segunda-feira, 9 de junho de 2008

"... o que dá voto é mata-burro..."

As notícias já revelam que os “gastos públicos dos Estados e Municípios dispararam”; cresceram 14,5% - em termos reais – em relação ao mesmo período de 2007 (quadrimestre). Esse aumento é observado na realização das despesas não financeiras.

É um ano eleitoral. O Voto para Prefeito deveria ser considerado por todos nós muito mais importante do que o voto para Presidente da República. Afinal o Prefeito é a autoridade com quem poderemos ter mais facilmente contato. Com o Presidente, com toda certeza, é muito mais improvável...

Sabemos que tudo o quê acontece no País, e no Mundo, ocorre dentro do limite de um Município, seja ele qual for, gostaria de saber por que damos tanta importância ao voto para o País; até mesmo para o Estado. Trata-se de espécies de ”Ficção Jurídica”.

Busquei saber um pouco onde é que os Prefeitos de algumas cidades estão gastando o dinheiro público. Como sempre, tenho andado por vários municípios. Desde São Paulo até a pequena cidade de Caldas de Santa Rita, ou mesmo do distrito de Pocinhos do Rio Verde... em todas essas cidades haverá um pleito para decidir sobre seu novo Prefeito e integrantes de sua câmara de vereadores. Na maioria delas senti muito baixa a vontade da população nessa obrigação “cívica”.

Até para instigar conversas, costumo fazer comentários sobre algumas das questões visíveis que necessitariam de uma ação do Prefeito ou de algum Vereador. Normalmente são questões antigas, graves e de solução razoavelmente “fácil”, já que dependem mais da “vontade política” do que qualquer outra coisa. As opiniões variam, claro, de acordo com as “torcidas” que são formadas em cada local.

Se a melhoria “for do interesse daquele eleitor perguntado” a ineficiência é de todos os políticos. Caso contrário, e sendo ele um “correligionário”, sua resposta tende a ser menos agressiva e ter, até, aparência de desculpa...

Uma das melhores respostas, entretanto, que consegui observar nessas andanças, veio de uma mocinha, atendente de um Hotel em um município com várias atrações potencias e que nunca teve serviço de guias turísticos para explorar essa atividade e trazer maiores benefícios ao município e seus moradores. A resposta foi a seguinte:

“O Prefeito não faz nada (organizando uma área municipal de turismo com infra-estrutura mínima para atender aos turistas que chegam à Cidade) porque Turista não vota! O que dá voto é mata-burro.”

“A dor é inevitável, mas o sofrimento, opcional”.

É um tempo de muita tecnologia colocada à nossa disposição. A velocidade com que foram criadas nestes últimos 20 anos é fantasticamente insuportável.

Ficamos sempre com o desejo de comprar o último modelo colocado no mercado para, imediatamente após retirá-lo da loja,  descobrirmos que há um novo modelo, que coloca, inclusive, outras opções que você nem sequer imaginava que poderia precisar...

O Luciano Pires é um de nós... também pena com as diversas armadilhas cotidianas. Especialmente aquelas decorrentes da falta de respeito ao nosso tempo. Seja mais um: Não se Conforme.

Como estou fazendo agora...

 

