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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A sabedoria dos antigos e a agrofloresta

Quando os primeiros europeus (na maioria portugueses) chegaram ao Brasil, e passaram a conviver com os nativos encontrados (e que ainda não haviam eliminados) ficaram admirados pela falta de observação que os nativos tinham na preparação de suas roças.

(sim, minha gente, esse papo de que todo índio (nativo brasileiro) é preguiçoso e vagabundo não é verdadeiro. Se alguém duvidar basta ir viver durante um período em uma das comunidades ainda não totalmente contaminadas pelos nossos (maus) hábitos)

Voltando ao assunto: os portugueses ficavam admirados em ver que nos plantios de feijão, por exemplo, eles plantavam, próximas uma das outras, uma grande variedade de sementes de feijão. Na colheita, observavam os portugueses, dignos representantes do Rei e da Igreja, ícones na civilização ocidental, que apenas algumas poucas sementes vinham com muita força na produção. Boa parte produzia uma quantidade apenas razoável e outras sequer produziam…

Eles (os civilizados) ficavam indignados com essa evidente falta de coerência dos nativos. Os jesuítas passaram a pesquisar quais as variedades de feijão eram mais produtivas e decidiram fazer as novas roças apenas com as variedades “campeãs”. Sob protesto dos nativos, que alegavam que não daria certo deixar de plantar as demais variedades, fizeram suas novas roças.

Na primeira safra foi um grande sucesso. com maior área plantada somente com as sementes mais produtivas houve grande fartura e todos se alegraram. Especialmente os jesuítas que acreditavam ter feito “um grande bem à comunidade”.

A segunda safra foi um pouco menor que a primeira; mesmo assim bastante superior ao que era colhido anteriormente…

Na terceira safra houve uma grande invasão de pragas, que provocou uma grande quebra na produção de feijão.

Os jesuítas ficaram impressionados com o aparecimento de tanta praga ao mesmo tempo. Perguntaram, então, aos mais velhos: “O que aconteceu? De onde veio tanta praga?” E eles lhes responderam:

- “Essas pragas sempre existiram. Quando vinha o feijão das várias sementes elas iam e comiam daquela variedade; deixando as outras crescerem em paz. Preferiam aquelas espécies que, na colheita já não apresentavam nenhum grão; já alimentados não apreciavam o “gosto” das outras bagas, deixando-as para nós…”

Partilhavam sua colheita com algumas pragas que eram mantidas sob controle apenas pela diversidade com que faziam suas roças. Quando diminuiu a quantidade de sementes os insetos passaram a aprender a “gostar” também da nova variedade, atacando-as nas safras seguintes.

No artigo Agroflorestas – A Agricultura do Futuro fica evidente que a diversidade na natureza é condição que garante a qualidade e a sobrevivência das espécies.

Essa a principal razão de tantos julgarem danoso ao ambiente a prática da monocultura.

A recuperação das matas e a preservação da natureza depende de nosso reconhecimento da ignorância que nos move. Somos movidos pela ganância que o ganho financeiro proporciona no momento inicial. Continuamos limitados em pensar a longo prazo. Não sabemos planejar o futuro; nos falta o conhecimento que vai muito além do momentâneo ganho financeiro.

Precisamos reaprender economia, dando solidez ao nosso desenvolvimento, mesmo que aparente ser modesto, de forma permanente e sustentável.

É a sustentabilidade que nos garantirá a continuidade; não ganho financeiro baseado na ganância…

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Questões de Orçamento

Estamos caminhando para uma significativa mudança na área pública. A Lei de Responsabilidade Fiscal não conseguiu trazer a necessária condição de ferramenta gerencial ao orçamento. Espera-se que as novas normas contábeis para o setor público, chamadas de internacionais, consigam resolver essa condição.

O Orçamento das Entidades Públicas ainda continua a ser uma peça meramente ilustrativa, sem nenhum efeito prático para sua gestão. A origem certamente recai sobre a falta de elaboração de um planejamento alinhado com a realidade e comprometido com o desenvolvimento do país.

