- Prof. Oriovisto Guimarães (PODE)
- Major Olímpio (PSL)
Imagem do Blog: http://www.ambientelegal.com.br/a-ditadura-da-caneta/#comment-110070
O ano: 1988.
Aprovada a nova Constituição Federal do Brasil. A Constituição Cidadã, nas palavras de Ulisses Guimarães…
Era um texto logno, que buscava reunir todas as possibilidades de ocorrências na vida das pessoas, das instituições e do país. Criava-se, ali, o verdadeiro “ovo da serpente”…
Em 2006 concluí o MBP de Gestão e Contabilidade Pública. Foi com grande surpresa e decepção que pude perceber que as várias leis, decretos e demais normas aplicáveis à atividade pública são conflitantes. É impossível seguir-se plenamente a todas as leis e regulamentos em vigor.
Com base nessa constatação, além de observar que, por mais abusrdo que possa parecer, há tribunais de contas (estaduais) que legislam por sua conta, em vez de seguir o que determina a Lei e demais ordenamentos legais que regulamente a Contabilidade e Gestão Pública. Com base nessa constatação, criei a seguinte frase:
O Relatório do Tribunal de Contas pode ser de aprovação ou não das contas apresentadas. Exemplos:
Falta clareza e – principalmente – uma séria e completa revisão dos textos de leis dúbias. Alie-se a essa balburdia legislativa a rapinagem que floreceu, e cresceu assustadoramente, na política que influencia diretamente os serviços públicos. Para ser contratado o licitnte tem de concordar em repassar parte do valor do contrato para “o caixa do partido”.
O texto A DITADURA DA CANETA demonstra de forma brilhante o que ocorre nesses meandros administrativos com sérias influencias jurídicas.
“O resultado da ideia, executada com as melhores intenções, foi tão eficaz quanto desastroso.”
A conclusão a qual chegamos é aquela que já ouvimos em nossa infância e adolescência: “De boas intenções o Inferno está cheio.”
É com essa desconcertante constatação que vemos que o grande responsável pelas mazelas que estamos vivendo, não são os maus, os bandidos, os corruptos ou corruptores. Os responsáveis são os idealistas que, acreditando que estão produzindo o bem geram a “semente do mal”, que germina, cria raiz e sufoca qualquer outra planta que quiser germinar…
Uma outra frase que nos cansamos de ouvir: “É do couro que sai a correia.”, demonstra que para seguirmos adiante no desenvolvimento econômico (que inclui o social e o ambiental, sem dúvida) temos de conhecer melhor o que move o ser humano; e segurar os impetuosos idealistas, sejam de que lado forem pois, nesse setor, esquerda, direita, centro ou qualquer outra posição são impressionantemente iguais…
Creio que sempre é importante lembrar que a sociedade é formada por pessoas que foram educadas a serem “boazinhas”. Também costumo dizer que aquele que é “Bonzinho” irá queimar no fogo mais quente do Inferno durante toda a eternidade e mais um dia! Nenhum de nós está aqui para ser bonzinho. Estamos todos na busca de sermos MELHORES…
É por isso que não vemos mudanças na política deste país. E pode ir buscar nas atitudes dos governantes desde a época do Império. Sempre foram feitas as mesmas coisas; sempre foram aplauidos os mesmos “bonzinhos” que fizeram coisas achando que iriam melhorar a vida dos outros…
Somos um verdadeiro desastre político!
“Já no governo de Castelo Branco, a preocupação com o ensino é elevada a categoria de prioridade. Começa, neste governo, um longo processo de transformação do campo educacional representado pelos acordos MEC-Usaid, cobrindo todo o espectro da educação nacional (ensino primário, médio e superior), com treinamento de professores e com a produção e veiculação de livros didáticos. Estas mudanças, como mais adiante veremos, iriam redundar em uma verdadeira desnacionalização da educação brasileira.É no bojo deste processo que o governo promove a Primeira Conferência Brasileira de Educação, em março de 1965. No discurso de abertura, o presidente Castelo Branco salientou que o governo tem recebido “aplausos por estar repondo a ordem no sistema educacional” (Branco, 1965, p.112). Isto mostrava que o projeto posto em prática atingia seus objetivos de legitimação de um regime político reformulado.”Trecho do artigo da Revista Itinerários Reflectionis: Autoritarismo e Educação no Brasil
Nestes últimos anos nos acostumamos a falar mal de praticamente tudo. Nada escapa ao nosso senso de criticidade... Com as mídias sociais, então, tudo ficou mais fácil; basta um clicar de ‘mouse’ para que estampemos a nossa opinião do momento.
