheia, em 2027, preparadas em vez de surpreendidas.

Se a sua empresa ainda não fez essa revisão neste ano, o melhor momento é agora — antes que o fechamento do exercício e a obrigação da reforma tributária concentrem toda a atenção da sua contabilidade.

 

Em 16 de outubro de 2026.

Texto preparado por ANTONIO CARLOS PEDROSO DE SIQUEIRA, sócio e responsável técnico da Siqueira & Associados Auditores Independentes, com objetivo de apresentar algumas sugestões de melhoria às empresas em geral; especialmente as PMEs.

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