As questões políticas devem ser limitadas às condicionantes de ondem técnica, além da própria realidade. Clamor de deputados para atrair luzes da mídia nem sempre tem a seriedade necessária para a elaboração do orçamento ou avaliação do planejamento.

Só que nada disso interessa…

Em matéria divulgada hoje, com o título: O Discurso contraditório do governo na área fiscal observa-se que estamos nos últimos momentos da grande nau TITANIC, que já está bem avariada com tantos “icebergs” aliados.

Os jornais dão em suas manchetes os indícios do que está acontecendo. Alguns analistas econômicos, em seus comentários lacônicos, mais confundem do que esclarecem…

E a população? Bem a população, como uma “enorme plateia” fica contando os capítulos para ver se há algum final feliz em mais essa novela…

Só que, na vida real, os bandidos e cafajestes e imorais e etc., costumam se dar bem…

Que ninguém se esqueça de que há eleições no ano que vem…

E o TITANIC?

Quem sabe ele ‘guenta’ mais uma reformazinha até lá… depois das eleições é preparação para a Copa, outra eleição…

Já tem gente torcendo para que as profecias Maias sejam antecipadas…

domingo, 7 de agosto de 2011

Existe tanto dinheiro?

Entenda a magnitude da dívida pública norte-americana

Dívida norte-americana: muito se fala, pouco se entende. Vai abaixo um infográfico para tentar ajudar a entender e visualizar o tamanho da encrenca. Não tenha dúvida, meu caro amigo, minha cara amiga: não é porque vivemos no país do PAC, do bolsa família, da prosperidade Antonio Palocciana… Se os EUA dançam, o mundo inteiro vai atrás deles até o fundo do buraco. Nunca antes na história desse planeta valeu tanto aquela expressão… No mundo globalizado com economia on-line, estamos todos no mesmo barco.

Agora, vamos enxergar o tamanho do buraco dos nossos irmãos do norte através de um infográfico criado pelo WFTnoway com dados do US Debt Clock, o reloginho que marca em tempo real o tamanho da dívida do estado norte-americano.

100 dólares: nota de dinheiro mais conhecida do mundo.

100 Dolares

10 mil dólares: grana suficiente para torrar numas férias caprichadas ou num carro usado. É o valor médio equivalente a um ano de trabalho de um cidadão no planeta Terra.

10 mil dolares

1 milhão de dólares: prêmio de reality show brasileiro. É o valor equivalente a cerca de 92 anos de trabalho de um humano médio no planeta Terra.

1 milhao de dolares

100 milhões de dólares: opa, já dá para arrumar a vida de qualquer bom gastador. Ladrão que botar a mão numa bolada dessa já vai precisar de uma empilhadeira para levar o tutu para casa.

100 milhoes dolares

1 bilhão de dólares: agora a coisa ficou séria. Brincadeira de cachorro grande, o clube do bilhão é só para pesos pesados. Repare: vemos aí uma pilha dupla, em unidades encaixadas de 100 milhões de dólares.

1 bilhao dolares

1 trilhão de dólares: Se você gastasse 1 milhão de dólares desde o dia 1 do ano que Jesus nasceu, não teria gasto até hoje a soma de 1 trilhão de dólares, mas apenas cerca de 700 bilhões.

Quando o governo dos EUA reconhece um déficit de U$ 1,7 trilhão, isto representa apenas o valor que ele tomou emprestado em 2010 para manter a máquina do estado em movimento.

1 trilhao de dolares

Para facilitar sua visualização do tamanho da encrenca: o trilhão de dólares comparado a um jato ou um campo de futebol.

1 trilhao de dolares 2

15 trilhões de dólares: Se o governo americano não resolver o déficit, a dívida alcançará 15 trilhões de dólares até o natal de 2011. Estoura o teto máximo permitido por lei, hoje fixado em U$ 14,3 trilhões. Um volume capaz de assustar a Estátua da Liberdade.