Sim! Nossas opiniões são muito volúveis. Mudamos de lado como se fossemos meros torcedores dos times que não estão jogando e, por isso, tanto faz torcermos por este ou por aquele. Nada nos importa. Muito menos qualquer ação positiva para que possamos sair da condição de meros espectadores para a condição de atores ou, quem sabe, diretores do espetáculo que se descortina a todos.
Só que nossa participação, além de efêmera, é frívola; sem qualquer comprometimento com qualquer coisa. O máximo que aceitamos é um envolvimento desapaixonado ou – se apaixonado – com alternâncias de lado.
Estamos – cada vez mais – nos acostumando a essa forma de “participação social”; sem que nos comprometamos a nada vamos alimentando o fogo de todos os lados; de qualquer lado. Não temos ideologia; chegamos a criticar quem a tenha... Ou criticamos pessoas por lhes faltar um ideal; especialmente daquelas que se dedicam a determinadas campanhas ou simplesmente expressam suas opiniões.
Por onde será que anda a “Senhora Coerência”? Provavelmente, assim como o “Bom Senso”; a “Educação” e a “Ética”, estejam perdidas no fundo de algum baú, empoeiradas e sem brilho, por falta de uso.
Quero falar de coisas boas! Coisas que estão acontecendo em vários pontos deste país; com pessoas dedicando-se a fazer o bem, ajudando aos que carecem de apoio, de orientação ou, mesmo, de um pequeno lume de esperança.
É impressionante! Mesmo num momento de tanto caos e colapsos há muito anunciados, vemos uma revolução intestina ocorrendo em vários lugares e setores da nossa vida.
Só que o caos e o colapso causam muito mais impactos na sociedade em função da potencialização que ganham pela mídia! Nada mais interessante para os “donos da notícia”; dá um bom retorno financeiro àqueles que a financiam e que vivem das más notícias, do espraiar de medos, das opiniões dúbias sobre fatos ocorridos, etc.. Quando olhamos as manchetes dos jornais, telejornais, revistas ou rádios, somos conduzidos ao ponto onde parece não haver a menor chance de salvação. Sentimo-nos atemorizados, pequenos, desesperançados...
Notícias sobre violências sem causa, geradas sem qualquer razão, que des
troem, causam pânico e atrapalham a vida de todos nós. Sobre a insensibilidade (ou seria mais adequado usarmos outros adjetivos, mais duros e verdadeiros) das autoridades constituídas que parecem omissas diante de tudo o que se vê.
O colapso hídrico que ameaça várias cidades, bem como os constantes “apagões” ou as greves, sempre inoportunas à população, como a dos garis da cidade do Rio de Janeiro, que além de “emporcalhar” as vias públicas é uma séria ameaça de surtos epidêmicos pelo nosso clima tropical, ainda que de chuvas incertas.
A destruição dos valores básicos da família, que representa (ou será que, nesta altura dos acontecimentos, já representou?) o esteio da sociedade; criando novos pontos de violência pela segregação que promove (ricos x pobres; brancos x negros; heterossexuais x homossexuais; etc.), com base num suposto novo código de “direitos humanos”. Além de não valorizar os verdadeiros valores promove uma inquietude nos grupos de pessoas que, sem qualquer outra razão, passam a discriminar e/ou a sentirem-se discriminados.
Os governantes, indistintamente e sem qualquer pecha partidária, tratam a população como idiotas. Somos criança
s fáceis de lograr (idiotas mansos) nas mãos do Governo que dispõe como quer (e se quiser) dos nossos direitos. O custo Brasil foi além do que qualquer analista poderia imaginar. Nos tratados de economia a corda já teria “rebentada” há muito tempo. Por bem ou por mal...
A arrecadação cresceu em relação ao PIB de forma acentuada. Saiu dos 24% no início dos anos 90 para além dos 37% em 2013. Imaginem que estamos falando de um percentual aplicado ao PIB, que cresce a cada ano. O volume de dinheiro retirado da economia produtiva é muito significativo, portanto.
A explicação mais razoável para o fantástico aumento de arrecadação tributária e o mínimo de devolução de benefícios aos cidadãos é atribuído ao mau uso do dinheiro público, aos desvios e os crimes organizados para saquear as verbas públicas. Como são feitos por organizações poderosas, às vezes mais poderosas que o próprio governo, a chamado crime de colarinho branco vai colocando suas patas em todas as possibilidades de recursos existentes. São exímios criadores de projetos que nunca dão em nada. Pontes, estradas e viadutos que ligam “o nada a coisa nenhuma”.