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SUICÍDIOS COTIDIANOS
Faz duas horas que estou apanhando do computador, tentando instalar uns programas. Recebi um DVD com a entrevista que dei ao Juca Kfouri e fui copiar. E então começou meu calvário. Tem que ter um programa pra copiar e outro para transformar a cópia num arquivo que eu possa manipular. E depois precisa de outro programa para editar o que foi copiado. Falei com um geninho nerd dos computadores e ele foi firme: é a coisa mais fácil! Me deu os nomes dos programas e lá fui eu. Duas horas apanhando. Um programa não conversa com o outro e o outro não se adapta ao um... Uma confusão sem tamanho! Mas é assim que é. Tenho que me resignar.
E lá se vão três horas apanhando do computador.
Aos domingos vou até a padaria comprar o lanchinho da noite. É o pãozinho aqui e os frios ali. Desde criança me fascina o processo de corte dos frios. O sujeito pega aquele pedação de presunto e bota naquela maquininha de fatiar e vai pegando fatia por fatia e colocando alinhadinha numa bandeja de papel. O que me fascina é apostar se ele vai adivinhar quantas fatias são necessárias para completar os 150 gramas que pedi. Quando ele pára e leva a bandeijinha para a balança é um momento de expectativa! Deu 153 gramas. Ou 147 gramas. Quase o peso exato que eu pedi!
Mas uma coisa me intriga desde criança: será que ninguém até hoje fez um cortador de frios com a balança acoplada? O cara iria cortando as fatias e cada uma que caísse já marcaria o peso. Não teria que adivinhar! Seria mais rápido. Mas que besteira, Luciano. Assim é que é. Tenho que me resignar.
E lá se foram quatro horas com o computador!
Nesta semana vivi a experiência de homologar minha saída do emprego. Primeiro no Ministério do Trabalho de Diadema. Fila. Depois na Caixa Econômica. Fila. Aí no Poupa Tempo. Fila. Caixa Econômica de novo. Fila. E de fila em fila foram-se pelo menos quatro dias e não resolvi todas as questões. Uma loucura. E cruzei com outras centenas de pessoas na mesma situação. No Brasil devem ser milhares ou milhões diariamente gastando tempo e energia nas filas para resolver processos que deveriam ser simples. E olha que o Poupa Tempo já simplifica! Mas é assim que é. Tenho que me resignar.
Cinco horas e o computador não ajuda.
Quanto tempo perdido. Tempo é vida. Quanta vida perdida...
Meu tempo é meu bem mais precioso. Cuido dele com zelo. Penso duas vezes antes de investi-lo. Não tenho tempo de sobra. Não tenho tempo pra perder. Por isso fico doente quando percebo que meu único, precioso e não renovável tempo está sendo desperdiçado por pequeninas coisas do cotidiano que, juntas, tornam-se o grande ladrão de vidas do cotidiano.
Mas quando reclamo, dizem que tenho que me conformar, que é assim mesmo, que todo mundo passa por isso, que tem gente em pior situação, que as coisas são mesmo complicadas, que isto aqui é o Brasil...
- Resigne-se, homem!
Bem, lá se vão seis horas. E agora me recomendam baixar a atualização do Windows. Meu dia se foi, enrolado com aquilo que o desgraçado do nerd disse que era a “coisa mais fácil”. Mas assim é que é, não é?
O escritor francês Honoré de Balzac disse que “a resignação é um suicídio cotidiano.” E a escritora estadunidense Bárbara Johnson parece completar: “A dor é inevitável, mas o sofrimento, opcional”.
Suicídios cotidianos. Opções.
Eu fiz a minha: optei por não me resignar.
Mas como dói...
Luciano Pires
www.lucianopires.com.br

Irregularidades na Prestação de Contas Públicas

Democracia é isso!

É termos transparência nas contas públicas e informações claras sobre o que está acontecendo com a Administração Pública.

Ainda que essa divulgação possa estar - de alguma forma - comprometida com alguma ideologia (contra ou a favor), não há como negar que ela cumpre com o seu papel informativo e democrático, disponível a todos (ainda que dependente de tecnologia ou um mínimo de recurso), e em tempo real.

Mais do que na hora de vermos todos os Tribunais de Contas prestando informações sobre quais são os candidatos elegíveis e quais os que foram recusados, especialmente por "desleixo na prestação de contas".

O Jornal Valor Econômico de hoje, 09/06/08, traz matérias relativas aos Gastos que estão sendo realizados pelos Estados e Municípios (poderia trazer, também, uma comparação dos gastos que estão sendo realizados pelo Governo Federal. Além disso é preciso que conheçamos ONDE ESSES RECURSOS ESTÃO SENDO APLICADOS. Abaixo os títulos dos principais artigos divulgados no Jornal Valor Econômico e, mais abaixo um pouco, artigos divulgados pelo Tribunald e Contas do Estado do Paraná.

Gastos disparam nos Estados e municípios

Repasse da União para municípios e Estados cresce 27%

Municípios e Estados aumentam os gastos mais do que a União

Sabemos que "o preço da liberdade é a eterna vigilância", conforme antigo dito americano. Acredito ser válido, também, pensarmos que o Exercício da Democracia é a Eterna Vigilância...