15 trilhoes de dolares

114,5 trilhões de dólares: é o endividamento dos EUA sem lastro, que fica a descoberto, sem garantias. Representa o valor necessário para o país financiar previdência social, serviços médicos e remédios, fundo de desemprego, despesas militares e pensões para os civis… Enquanto isso, eles continuam acelerando nos gastos. Só a guerrinha no Afeganistão custa a bagatela de U$ 2 bilhõezinhos por semana!

114 bilhoes dolares

sexta-feira, 11 de março de 2011

RECEITA FEDERAL - É sempre bom estar atento!

Equilibrio

Leiam, além das dicas abaixo, as orientações da Receita em seu site.

RECEITA FEDERAL APERTA O CERCO...
Fonte: FECOMÉRCIO (14/9/2010)
Seguem abaixo, algumas orientações a fim de evitar futuros problemas com o Fisco.


1. O QUE SERÁ CRUZADO:
Todos devem começar a acertar a sua situação com o Leão, pois neste ano o Fisco começa a cruzar mais informações, e no máximo em dois anos estará cruzando praticamente tudo. As informações que envolvam CPF ou CNPJ serão cruzadas on-line com:

CARTÓRIOS: Checar os bens imóveis - terrenos, casas, apartamentos, sítios, construções;

DETRANS: Registro de propriedade de veículos, motos, barcos, Jet-skis, etc.;

BANCOS: cartões de crédito, débito, aplicações, movimentações, financiamentos;

EMPRESAS EM GERAL: Além das operações já rastreadas (Folha de pagamentos, FGTS, INSS, IRRF, etc.), passam a ser cruzadas as operações de compra e venda de mercadorias e serviços em geral, incluídos os básicos (luz, água, telefone, saúde), bem como os financiamentos em geral. Tudo através da Nota Fiscal Eletrônica. Tudo isso nos âmbitos Municipal, Estadual e Federal, amarrando pessoa física e pessoa jurídica através destes cruzamentos e podendo, ainda, fiscaliza os últimos 5 (cinco) anos.


2. MODERNIDADE DO SISTEMA:
Este sistema é um dos mais modernos e eficientes já construídos no mundo, e logo estará operando por inteiro. Só para se ter uma idéia, as operações relacionadas com cartão de crédito e débito foram cruzadas em um pequeno grupo de empresas varejistas no fim do ano passado, e a grande maioria deles sofreram autuações enormes, pois as
informações fornecidas pelas operadoras de cartões ao fisco (que são obrigados a entregar a movimentação), não coincidiram com as declaradas pelos lojistas. Este cruzamento das informações deve, em breve, se estender a um número muito maior de contribuintes, pois o resultado foi "muito lucrativo" para o governo.


3. FOCO NAS EMPRESAS DO SIMPLES:
Sua empresa é optante do Simples Nacional? Veja esta curiosidade inquietante:

TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL: Maioria das empresas de grande porte. Representam apenas 6% das empresas do Brasil e são responsáveis por 85% de toda arrecadação nacional;

TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO: Maioria das empresas de pequeno e médio porte. Representa 24% das empresas do Brasil e são responsáveis por 9% de toda arrecadação nacional;

TRIBUTAÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL: 70% das empresas do Brasil e respondem por apenas 6% de toda arrecadação nacional. OU SEJA, é nas empresas do SIMPLES que o FISCO vai focar seus esforços, pois é nela
onde se concentra a maior parte da informalidade, leia-se, sonegação!


4. INFORMALIDADE DEVERÁ DIMINUIR:
Acredita-se que muito em breve, a prática da informalidade tende a diminuir muito! A recomendação é de que as empresas devem se esforçar cada vez mais no sentido de ir acertando os detalhes que faltam para minimizar problemas com o FISCO.