O crescimento desse crime extremamente organizado causa, além do empobrecimento do país, com seu atraso em todas as áreas a morte pelo descaso com a saúde, com a segurança, com a educação, com a infraestrutura, etc.. Já faz muito tempo que – além das obras emergenciais para a copa – não vemos qualquer obra significativa (e útil) na área de infraestrutura. Para os aeroportos e portos o governo, ainda que tardiamente, reconheceu sua incompetência e resolveu licitar empresas para que façam as construções necessárias. Claro que essas obras terão, muito provavelmente, seus buracos para a lavagem de dinheiro. Muito dinheiro...
O texto está se alongando e eu ainda não falei nada sobre as boas coisas...
Tomara que deixem que essas pessoas que estão construindo o nosso novo país, melhorando a educação de nossas crianças, dando amparo às famílias (tudo sem qualquer ajuda de governos ou entidades públicas: federais estaduais ou municipais),
continuem a trabalhar sem se importar com os desmandos e a falta de ética de nossos atuais líderes públicos. Que as crianças consigam sobreviver (e continuar com sua inteligência divina) apesar do caos que estamos presenciando.
Tudo tem um fim. Mesmo um mal tão grande como este que se abate sobre nós nos últimos 30 anos.
As comunidades em Rede vencerão!!!
A decisão do STF sobre a questão da terceirização da saúde demonstra duas questões relevantes:
A primeira é que a área de saúde vem sendo tratada de forma muito displicente pelos administradores públicos.
A segunda é que o STF não conhece ou não vive no Brasil; ou ainda não sabe como é que a Saúde realmente funciona (ou não funciona, como temos visto).
Sempre que vejo uma decisão judicial fico imaginando o tempo despendido por grandes pensadores de nossa sociedade e da sociedade em geral. Que tomam suas decisões para que todas as coisas da sociedade, suas carências, suas necessidades e a racionalização de seus recursos, estejam melhor utilizadas pelo cidadão e todos os demais que vivem neste país.
Fico em dúvida, entretanto, quando vejo que decidiu pela impossibilidade de terceirização "dos cargos inerentes aos serviços de saúde, prestados dentro de órgãos públicos, por ter a característica de permanência e de caráter previsível, devem ser atribuídos a servidores admitidos por concurso público", conforme requereu o Sindicato dos Médicos (provavelmente do Rio de Janeiro), no Governo Cesar Maia.
Também entendo que todos os serviços prestados pelo município devam ser realizados por funcionários públicos, devidamente habilitados e credenciados para prestarem adequadamente o que lhes é requerido pela população em geral.
Só que a realidade brasileira – especialmente no que se refere a questão de contratação de profissionais de saúde – está muito distante daquilo que seria da essencialidade da atividade pública: prover todas as condições de boa saúde às pessoas.
A forma adotada atualmente, pela grande maioria de municípios brasileiros, é a de valer-se de “Organizações Sociais” para suprir suas necessidades.
Isso não significa que o médico que trabalha nessas organizações ganhe mais do que aquele que seria contratado pelo município. Em ambos os salários oferecidos estão muito aquém do que seria razoável. Só que ao trabalharem para as organizações eles podem acumular outros empregos, duplicando a renda e dando um péssimo atendimento a todos os usuários de seus serviços…
Outra questão que tem perpetuado essa forma de contratação de profissionais é a maior facilidade de corrupção existente. Será que alguém dúvida disso?
Gostaria de conhecer a posição do Conselho Regional de Medicina sobre essa questão. Ficam omissos, como se não fosse de seu interesse o zelo pelo profissional que depende desse registro para prestar seu serviço.
Todos os responsáveis nessa questão ficam omissos, fazendo “cara de paisagem”, mostrando até, surpresa com o que vem acontecendo no serviço público de saúde.
O mais interessante é que a questão saúde é “um prato cheio” para todos os candidatos aos cargos de prefeito. Suas soluções são mágicas…
Soube hoje de que há candidato “diz que vai criar um HOSPITAL VETERINÁRIO PARA AS PESSOAS QUE NÃO PODEM PAGAR...”
Confesso que chego a duvidar quem é que é, de fato, mais despreparado…
Sobre mais detalhes da notícia do STF basta clicar aqui.
