2026 é um ano de virada —
e de contradições. A taxa Selic, que passou quase todo o período entre meados
de 2025 e março de 2026 no teto de 15% ao ano (o maior nível desde 2006),
iniciou um ciclo de cortes e hoje está em 13,75% ao ano (fonte: Banco Central). O mercado já projeta
novos cortes até dezembro, levando a taxa a 13,25% (fonte: Boletim Focus, 13/10/2026).
Ao mesmo tempo, o faturamento real das pequenas e médias empresas cresceu 3,1%
em junho na comparação anual (fonte: Índice Omie/Valor Econômico)
— mas o Brasil ainda tinha 8,7 milhões de CNPJs inadimplentes no início do ano,
sendo 8,3 milhões micro e pequenas empresas, com R$ 176,1 bilhões em dívidas
(fonte: Serasa Experian).
Nesse cenário,
“economizar” virou palavra de ordem. O problema é que a maioria das empresas
corta custos do jeito errado: na pressa, sem critério e justamente nos lugares
que sustentam o lucro. Este guia organiza a economia inteligente em cinco
frentes — com o contexto atualizado de 2026.
Diagnóstico antes da tesoura
A regra número um não é
cortar: é mapear. Antes de qualquer corte, liste todos os custos da
empresa e mantenha um histórico deles. O critério de decisão é simples e
implacável: cada gasto contribui ou não para a geração de receita e lucro? Os
cortes devem começar pelos itens de menor participação no resultado — nunca
pelos que sustentam a operação.
Com o mapa em mãos,
defina metas de redução dentro do planejamento estratégico, do mesmo
jeito que se definem metas de vendas. E envolva a equipe: usar parte da
economia alcançada para premiar o time que ajudou a cortar transforma o
controle de custos em causa coletiva, não em imposição do dono.
Um alerta que nunca sai
de moda: economia que o cliente percebe costuma sair cara. Reduzir iluminação
do salão, tempo de atendimento ou qualidade da embalagem pode gerar uma
percepção negativa que custa muito mais do que a conta de luz economizada.
O custo do dinheiro caro (e como pagá-lo menos)
Com a Selic em 13,75%,
toda dívida brasileira continua cara. E o pior cenário segue sendo o crédito
rotativo do cartão: as taxas praticadas pelos bancos superam 150% ao ano em
várias instituições e raramente ficam abaixo de 70% (fonte: Banco Central, set/2026).
Nenhuma margem de PME sobrevive a isso.
Três movimentos práticos:
· Renegocie
dívidas existentes com os credores buscando a menor taxa
possível — mas calcule antes a capacidade real de pagamento nas condições
propostas. Renegociação que a empresa não consegue honrar é apenas uma dívida
nova disfarçada.
· Planeje
o endividamento em vez de sofrê-lo. O crédito pode ser
trampolim de crescimento, mas deve ser contratado comparando condições em
vários bancos — nunca pela facilidade de acesso, que cobra a taxa mais alta.
· Apresente
bons números ao banco. Balanço e demonstração de resultado
bem elaborados permitem ao credor avaliar o risco real da empresa e oferecer
taxa compatível com o seu perfil — e não a taxa padrão para quem “não apresenta
informações”. Empresas que demandaram mais crédito em 2026 (+8,6% no acumulado
do ano, fonte: Serasa Experian) encontraram um mercado
disposto a emprestar — a quem demonstra organização.
E o fluxo de caixa?
Analise os últimos 12 meses e identifique os períodos de baixa de vendas e
necessidade de capital. Com esse mapa, negocie com fornecedores o remanejamento
de prazos antes que o aperto chegue — quem negocia antecipadamente tem poder de
barganha; quem negocia no vencimento, não.
Regime tributário: a economia que a maioria das PMEs ignora
Aqui está, provavelmente,
a maior economia disponível sem vender um ativo ou demitir ninguém. Cada regime
tributário — Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real — tem alíquotas,
créditos e deduções próprios. Estar mal enquadrado é pagar imposto que não
precisava. Vale simular anualmente, com apoio de contador, se o enquadramento
atual ainda é o melhor para o seu faturamento e margem.