5. SUPERCOMPUTADOR T-REX E SISTEMA HARPIA:
A Receita Federal passou a contar com o T-Rex, um supercomputador que leva o nome do devastador Tiranossauro Rex, e o software Harpia, ave de rapina mais poderosa do país, que teria até a capacidade de aprender com o comportamento dos contribuintes para detectar irregularidades. O programa vai integrar as secretarias estaduais da Fazenda, instituições financeiras, administradoras de cartões de crédito e os cartórios.


6. DIMOF:
Com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 e em outros atos normativ os, o órgão arrecadador - fiscalizador apressou-se em publicar a Instrução Normativa RFB nº 811/2008, criando a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), pela qual as instituições financeiras têm de informar a movimentação de pessoas físicas, se a mesma superar a ínfima quantia de R$ 5.000,00 no semestre, e das pessoas jurídicas, se a movimentação superar a bagatela de R$ 10.000,00 no semestre. A primeira DIMOF foi apresentada em 15 de dezembro de 2008.


7. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA JÁ PRONTA PELO FISCO PREVIAMENTE:
O acompanhamento e controle da vida fiscal dos indivíduos e das empresas ficará tão aperfeiçoado que a Receita Federal passará a oferecer a declaração de Imposto de renda já pronta, para validação do contribuinte, o que poderá ocorrer já daqui a dois anos.


8. PRIMEIRA ETAPA JÁ INICIADA EM 2008, 37.000 CONTRIBU INTES:
Apenas para a primeira etapa da chamada Estratégia Nacional de Atuação da Fiscalização da Receita Federal para o ano de 2008 foi estabelecida a meta de fiscalização de 37 mil contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, selecionados com base em análise da CPMF, segundo publicado em órgãos da mídia de grande circulação.


9. CRIAÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES PATRIMONIAIS DO CONTRIBUINTE:
O projeto prevê, também, a criação de um sistema nacional de informações patrimoniais dos contribuintes, que poderia ser gerenciado pela Receita Federal e integrado ao Banco Central, Detran, e outros órgãos.


10. PENHORA ON LINE:
Para completar, já foi aprovado um instrumento de penhora on line das contas correntes. Por força do artigo 655-A, incorporado ao CPC pela Lei nº 11.382/2006, poderá requerer ao juiz a decretação instantânea, por meio eletrônico, da indisponibilidade de dinheiro ou Bens do contribuinte submetido a processo de execução fiscal.


11. REVISÃO DE PROCEDIMENTOS E CONTROLES CONTÁBEIS:
Tendo em vista esse arsenal, que vem sendo continuamente reforçado para aumentar o poder dos órgãos fazendários, recomenda-se que o contribuinte promova revisão dos procedimentos e controles contábeis e fiscais praticados nos últimos cinco anos.


12. A RECEITA ESTÁ TRABALHANDO MESMO:
Hoje a Receita Federal tem diversos meios (controles) para acompanhar a movimentação financeira das pessoas. Além da DIMOF, temos a DIRPF, DIRPJ, DACON. DCTF, DITR, DIPI, DIRF, RAIS, DIMOB, etc. etc.. Ou seja, são varias fontes de informações.


13. TESTES DO SISTEMA:
Esse sistema HARPIA, já estava em teste há 2 dois anos, e agora está trabalhando pra valer. Com a entrada em vigor da nota fiscal eletrônica e do SPED, ai é que a situação vai piorar, ou melhor, melhorar a arrecadação.


ATENÇÃO: Jamais faça DOAÇÕES!
Se tiver de doar algum dinheiro a um filho, por exemplo, declare apenas como EMPRÉSTIMO !!!! , senão será taxado em 4% em imposto estadual !

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Divida Interna e Divida Externa - Análise Didática....

Waldir Serafim Economista

 Waldir Serafim é economista em Mato Grosso

Recebi a mensagem com o texto desse economista abordando sobre a questão das dívidas do Brasil, tanto a Interna como a Externa. Como achei a análise bem didática estou reproduzindo o texto na íntegra.