Há esperança!
Sempre há esperança. Graças a Deus!
E ela é baseada numa questão simples e objetiva!
Se considerarmos que cerca de 90% das pessoas que vão aos médicos são sadias; precisando muito mais de alguém com quem possam conversar e se orientar para seus problemas íntimos, seria válido começarmos a pensar em resolver a questão de saúde, de todos os municípios brasileiros, principiando pelas seguintes ações:
Pensem nisso senhores candidatos…
Nos últimos dias fomos surpreendidos por notícias que podem ser classificadas como FANTÁSTICAS!
Uma foi a infeliz manobra realizada pelo capitão Francesco Schettino, do transatlântico “Costa Concórdia” que naufragou na ilha italiana de Giglio, causando a morte (até agora) de 16 pessoas, além do grave risco ambiental pela contaminação que seus tanques, com 2.400 toneladas de combustível, ameaça fazer...
Por mais que se faça investigação e entrevistas com as pessoas que se encontravam à bordo do navio, seu capitão e tripulação será muito difícil de entendermos as razões que levaram a realizar tamanha asneira...
Outro desastre moral esta ocorrendo, nesta semana, na cidade de São José dos Campos, na comunidade do Pinheirinho, numa ação da justiça de São Paulo que determinou à Polícia Militar a desocupação da área de forma truculenta.
O anúncio desse naufrágio vem sendo anunciado desde 2004. Isso mesmo! A tal invasão ocorreu em 2004!!! E até o final de 2011 ainda não havia sido tomada qualquer decisão sobre a realidade que estamos vivendo neste momento.
Falta de seriedade política, em qualquer um dos níveis de governo (municipal, estadual e federal). Jogaram com a esperança do povo e usam de suas vidas, e parcas posses (muito provavelmente) para fazerem sua ‘campanha política’ e reivindicações popularescas, que só fazem inchar o bolso de alguns empresários e alguns políticos.
É uma manipulação grotesca! Descabida sob qualquer ângulo que se busque analisar...
Claro! Há o chamado “Estado de Direito” que, supostamente oferece garantias aos proprietários de áreas de terra. A decisão da Justiça de São Paulo buscou restaurar e garantir esse direito.
O Governador perde muitos pontos de sua tímida popularidade, já que não soube (ou não quis) conduzir esse processo de forma mais adequada a todos. Aliás, todos os prefeitos que passaram pela cidade de São José dos Campos, todos os governadores que passaram pelo Estado de São Paulo e todos os presidentes que passaram pelo Brasil nesse período de 2004 até hoje, deveriam ser chamados à responsabilidade; ou se declararem numa das possíveis condições: corruptos ou negligentes ou incompetentes.
Há um grave desrespeito aos moradores daquela comunidade, bem como dos policiais da Polícia Militar. Eles serviram, apenas, de massa de manobra; “bucha de canhão”, meros instrumentos usados para satisfazer a sanha de uns políticos.
Infelizmente a mídia também tem se aproveitado desses “naufrágios morais” para dar seu ‘pitaco’ sem que se realize, de fato, um trabalho jornalístico necessário para esclarecimento de todos.
O vídeo abaixo foi feito por uma equipe do “Causa Operária TV”, o qual mesmo com as considerações políticas existentes deve proporcionar uma boa avaliação do que passou essas pessoas nestes dias.
Na Rede Globo a repórter informa que das 2.800 pessoas cadastradas (será que era só isso?) cerca de 760 encontram-se em abrigos. Os demais, possivelmente, estão em casas de familiares e amigos. As promessas dos governantes, como sempre, têm apenas o soar eleitoreiro que findará imediatamente após passado o período eleitoral.
Apenas um detalhe: o transatlântico que naufragou na costa italiana, levava cerca de 4.200 pessoas...
POLÍTICOS QUEREM MUDAR A INTERNET ANTES QUE ELA MUDE A POLÍTICA - PETIÇÃO CONTRA O PL84/99
Discurso do deputado Elvino Bhon Gass
http://www.youtube.com/watch?v=dCMuQYM7jRo&feature=player_embedded
Transcrição do discurso:
Senhor presidente, senhoras deputadas e senhores deputados e povo do RS!
