Ensaio preparado por ANTONIO CARLOS PEDROSO DE SIQUEIRA
Em 12 de outubro de 2026
O segundo turno está marcado para 25 de outubro e a
pergunta que não cala no setor produtivo é: vale a pena continuar investindo na
adaptação ao IBS e à CBS, ou é melhor esperar? Sistemas, consultoria e
reorganização fiscal custam caro. Ninguém quer gastar duas vezes.
A resposta curta: a maior parte da reforma já está
blindada pela Constituição. Mas a disputa eleitoral pode mexer em detalhes
que afetam diretamente o seu caixa. Vamos por partes.
O que já está protegido — e não muda com a eleição
A Reforma Tributária do consumo nasceu da Emenda
Constitucional 132, aprovada em dezembro de 2023 com amplo consenso entre
governo, oposição, estados e municípios. O cronograma está gravado na
Constituição:
- 2026
é o ano de teste: desde 1º de janeiro, as notas fiscais já destacam os
valores de CBS e IBS — mas nada é cobrado ainda.
- 2027:
a CBS passa a ser cobrada de verdade, substituindo PIS e COFINS. Também
nasce o Imposto Seletivo.
- 2029
a 2032: o IBS entra em cobrança progressiva, ano a ano.
- 2033:
os tributos antigos (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) são extintos.
Para alterar esse calendário, é preciso nova emenda
constitucional — o que exige apoio de pelo menos 3/5 dos deputados e
senadores, em dois turnos de votação em cada casa. Análises publicadas esta
semana, como a do Congresso em Foco, reforçam: qualquer adiamento antes de 2027
exigiria emenda aprovada pelo atual Congresso em poucas semanas — improvável.
O cenário eleitoral: onde está a disputa
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos
votos válidos contra 45,16% de Lula (PT). As primeiras pesquisas do segundo
turno mostram disputa acirrada: o Datafolha (8/10) registrou 49% x 45% — empate
técnico no limite da margem de erro —, enquanto o Atlas/Bloomberg (9/10)
apontou 51,1% x 45,7% para Flávio.
O ponto central da campanha para o empresário: Flávio
Bolsonaro promete revisar a reforma e acabar com o split payment — o
mecanismo que separa o imposto no momento do pagamento.
O split payment no centro do debate
Como funciona: hoje, quando sua empresa vende R$ 100 mil,
recebe os R$ 100 mil e recolhe o imposto depois. Com o split payment, o imposto
é retido automaticamente no pagamento — se a carga de IBS e CBS for de R$ 17
mil, você recebe R$ 83 mil e o fisco recebe os R$ 17 mil direto.
A mudança afeta o capital de giro de qualquer empresa
que venda a prazo. Por isso virou tema de campanha: o candidato do PL promete
extingui-lo via PEC, e a Fazenda responde que o recuo favorece fraudes.
Enquanto isso, o mecanismo segue seu curso: os testes de integração começam
em 15 de outubro, e a vigência está prevista para 2028.
O que a política ainda pode mexer
Aqui está a influência real das eleições. A emenda criou a
estrutura; as leis e regulamentos definem os detalhes — e detalhes, no imposto,
significam dinheiro:
- Alíquotas
de referência: ainda não definidas. Caberá ao Senado fixá-las na
transição. Estimativas do setor, como a da Roit, apontam CBS começando em
2027 com cerca de 9,43% — mas é projeção, não decisão.
- Imposto
Seletivo: o governo decidiu enviar a medida provisória só depois da
eleição, para não transformar o tema em bandeira de campanha.
- Pressão
parlamentar: segundo a Folha de S. Paulo, cerca de 50 projetos de
lei tramitam no Congresso tentando alterar pontos da reforma.
- A
janela da posse: o vencedor assume em 5 de janeiro de 2027 — com a CBS
já em vigor desde 1º de janeiro. Mesmo um presidente contrário não teria
tempo hábil para impedir essa etapa.
Os cenários possíveis
- Continuidade
plena: o cronograma segue, com ajustes pontuais na regulamentação.
- Ajustes
negociados: mudanças em leis complementares — regras de retenção,
setores beneficiados. Exige maioria simples no Congresso; é o caminho mais
viável.
- Revisão
profunda: adiamento ou reescrita do modelo. A barreira é alta: emenda
constitucional, negociação com governadores e desfazer investimentos que o
mercado já fez — as notas fiscais de 2026 já trazem os novos tributos.
O cenário mais provável, na leitura da maioria dos
especialistas, é o 2: o calendário se mantém, e a briga se dá nos detalhes
regulatórios.
O que fazer na prática
- Não
paralise a adaptação. A CBS chega em 2027 independentemente do
resultado das urnas. Sistemas e cadastros precisam estar prontos — as
notas técnicas de outubro já mudaram os leiautes de NF-e e DANFE.
- Acompanhe
o split payment. É o ponto mais sensível da campanha e afeta seu fluxo
de caixa. Modele o impacto: quanto do seu faturamento a prazo ficaria
retido?
- Atenção
ao Simples Nacional. Quem opta pelo regime precisa definir até 20
de dezembro se fica no modelo puro ou híbrido de IBS/CBS — mais de 586
mil empresas já pediram o híbrido.
- Documente
os impactos. Registre como a transição afeta preços e contratos. Se a
regra mudar, você terá base para renegociar.
As eleições vão definir o ritmo e o acabamento da reforma —
não a sua existência. Quem se prepara agora, ajusta depois com menos custo.
ATENÇÃO: Este texto tem caráter informativo e não
substitui análise individualizada por profissional habilitado para o seu caso.
Sua empresa tem dúvidas sobre como a transição afeta seu
caixa e seus contratos? Vamos conversar.
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NOSSOS CONTATOS:
Whatsapp: 41 9 9977-4426
e-mail: siqueira@siqueiraeassociados.net.br
Fontes consultadas: Agência Senado e Rádio Senado
(out/2026), G1/Datafolha (out/2026), Estadão/Atlas (out/2026), UOL (out/2026),
O Globo (out/2026), Comsefaz (out/2026), Agência Brasil (out/2026), Folha de S.
Paulo (mai e out/2026), Gazeta do Povo (out/2026), Congresso em Foco
(out/2026), Receita Federal (set/2026), Contadores.cnt.br (mai/2026).

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