Sempre é importante ouvir comentários. Estou aguardando o seu…

SAIBA TUDO QUE LULA FEZ DE 2002 A 2010

Você ouve falar em DÍVIDA EXTERNA e DÍVIDA INTERNA em jornais e TV
e não entende direito vamos explicar a seguir:
DÍVIDA EXTERNA
= é como uma dívida que você deve para bancos e outras pessoas...


DÍVIDA INTERNA
= é como uma dívida que você deve para sua mãe, pai ou parente...
Quando LULA assumiu o Brasil, em 2002, os montantes eram:
* dívida externa 212 Bilhões
* dívida interna 640 Bilhões
* Total de dívidas: 852 Bilhões

Em 2007 Lula disse que tinha pago a dívida externa. E é verdade.

Só que ele não explicou que, para pagar a externa, ele aumentou a interna:
Em 2007, no governo Lula:
* Dívida Externa = 0 
* Dívida Interna = 1 Trilhão e 400 Bilhões
* Total de dívidas =  1 Trilhão e 400 Bilhões

Ou seja, a dívida externa foi paga, mas a dívida interna mais do que dobrou.

Agora, em 2010, você pode perceber que não se vê mais na TV e em jornais algo dito que seja convincente sobre a Dívida Externa quitada.


Sabe por quê?

Porque ela voltou.
Em 2010:
* Dívida Externa= 240 Bilhões
* Dívida Interna = 1 Trilhão e 650 Bilhões
* Total de dívidas = 1 Trilhão e 890 Bilhões

Ou seja, a dívida do Brasil aumentou em 1 Trilhão no governo LULA.

Daí é que vem o dinheiro que o Lula está gastando no PAC, bolsa família, bolsa educação, bolsa faculdade, bolsa cultura, bolsa para presos, dentre outras bolsas...

Não é com dinheiro de crescimento; é com dinheiro de ENDIVIDAMENTO.

Compreenderam?

Ou ainda acham que Lula é mágico? Ou que FHC deixou um caminhão de dólares pro Lula gastar?

Quer mais detalhes sobre dívida interna e externa do Brasil?

Acesse:
http://www.sonoticias.com.br/opiniao/2/100677/divida-interna-perigo-a-vista

Dívida Interna: perigo à vista
Autor: Waldir Serafim


A dívida interna do Brasil, que montava R$ 892,4 bilhões quando Lula assumiu o governo em 2003, atingiu em 2009 o montante de R$ 1,40 trilhão de reais e, segundo limites definidos pelo próprio governo, poderá fechar 2010 em R$ 1,73 trilhão de reais, quase o dobro. Crescimento de 94% em oito anos de governo.
Para 2010, segundo Plano Nacional de Financiamento do Tesouro Nacional, a necessidade bruta de financiamento para a dívida interna será de R$ 359,7 bilhões (12% do PIB), sendo R$ 280,0 bilhões para amortização do principal vencível em 2010 e R$ 79,7 bilhões somente para pagamento dos juros (economistas independentes estimam que a conta de juros passará de R$ 160,0 bilhões em 2010). Ou seja, mais uma vez, o governo, além de não amortizar um centavo da dívida principal, também não vai pagar os juros. Vai ter que rolar o principal e juros. E a dívida vai aumentar.
A dívida interna tem três origens: as despesas do governo no atendimento de suas funções típicas, quais sejam, os gastos com saúde, educação, segurança, investimentos diversos em infraestrutura, etc..

Quando esses gastos são maiores que a arrecadação tributária, o que é recorrente no Brasil, cria-se um déficit operacional que, como acontece em qualquer empresa ou família, terá que ser coberto por empréstimos, os quais o governo toma junto aos bancos, já que está proibido, constitucionalmente, de emitir dinheiro para cobrir déficits fiscais, como era feito no passado.