Hoje ocupo este espaço para deixar um convite a senhoras deputadas e aos senhores deputados, aos movimentos sociais, as entidades, as organizações e a toda a comunidade do Rio Grande. Convidamos a todos os que realmente defendem e acreditam na liberdade da Internet, que é mais do que uma rede mundial de computadores, é uma rede de pessoas. Estamos convocando a todos para participarem, no dia 25 de maio, às 14 horas, do Ato Contra a ditadura na Internet, o AI-5 Digital que acontecerá no 4º andar na sala Maurício Cardoso da Assembléia Legislativa do RS.
O movimento que estou compondo é contrário ao projeto de lei nº 84/99, do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), já aprovado no Senado Federal e que agora está para ser aprovado também pela Câmara dos Deputados. Entre outras barbaridades, este projeto criminaliza com muita rigidez o livre uso da Internet que é o meio de comunicação mais democrático já criado pela humanidade. O projeto também abre possibilidades para impedir o direito de uso justo e sem fins lucrativos de obras protegidas pela propriedade intelectual, garantido no artigo 184, parágrafo quarto do Código Penal, e exige que quaisquer provedores de acesso a Internet vigiem todos os dados transmitidos na rede e denunciem suspeitos de praticar crimes, ferindo de morte o direito à privacidade na rede.
Eu e muitos companheiros e companheiras deputados estaduais e federais do Rio Grande do Sul e de São Paulo resolvemos nos unir a entidades representativas da sociedade civil neste ato do dia 25 de maio para clamar pela não aprovação deste projeto, que pode ser votado a qualquer momento no plenário da Câmara Federal, sem um amplo debate com a sociedade brasileira para a construção de uma lei dos direitos civis na Internet.
É preciso compreender que estamos vivendo um momento histórico com profundas mudanças democráticas em nossa sociedade, mudanças estas que estão sendo influenciadas pela Internet. A troca de conhecimentos que a rede permite, cria inúmeras novas possibilidades políticas, sociais, culturais e econômicas, e isso tem se traduzido em avanços nos processos de produção, que estão mais coletivos e mais criativos.
A Internet em si, já é o mais importante avanço tecnológico de nossa sociedade, ela remodifica paradigmas sociais. Reafirmo: não estamos falando apenas de uma rede de computadores, mas de uma rede de pessoas. E esta rede foi desenvolvida com interatividade e colaboração. E ainda é, em muitos aspectos, um sistema de comunicação democrático, diversificado e plural.
Por isso, entendo que: “não é possível democratizar o Brasil sem democratizar a forma de produzir conteúdos e a comunicação.” E questiono às Senhoras e Senhores: Por que, há tanta pressa em controlar a Internet quando estamos em vias de iniciar o processo de conferências de comunicação decretado pelo Presidente Lula? Por que, antes do projeto, não discutimos este tema nas conferências da comunicação?Simplesmente porque todas essas transformações possuem implicações na ação política. Os meios de comunicação tradicionais de massa são centralizados e pouco interativos, e por isso, não possuem o nível de poder que possuíam 10 anos atrás. Hoje a Internet mudou a realidade da comunicação mundial, e por essa razão, querem tornar crime a troca dos conhecimentos que ela propicia. É isso que querem os bancos, as gravadoras e os meios de comunicações tradicionais que estão a serviço da indústria cultural.
É para reagir a esta tentativa de golpe que surge o movimento pela liberdade na comunicação, para construir novas sínteses, desenvolver estratégias de ação política que tragam a unidade na diversidade, fomentar praticas participativas, descobrir novos horizontes e possibilidades de luta social.
Somos contra a ditadura na Internet porque queremos contribuir para a oxigenação dos movimentos sociais mais antigos e interagir com a juventude criadora dos novos processos que estão emergindo nos diferentes espaços de contestação da ordem capitalista estabelecida.
Esta luta passa também pela crise mundial que vivemos agora, que mais uma vez repete-se, pela extrema valorização do mercado competitivo onde tudo é uma mercadoria a ser vendida para dar lucros. Esta crise é a da disputa do conhecimento público e livre versus o conhecimento privado. É a disputa do software livre versus o proprietário, é a luta das sementes livres versus as transgênicas que prejudicam o meio ambiente e ameaçam a nossa biodiversidade. É também, a luta da comunicação comunitária/pública versus a comercial, a propriedade intelectual que transforma tudo em mercadoria a ser vendida e a fazer lucrarem as pessoas de sempre.
Entendemos, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, que a Internet é uma rede de comunicação aberta e livre, onde podem – e devem - ser criados conteúdos, formatos e tecnologias sem a necessidade de autorização - nem de governos, nem de corporações. E é exatamente por ter democratizado o acesso às informações e assegurado práticas colaborativas importantíssimas para a diversidade cultural, que nós defendemos que a rede mundial de comunicação seja imune a qualquer tentativa de cerceamento e vigilantismo.