 

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Desleixo na prestação de contas é maior motivo de irregularidades (http://www.documentoreservado.com.br/ 06/06/08)

O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE), Nestor Baptista, entregou na tarde desta quinta-feira (05) a lista dos políticos com contas desaprovadas no último mandato ao juiz Roberto Antonio Massaro, da 1ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR). São 976 nomes e, segundo o presidente do TCE, a maioria dos casos de irregularidades se deve a falta de qualificação nos relatórios, falta de documentos e perda de prazos. “Eu diria que entre 70 e 75% dos casos é por não qualificação. Um pequeno número é realmente fraude e malversação do dinheiro público”, afirmou Baptista. Com a lista em mãos, o juiz Massaro irá analisar os nomes e repassar aos juízes eleitorais de cada região do Paraná para
que eles também acompanhem o registro das candidaturas. Mas quem esperava ver o registro do candidato negado por desaprovação de contas pode ter as expectativas frustradas, pois basta que o político recorra à Justiça para que o nome saia da lista. “Há uma exceção na lei. Se houver questionamento perante o Poder Judiciário, fica suspensa a indicação até que o problema seja sanado”, declarou o juiz. Sobre a decisão de barrar
a candidatura de políticos que tem a ficha suja na Justiça comum, Roberto Massaro diz que aguarda uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Temos que nos balizar pela Constituição, que garante a presunção da inocência. A gente vive em um estado denuncialesco. Não se pode penalizar o candidato se ele está respondendo uma ação”, argumenta Massaro. No caso das contas dos vereadores, o presidente do TCE afirma que os motivos mais freqüentes de desaprovação nas contas são inclusão de despesas que não são da alçada do Legislativo Municipal, como gastos com combustível e carros particulares do político. Nas prefeituras, o mais comum é irregularidades com licitações, gastos indevidos com publicidade, remuneração acima do limite para prefeito, vice-prefeito e secretários municipais e não aplicação das cotas mínimas para saúde e educação.
Foto: Divulgação/TCE

As esferas dos incluídos

Os 1.325 processos que compõem a lista são relativos a 314 dos 399 municípios paranaenses. Dos 976 agentes públicos incluídos, 79,1% são responsáveis por um processo considerado irregular, 13,2% por dois processos e 7,7% por um volume entre três e nove processos. Em relação à esfera de poder, 79% são relativos a agentes do âmbito municipal – 279 presidentes de Câmaras (com um total de 350 processos), 255 prefeitos (334 processos) e 219 responsáveis por entidades municipais (409 processos) –, 15,8% são de responsáveis por entidades não-governamentais que recebem recursos públicos; 5,2% da administração indireta estadual e 4,9% da administração direta estadual, entidades federais e consórcios intermunicipais. No ano de 2006, o Tribunal fiscalizou a aplicação de um volume de recursos que soma R$ 31 bilhões – R$ 18 bilhões investidos pelo Estado e R$ 13 bilhões pelos municípios.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A crise mundial dos alimentos...

Ok... Sei que a not;icia abaixo é antiga e muita coisa já rolou pelos noticiários. Só que as notícias rebatem, sempre, na mesma tecla. não mudam nada no cenário...

A grande questão que está pressionando a demanda por mais alimentos no mundo decorre, em minha opinião, pelo simples direito que uma grande maioria de pessoas, que se encontravam abaixo da linha de miséria passaram a ter a possibilidade de se alimentarem, ao menos uma vez ao dia, com alguma dignidade.

Esse fato nos leva a pensar se será, realmente, o caso de aumentarmos as produções dos alimentos em escala mundial. Isso, a gente sabe, nunca deu certo. É a fome subindo de elevador e a produção indo, penosamente, pela escada. Não há vencedor nesse caso; somente maior distribuição da miséria e maior concentração da riqueza.

Duas das soluções que acho viável para este caso são:

a) Educação - somente com investimento na qualidade do conhecimento das pessoas é que permitirá um adequado planejamento familiar e um desenvolvimento digno, sem escapes à violência ou geração de bolsões de miséria;

b) Conter o Desperdício - sem dúvida há um grande desperdício de alimento no mundo todo. Nas classes mais ricas é comum haver sobras que dariam para alimentar até duas outras pessoas. Se considerarmos que essas classes fazem até 4 refeições diárias, é de se imaginar que alcancariamos um mínimo de mais 5 ou 6 pessoas alimentadas, sem nenhuma necessidade de mudança na quantidade de produção.

Outros desperdícios conhecidos:

  • Na fase da colheira. Há muito desperdício dos grãos, que permanecem sem colher ou simplesmente são destruídos ou dispensados
  • Na fase do tratamento da produção colhida, com as secagens, silagens e outros tratamentos
  • Na fase de transporte até o ponto de venda com uma grande quantidade desperdiçada pelas estradas

Será que alguém pode entender o que está por trás dessa crise? Penso que isso será uma boa desculpa para a elevação de preços de vários produtos, além do petróleo, dos insumos e, até, da própria inflação que parece estar sendo "necessária" em alguns países.