A segunda origem são os gastos com os juros da dívida. Sendo esses muito elevados no Brasil, paga-se um montante muito alto com juros e os que não são pagos é capitalizado, aumentando ainda mais o montante da dívida.

A terceira causa decorre da política monetária e cambial do governo: para atrair capitais externos ou mesmo para vender os títulos da dívida pública, o governo paga altas taxas de juros, bem maior do que a paga no exterior, e com isso o giro da dívida também fica muito alto.
A gestão das finanças de um governo assemelha-se, em grande parte, a de uma família.

Quando se faz um empréstimo para comprar uma casa para sua moradia, desde que as prestações mensais caibam no seu orçamento familiar, é visto como uma atitude sensata. Além de usufruir do conforto e segurança de uma casa própria, o que é um sonho de toda família, depois de quitado o empréstimo restará o imóvel. 

No entanto, se uma família perdulária usa dinheiro do cheque especial para fazer uma festa, por exemplo, está, como se diz na linguagem popular, almoçando o jantar. Passado o momento de euforia, além de boas lembranças, só vão ficar dívidas, e muito pesadelo, nada mais.
No caso, o Brasil está mais assemelhado ao da família perdulária: gastamos demais, irresponsavelmente, e entramos no cheque especial. Estamos pagando caro por isso. 

Como o governo não está conseguindo pagar a dívida no seu vencimento, e nem mesmo os juros, ao recorrer aos bancos para refinanciar seus papagaios, está tendo de pagar um “spread” (diferença entre a taxa básica de juros, Selic, e os juros efetivamente pagos) cada vez mais alto (em 2008 no auge da crise, o governo chegou a pagar um “spread” de 3,5% além da Selic). E isso, além de aumentar os encargos da dívida, é um entrave para a queda dos juros, por parte do Banco Central.
O governo tornou-se refém dos bancos: precisa de dinheiro para rolar sua dívida e está sendo coagido a pagar juros cada vez mais altos (veja os lucros dos bancos registrados em seus balanços).

Em 2009, em razão das altas taxas de juros pagas, o montante da dívida cresceu 7,16% em relação ao ano anterior, mesmo o PIB não registrando qualquer crescimento.

O problema da dívida interna não é somente o seu montante, que já está escapando do controle, mas sim qual o destino que estamos dando a esses recursos.

Como no caso da família que pegou empréstimo para comprar uma casa própria, se o governo pega dinheiro emprestado para aplicar em uma obra importante: estrada, usina hidroelétrica, etc. é defensável. É perfeitamente justificável que se transfira para as gerações futuras parte do compromisso assumido para a construção de obras que trarão benefício também no futuro.
Mas não é isso que está acontecendo no Brasil.
O governo está gastando muito e mal. Tal qual a família perdulária, estamos fazendo festas não obras. Estamos deixando para nossos filhos e netos apenas dívidas, sem nenhum benefício a usufruir.

Deixo para o prezado leitor, se quiser, elencar as obras que serão deixadas por esse governo. 
Não tenho bola de cristal para adivinhar quem vai ser o próximo presidente da República: se vai ser ele ou ela, mas posso, com segurança, afirmar, que seja quem for o eleito vai ter que pisar no freio, logo no início do governo. Vai ter que arrumar a casa.


Waldir Serafim

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Por trás do Outro Lado da Notícia

 Sagrado Olho de YSHA
Penso que estamos cegos,
Cegos que vêem,
Cegos que, vendo,
não vêem.”
José Saramago                                   
 Claro que há, no título deste post, uma evidente dose de “teoria da conspiração”. Só que na leitura que faço dos acontecimentos atuais e o conteúdo da nota que li, fica difícil ter outra avaliação da 'realidade' que estamos vivendo, nestes dias atuais…

 Venho comparando as pessoas nas multidões aos “Zumbis”. Elas vivem num mundo construído segundo seus padrões (estabelecidos conforme as novelas que vêem ou lêem. Dificilmente esses padrões são originados por reflexão própria ou desenvolvimento pessoal). Por isso, quando viajamos num coletivo ou estamos num ambiente público com muitas pessoas, encontramos a maior parte delas como se estivessem adormecidas, falando coisas repetidas e repetidas.