Precisamos ter em mente que a Internet reduziu as barreiras de entrada para que nos comuniquemos com liberdade e para que sejamos capazes de disseminar mensagens e difundir conhecimento.
Defendemos também uma legislação que tipifique e estabeleça punições para crimes praticados pela Internet. É importante ressalvar que este projeto não tem qualquer relação com o combate à pedofilia, já que o Congresso Nacional já aprovou legislação neste sentido.
Queremos sim uma legislação que garanta a segurança do usuário contra estes crimes, mas rejeitamos a ampliação da vigilância do Estado. E é isso que queremos debater democraticamente nas conferências de comunicação. Rejeitamos a banalização da quebra do sigilo das comunicações porque a ampliação da vigilância pelo Estado resulta na bisbilhotagem, na espionagem e em outras formas de invasão da privacidade.
Convocamos a todas e todos que defendem a regulamentação da Internet, mas para combater criminosos e não para retirar a privacidade dos usuários e das usuárias da rede.
Aquelas e aqueles que entendem que a liberdade é um direito humano estarão conosco.
Deputado Elvino Bohn Gass - PT - RS
Sempre que é anunciado um jogo da Seleção Brasileira de Futebol, especialmente de Domingo, há festa na maioria das casas.
O brasileiro gosta de futebol! Especialmente quando tem a oportunidade de assistir junto com amigos para ‘comemorar juntos’ tudo o que puderem partilhar: comida, bebida, alegrias e tristezas…
Pão e circo! Nada mais eficaz para manter todos os problemas verdadeiros em baixo do tapete. Tá na hora de começarmos a sentir vergonha…
A derrota da seleção e a verdadeira vergonha
Vinícius André Dias
- Há exatamente 40 anos, Pelé disputava sua última partida com a camisa da seleção brasileira. Esse fez falta ontem.
Eu também torci pela seleção de futebol da CBF. Eu também me irritei com os quatro pênaltis perdidos. Eu também fiquei sentido com a desclassificação. Mas tudo isso durou o tempo da partida – no máximo uma hora a mais, enquanto eu revia os lances num programa esportivo. Em seguida, passou. Como passa a decepção depois de uma péssima sessão de cinema. Como some o desapontamento depois de um show abaixo da crítica. Espetáculos, entretenimento, com algumas lições para a vida, se calhar, mas nada que justifique uma noite mal dormida.
Num país que segue o futebol como se fosse uma religião e que santifica (ou demoniza, dependendo da rodada) os atletas, sei que é difícil pensar assim – eu mesmo já sofri muito com a seleção e com o “meu” Botafogo. Mas penso que assistir a uma derrota do “time de coração” deveria ser tão frustrante quanto assistir a um filme ruim do diretor favorito ou a uma música desafinada do cantor preferido. Quando isso acontece, ninguém sai quebrando o cinema, pedindo a cabeça do diretor ou dos atores. Ninguém fica chorando de raiva pela decepção musical, gritando ao cantor: “você deveria honrar a MPB, seu safado”! Seria uma cena ridícula – tão ridícula quanto as choradeiras e quebradeiras que costumam seguir os jogos de futebol.
Nessas ocasiões de derrota nos campos, também sempre surge o papo de que “os jogadores ganham demais”, “só querem saber de dinheiro”... Concordo com o argumento de que os enormes ganhos financeiros por parte de jogadores de futebol revelam certa inversão de valores, quando comparados aos salários de professores, médicos da saúde pública, policiais e tantos outros profissionais fundamentais ao bom funcionamento da sociedade. Mas o mesmo pode ser dito dos ganhos astronômicos de certas estrelas da música, do cinema, da televisão... De novo: depois de um filme ruim, ninguém sai chamando o ator de mercenário, ninguém o acusa de “ganhar muito”, de “só querer saber de dinheiro” e descuidar da atuação. Não é a mesma coisa? É! Nós é que nos apaixonamos pela coisa errada: o futebol, como conhecemos hoje, é uma atividade de entretenimento, privada! Até mesmo a "seleção brasileira" é particular! E os jogadores são atores do espetáculo, que ganham dinheiro conforme o lucro que geram – como estrelas de cinema ou cantores de sucesso, ou nós mesmos, se pensarmos bem.
