domingo, 20 de maio de 2012

A falta de inteligência na área da agricultura (também…)

Há discussões que se transformam em verdadeira “Paixão Nacional”.
É assim que vejo, já há algum tempo, a questão da soja transgênica adotada por grande parte dos produtores brasileiros.
Sempre que fazia meus comentários, criticando essa “inovação” tecnológica recebia, como resposta, que usando esse tipo de semente o custo de produção iria cair – no custo direto do plantio e manutenção – e os ganhos iriam aumentar, por conta da maior produtividade prometida pelos técnicos que trabalhavam para a multinacional.
Com relação aos possíveis riscos de saúde – causados por um produto (soja) resistente ao herbicida, cujos efeitos aos que dele se alimentam podem ser inúmeros – a resposta era que já haviam muitas sementes transgênicas “e não seria esta que faria qualquer mal às pessoas…”
Vários jornais trazem, neste final de semana, uma opinião do Sr. César Borges de Souza,  presidente da Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados, na matéria: “Mitos Transgênicos”, trazendo informações sobre os diferenciais entre os custos de produção com as sementes transgênicas e as da chamada “soja livre”.
Os produtores não terem percebido essa elevação no custo ao longo de alguns anos de uso é bastante estranho. Afinal, os produtores são reconhecidamente pessoas bastante cuidadosas na hora de fazer suas mudanças.
O que mais é estranho que – na época E MESMO HOJE – NENHUM ÓRGÃO GOVERNAMENTAL fez qualquer avaliação mais criteriosa sobre esse tema. Somente um Governador levantou-se contra a “novidade” que estava sendo imposta…Foi vencido pelas inevitáveis (e estranhas) circunstâncias que envolvem casos dessa natureza.
Infelizmente a agricultura brasileira carece de uma política inteligente, que pudesse orientar com maior cuidado os produtores, inclusive fazendo as sugestões para o equilíbrio das safras, sem causar desvalorização dos preços de venda do produto.
Os governos que têm passado, em todas as esferas: federal, estadual e municipal, são em sua grande maioria: omissos, incompetentes ou simplesmente desonestos…
Que pena!
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E tudo isso sem falar dos seguintes problemas causados por esse tipo de cultura de plantio de soja em grande extensão, para “ajudar o país na exportação”, causando:
a) desertificação das áreas, pela massiva quantidade de adubos químicos colocados no solo durante muitos e muitos anos seguidos (basta observar o estado do Rio Grande do Sul, que vem  transformando grande parte de suas áreas em plantio em grandes desertos);
b) a enorme quantidade de água necessária para a produção do soja, que é exportado. Normalmente os grandes importadores estão na Europa, onde o grave estresse hídrico já é uma realidade;
c) promovendo o desenfreado desmatamento, tanto nas áreas do cerrado como das florestas da Amazônia. Infelizmente. no Sul e no Sudeste já não dá mais para falar, sequer, em preservação ambiental…
d) aumentando a quantidade de trabalhadores rurais sem terras para trabalhar, ou onde morar. A tecnificação da agricultura exige que o trabalhador rural esteja, cada vez mais, melhor capacitado para poder trabalhar. E a quantidade de postos de trabalho vem diminuindo cada dia mais;
e) na gravíssima situação criada, graças a um erro tributário, que faz com que o Brasil tenha se transformado num dos “maiores exportadores de emprego” do mundo.