 O pouco pensar parece ser algo “políticamente correto” atualmente. Quem pensa ou faz reflexão sobre o que percebe o seu redor é “chato” ou “meio maluco”. Por isso a grande média das pessoas prefere viver num mundo fantasioso. Só seu! Sua grande luta é convencer outras pessoas (ao menos aquelas com quem tem mais afinidade) para também ingresarem em seus sonhos.

 Sonho ou Pesadelo? Depende apenas do que você vê e do que, realmente, enxerga…

 Uma nota bem interessante, analisando nossa situação nos últimos anos, revela a incoerência de algumas atitudes tomadas pelo Governo Brasileiro. Será verdade? Até onde vai, de fato, nossa autonomia?

 Em seu comentário: “Ambigüidade do Governo; Economia e Um Cenário para Terceira Guerra”,  Gelio Fregapani vai apresentando fatos e comentários que nos surpreendem. É como se fosse acendida uma Luz; uma grande janela sendo aberta, a pleno Sol…

 Como que não havíamos, ainda, percebido determinadas coisas? Também estamos, de certa forma, “zumbizados”?

 Apreciaria muito conhecer seu comentário…

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alternância de Poder. Até quando teremos desrespeito com a Coisa Pública?

Em nossa empresa, quando substituímos algum fornecedor de serviços, escolhido de acordo com os critérios formais estabelecidos, é porque buscamos a continuidade e o seguimento de boas práticas.
Acreditamos que as informações vitais que foram do conhecimento do nosso antigo prestador de serviços serão repassadas, normal e formalmente, ao novo prestador de serviços.
Ao menos é assim que funciona nos serviços de Auditoria Independente!
É uma prática usual do mercado, entre empresas de Auditoria, o repasse de informações importantes sobre a empresa auditada. Que pena que isso não ocorre em todas as áreas e atividades!!! Fiquei surpreendido, novamente, com as notícias divulgadas neste início de ano, após a posse de novos prefeitos. Há relatos espantosos, apresentando fatos criminosos, tais como: Prefeitura com Luz, Água e Telefone, cortados por falta de pagamento; Programas de Computador deletados; Coleta de lixo suspensa, visto que o contrato com a rpestadora havia vencido em Dezembro de 2008, sem ter sido renovado; Dívidas, cheques devolvidos; Uso da conta bancária da Prefeitura pelo Ex-Prefeito, sem que o Banco tenha mudado a conta para o nome e a assinatura do novo Prefeito; dentre tantas outras... É um absurdo enorme, inaceitável. E ainda vemos e ouvimos que vivemos num país democrático em pleno estado de direito. Só se for nas ondas do rádio e nas páginas dos jornais. Na vida a coisa é bem diferente, pelo que se pode observar. Os políticos continuam com atitudes mesquinhas, sem atender qualquer responsabilidade com o bem público e cidadãos. Pior: contam com a falta de ação do Judiciário, que lhes garante "o regalo do mal feito" contra seus desafetos políticos. Quanto ao povo... bem, o povo será lembrado na próxima campanha quando, num passe de mágica tudo será esquecido e novos embates serão travados. E eu que achava que isso tudo já tinha ficado para trás, no Século passado... De que adianta tanta propaganda se os direitos mínimos de qualquer um de nós não é respeitado? Quando teremos - de fato - em exercício um governo que faça sua gestão para o bem público e dos cidadãos? Quando teremos Prefeitos com programas claros sobre as principais linhas de seu governo, e que esta tenha sido a principal razão de sua vitória perante aos demais? Quando teremos eleitores com vocação para cidadãos? Sei não... acho mais fácil galinhas começarem a ter dentes...