Recentemente, assisti a uma entrevista feita pelo Luciano Huck com o Daniel Alves, lateral-direito da seleção e do Barcelona. Ao responder a uma pergunta do Luciano Huck sobre a pressão que sentia antes de um jogo como a final da Liga dos Campeões da Europa, torneio de clubes mais importante do mundo, Daniel Alves respondeu algo como: “pressão eu sentia quando plantava cebola e não sabia se teria o que comer no final do dia. Jogador de futebol, sentir pressão? Agora é tranquilo”. A resposta é sincera e revela duas coisas. Primeiro: enquanto alguns torcedores passam uma semana chorando por conta de uma derrota (e até deixam de se importar com problemas reais, míopes em relação à importância das coisas), os grandes jogadores até podem ficar chateados, mas em seguida entram nos seus carrões, vão para suas mansões e passam a pensar no próximo show. Segundo: geralmente, os jogadores merecem o sucesso. O Daniel Alves passou fome no árido e pobre interior da Bahia, plantou cebola e batalhou muito, suou a camisa para vencer na vida. Hoje é um dos grandes atores de um dos principais espetáculos da Terra, que movimenta bilhões. Ele não merece ganhar o que ganha? Se há muita gente que paga para assisti-lo, que compra suas camisas, é claro que merece!
A gente quer se revoltar contra a riqueza alheia? Pois que nos revoltemos contra quem fez fortuna indevidamente, sem trabalhar, desviando dinheiro público – inclusive no futebol. Que nos revoltemos contra os maus políticos! Esses merecem o nosso repúdio, a nossa revolta, os nossos cartazes, as nossas vaias!
Vergonha
Logo após a partida em que a seleção foi desclassificada da Copa América pelo Paraguai, o Twitter foi inundado de comentários sobre #vergonhabrasil. Eu mesmo postei um. Mas depois fiquei pensando: #vergonhabrasil? Por causa de futebol? Por perder um jogo para o Paraguai? A gente deveria sentir vergonha por não conseguir acabar com o tráfico de drogas e armas na fronteira com o Paraguai... A gente deveria sentir vergonha dos grandes problemas brasileiros: educação abaixo da média, saúde em estado terminal, falta de segurança, infraestrutura desestruturada, corrupção... A gente deveria sentir vergonha da nuvem de roubalheira que parece estar se formando no horizonte dos grandes eventos esportivos no Brasil... A gente deveria sentir vergonha de nós mesmos, por termos eleito para representar nossos interesses mais fundamentais pessoas de quem se desconfiaria até na administração das moedinhas de troco... A gente deveria sentir vergonha por não fazer nada a respeito... A gente deveria sentir vergonha por sofrer mais com o futebol do que com a nossa miséria... #vergonhabrasil!
… com tanta clareza não é necessário colocar mais nenhuma frase ou palavra…
Nobreza civilizada, só um disfarce para vil barbárie
José Nêumanne - Jornalista, escritor e editorialista do Jornal da Tarde
(Publicado na página A2 do Estado de S. Paulo de quarta-feira 11 de maio de 2011
Neste País, em que todos são iguais, os políticos se dão o direito de enfiar a mão no bolso de todos
O Brasil não é um país só, mas muitos. E opostos! Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) fez as vezes do Congresso Nacional e legitimou a união afetiva entre pessoas do mesmo sexo. Muito além do respeito à opção sexual, o acórdão foi ao âmago do pleno exercício da democracia, ao estabelecer o primado do livre-arbítrio no sexo e na família. Com isso consagrou numa questão profana um conceito sagrado: a igualdade de todos perante a lei. Durante pelo menos um fim de semana a Nação foi autorizada a se considerar civilizada, com irrestrito respeito à liberdade individual.
Mas já na semana posterior à jurisprudência histórica os leitores deste jornal caíram na real desses contrastes ao terem notícia de decisão diametralmente oposta. O Partido dos Trabalhadores (PT), que venceu a eleição presidencial pela terceira vez consecutiva, e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), a principal agremiação de uma oposição meio de fancaria, uniram-se para enfiar a mão no bolso do contribuinte e zerar suas dívidas de campanha arrombando o mealheiro da viúva. Numa manobra de matar de inveja e vergonha os coronéis de antanho, os autodenominados representantes da classe operária e os proprietários locais da sigla que instalou o Estado do bem-estar social na Europa aumentaram em R$ 100 milhões os repasses da União para o Fundo Partidário com o objetivo de calafetar rombos de R$ 16 milhões nos cofres da legenda governista vencedora e R$ 11,4 milhões dos tucanos derrotados. Ao não vetar a gatunagem solidária, aprovada por unanimidade na Comissão Mista de Orçamento da Câmara e que nem chegou a ser debatida em plenário, a presidente Dilma Rousseff acumpliciou-se aos parlamentares, associando-se à arbitrária causa própria de companheiros e adversários, que instituíram o “financiamento público”das campanhas de forma sorrateira, clandestina e abusada, como bem definiu o diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Aldo Fornazieri.