E 2026 é um ano que exige
atenção redobrada, porque a Reforma Tributária entrou em operação. O que está
valendo agora:
· Fase
de teste: as empresas regidas pelo regime regular estão
destacando nas notas fiscais as alíquotas simbólicas de 0,9% de CBS e 0,1% de
IBS, valores deduzidos dos tributos atuais — sem cobrança efetiva (fonte: Agência Brasil). O preenchimento
tornou-se obrigatório em agosto de 2026.
· Simples
Nacional e MEI ficaram dispensados do destaque em 2026 —
mas não da decisão que vem por aí.
· 2027
será o ano crítico: extinção do PIS e da Cofins, entrada da
CBS em alíquota cheia (estimada em torno de 8,8%), início do Imposto Seletivo
e, principalmente, multas para quem não se adequar. É também o ano em que os
optantes pelo Simples enfrentarão o dilema de permanecer ou migrar para o
regime regular.
Na prática: a adaptação
de sistemas, cadastros, contratos e precificação precisa começar agora,
não em 2027. A empresa que tratar 2026 como “ano de teste, então não preciso
fazer nada” vai amargar custos de correção apressada — e possivelmente
multas — no ano seguinte. Para o empresário, a mensagem é direta: a reforma
muda a forma de apurar, escriturar e precificar impostos, e quem se preparar
antes converte obrigação em vantagem competitiva.
Compras e fornecedores: onde a margem se esconde
A negociação com
fornecedores é uma das poucas fontes de economia com efeito imediato e sem
perda de qualidade. Três práticas comprovadas:
· Compre
em volume para reduzir o custo unitário — e, quando fizer
sentido, alugue em vez de comprar.
· Diversifique
fornecedores. Depender de um só significa preços mais
altos e risco de ruptura de estoque. A busca constante de alternativas —
inclusive produtos substitutos com custo menor — mantém os fornecedores atuais
honestos.
· Renegocie
a matéria-prima com base em pesquisa de mercado. Uma
renegociação bem-feita costuma gerar economia entre 13% e 30% — um intervalo
que, na maioria das PMEs, equivale a todo o lucro do trimestre.
Uma tática subestimada:
unir forças com empresas concorrentes ou complementares para compras
conjuntas, reduzindo o valor unitário e dividindo custos logísticos.
Concorrência na prateleira, cooperação na compra.
Informação contábil: o ativo que barateia tudo o resto
Repare que todas as
frentes acima dependem da mesma matéria-prima: informação confiável. Não
dá para mapear custos sem histórico, negociar com banco sem demonstrações,
escolher regime tributário sem apuração correta ou planejar caixa sem fluxo
organizado.
Por isso a dica de ouro —
que já fechava o material original e continua sendo a mais importante de todas:
tenha um ótimo contador. Mais do que um prestador de serviços, o
contador é um parceiro de negócios, capaz de traduzir relatórios financeiros em
decisões práticas. Em um ano de transição tributária como 2026, essa parceria
deixa de ser recomendável e passa a ser estratégica: é o profissional que vai
dizer se sua empresa está no regime certo, se o destaque de CBS e IBS nas notas
está correto e se seus sistemas estarão prontos para 2027.
E uma nota de quem vive
de auditoria: números bem estruturados não servem só para o fisco. Eles reduzem
o custo de capital da empresa — banco e investidor cobram juros menores de
quem apresenta informação transparente e verificável. Informação contábil de
qualidade é, literalmente, dinheiro no bolso.
Conclusão
Economizar na empresa em
2026 não é cortar — é decidir com informação. Mapear custos antes de
cortar, tratar a dívida com planejamento em vez de pânico, revisar o regime
tributário no meio da maior reforma fiscal em décadas e negociar fornecedores
com método. As empresas que fizerem isso sairão do ciclo de juros altos mais
fortes — e chegarão à CBS em alíquota cheia, em 2027, preparadas em vez de
surpreendidas.
Se a sua empresa ainda
não fez essa revisão neste ano, o melhor momento é agora — antes que o
fechamento do exercício e a obrigação da reforma tributária concentrem toda a
atenção da sua contabilidade.
Em
16 de outubro de 2026.
Texto
preparado por ANTONIO CARLOS PEDROSO DE SIQUEIRA, sócio e responsável
técnico da Siqueira & Associados Auditores Independentes, com
objetivo de apresentar algumas sugestões de melhoria às empresas em geral;
especialmente as PMEs.
Para
nos contactar use:
Whatsapp:
41 9 9977-4426
e-mail:
siqueira@siqueiraeassociados.net.br

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