Como se dizia: "Quem Viver Verá..."

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28/04/2008
Entenda a crise mundial dos alimentos (http://www.ambientebrasil.com.br/noticias/index.php3?action=ler&id=37837)

Os alimentos estão mais caros e, no mundo todo, o tema deixa autoridades em alerta e esquenta debates em torno das possíveis causas para a escassez de comida.

Para explicar a crise atual, no entanto, não é possível eleger um “vilão” específico. Segundo especialistas, são muitos os fatores que culminaram no cenário de inflação agravado desde o começo do ano.

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, a falta de alimentos ameaça como um "tsunami silencioso", e pode afundar na fome 100 milhões de pessoas.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação (FAO) são quatro os principais fatores que influenciam a alta dos preços dos alimentos: aumento da demanda, alta do petróleo, especulação e condições climáticas desfavoráveis. Há controvérsias sobre a dimensão da responsabilidade dos biocombustíveis, cujas matérias-primas (cana, milho e outras) disputam espaço com culturas destinadas à produção de comida. Saiba mais sobre cada um desses fatores:

Mais demanda, menos oferta

A população mundial está comendo mais. Especialmente nas economias que têm registrado maior expansão, como a da China, que tem 1,3 bilhão de habitantes. Com mais gente comprando, vale a lei da oferta e da procura: os produtos se valorizam no mercado e ficam mais caros.

Alta do petróleo

O preço do barril de petróleo vendido em Nova York e em Londres tem, sim, relação direta com a escalada do valor dos alimentos, já que a agricultura demanda grandes quantidades do óleo, seja no maquinário, tratores, uso de fertilizantes ou transporte, até esse produto chegar ao consumidor. “O aumento no petróleo também faz com que o preço final dos alimentos fique mais caro”, diz.

Para Francisco Carlos Teixeira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o preço do barril influi diretamente nas commodities agrícolas em duas pontas: na produção e na distribuição.

“Hoje, a agricultura é totalmente industrializada e depende em boa medida do petróleo, usado como matéria-prima para uma série de produtos, como defensivos agrícolas e químicas de preparação da lavoura. Além disso, também movimenta os veículos que transportam as safras agrícolas”, diz Teixeira.

Especulação

Com a queda do dólar, investidores que ganhavam dinheiro investindo na moeda norte-americana migraram para a aplicação em outras commodities, como os produtos agrícolas.

Muitos fundos têm usado as bolsas de mercadorias para especular com a antecipação da compra de safras futuras em busca de melhor rentabilidade, o que também contribui para valorizar e o preço de commodities como o trigo e o arroz.

Segundo a FAO, os preços internacionais do arroz começaram uma escalada desde o início do ano, depois de subirem 9% em 2006 e 17% em 2007. O preço do produto subiu 12% em fevereiro e mais 17% em março, segundo o índice All Rice Price, elaborado pela entidade.

Condições climáticas

O clima é outro fator que reduziu a quantidade de alimentos produzida no mundo, segundo relatório da ONU divulgado na semana passada.

As condições climáticas desfavoráveis devastaram culturas na Austrália e reduziram as colheitas em muitos outros países, em particular na Europa, segundo a FAO.

Segundo as previsões da FAO, as reservas mundiais de cereais caíram para o seu nível mais baixo em 25 anos com 405 milhões de toneladas em 2007/08, 5 % (21 milhões de toneladas) abaixo do nível já reduzido do ano anterior.

Biocombustíveis?

"Os biocombustíveis são apenas uma gota no oceano desse cenário de aumentos”, diz a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Suzana Kahn Ribeiro.

Segundo ela, o caso do biocombustível é particular do etanol fabricado a partir do milho dos Estados Unidos. "O milho é uma cultura alimentar e, de fato, começou a haver um desvio da produção de milho com finalidade para alimento para a produção do etanol", diz.

Com a redução da oferta de milho subiu o preço dos derivados, o que começou um processo em cadeia; aumentou o preço da ração dos animais e, conseqüentemente, das carnes. "No Brasil (onde o etanol é feito a partir da cana-de-açúcar) a realidade é bem diferente; tanto que, no nosso histórico dos últimos 30 anos, aumentamos a produção não só de etanol, mas também de alimentos", diz.
(Fonte: Ligia Guimarães / G1)