E na mesma página em que noticiou essa maroteira sórdida (a A4 de segunda 9/5), o Estado registrou um símbolo do convívio entre a nobreza de princípios e a vileza de atividades, ao noticiar a solenidade em que o Ministério da Defesa condecorou o petista José Genoino no Dia da Vitória.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, civil na chefia de uma pasta que reúne sob suas ordens os comandantes das três Forças Armadas, deu uma demonstração pública do respeito de seus subordinados fardados à hierarquia do Estado Democrático de Direito, na homenagem a um ex-combatente. José Genoino nada tem que ver com a campanha da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália: nasceu em Quixeramobim (CE) em 1946, um ano depois de a 2.ª Guerra Mundial haver terminado. E “vitória” não é termo que possa ser usado para definir seu destino de militante: os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que quiseram instituir a “ditadura do proletariado” sublevando camponeses do Araguaia, ele entre eles, foram dizimados pelo Exército.
De qualquer maneira, digamos que sua presença entre os condecorados pudesse representar o triunfo da tolerância sobre o temor, até por ter ocorrido neste ano em que as comemorações de aniversário do golpe militar de 1964 saíram dos quartéis e se abrigaram nos clubes militares. Há, contudo, lama na medalha que o chefe lhe pendurou no peito. Não consta do noticiário a respeito da solenidade nada que justifique funcionalmente a honraria. Nada que Genoino pudesse ter feito a favor da defesa nacional nestes dias em que está pendurado num cabide de emprego justifica a decisão de Nelson Jobim de escolhê-lo como signo de paz e democracia e prova de que o Brasil não quer retaliar o passado. Sua inclusão entre os 284 homenageados é um coice de mula na Justiça, que o pôs na condição de réu num clamoroso escândalo de corrupção chamado de “mensalão”.
Nada, a não ser servilismo, naturalmente. Estranho no ninho do governo petista, o bacharel que adora envergar uniformes militares de camuflagem está sempre disponível para se alistar no “cordão dos puxa-sacos”, que, segundo o refrão da canção usada por Sílvio Santos em seus programas de auditório, “cada vez aumenta mais”. E não falta a Sua Excelência experiência no ramo. Para servir ao chefe Ulysses Guimarães, emendou o texto da Constituição sem consultar os pares – conforme ele próprio viria a confessar depois. Agora foi a vez de inverter a hierarquia, e o chefe bajulou o subordinado sem sequer ter esperado que este fosse absolvido pela última instância do Judiciário.
Ao condecorar um réu, Sua Excelência mostrou que se foi o tempo dos dois Brasis – o real e o oficial – de Machado de Assis. Há agora muitos Brasis e neles o vilão do Judiciário, rejeitado pelo eleitorado para voltar ao Legislativo, é tratado como herói de guerra pelo Executivo que o emprega. O PT, em que Genoino milita e que Jobim bajula, tem também seu universo à parte. Recentemente “reabilitou” – como fazia Josef Stalin com os camaradas que ousavam dissentir, mas depois se arrependiam contritos, ajoelhados aos pés do chefão – o ex-tesoureiro Delúbio Soares, burocrata insignificante, mas réu importante no mesmo famigerado processo. A respeito da volta do tesoureiro, acusado que nunca foi julgado nem condenado, o secretário-geral da Presidência e porta-voz oficioso do ex-chefe Lula, Gilberto Carvalho, produziu mais uma pérola do cinismo que os petistas aprimoraram neste seu período de donos do poder republicano. “Se ele voltar a errar, o partido, da mesma forma que o recebeu de volta, vai ter que puni-lo de novo”, previu o burocrata, com aquele jeitão pio de ser.
Os Brasis truculentos, que tratam ética e lógica como trastes inúteis, esmagam o outro, que insiste em ficar ereto e garantir a igualdade de todos perante a lei, tornando-o assim o que querem que seja: um nobre disfarce.