terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Por onde andará Diógenes?



Por onde andará Diógenes? O que foi feito de sua Lanterna?

Por certo deve ter sofrido com o "apagão que o raio causou" um sério problema...

Nada disso... ela já tinha "pifado" há muito tempo. Gastou-se nas noites e nos dias em que, continuada e incansavelmente, buscava alguém Honesto!!!

Encontrei a pessoa da foto num ambiente de fraternidade, entre pessoas que buscavam ajudar ao próximo, trabalhando e levando algum conforto à quem - de qualquer um - necessitava. Era um dia frio, na cidade de Curitiba. Muitos estavam lá para ajudar...

Alguns estavam lá para receber ajuda, ainda que buscando manter sua dignidade...

Nas outras fotos deu para perceber que a maioria estava para ser fotografada, sair na mídia e auto promover-se. E a mídia, por mais estranho que possa parecer... ADORA!

Tenho uma outra foto do mesmo cidadão. Obtida nessa mesma oportunidade (que fique claro que as fotos foram obtidas do site em que se promoveu a realização do evento. Não fui eu quem as fez... Se não revelo a fonte é muito mais por preservação de muitos do que para agrado de uns poucos).


Ficou lindaço... Todo alinhado e com roupas novas e bem alimentado...

Será que ele carregará a Lanterna; como fez Diógenes? Será que ele, agora que foi alimentado e ganhou roupas novas, e até fumo para seu pito, saberá distinguir dentre tantos qual é o verdadeiro honesto?

Sei não... depois que inventaram essa tal de "Esmola Oficial", cheia de nomes bacanas e pomposos(!), ficou difícil encontrarmos pessoas com integridade e ética.

Parece que a população brasileira, que foi honesta por muito tempo (quem nunca ouviu falar em pessoas que faziam negócios apenas com o "fio do bigode"?), passou, logo após a nova fase da "democracia" chamada de "Nova República", a adotar uma nova fisionomia.

No livro "Os Miseráveis", diz Victor Hugo: "- É das feições dos anos que se compõe a fisionomia dos séculos".

Neste nosso pedaço de século não há mais espaço para Diógenes. Mais fácil achar uma agulha num palheiro, do que encontrar alguém, mesmo com origem humilde e alguma formação de "berço", que não tenha sucumbido a tamanhas  facilidades que o Poder Corrompido de nossa República tem para "comprar" cada uma delas. Mesmo que humildes e honestas, de certo, há a dor da fome (causada especialmente pelos mesmos políticos integrantes desse, cada vez maior, Poder Corrompido). E, dessa dor, só se escapa de duas maneiras: ou comendo ou morrendo.

A escolha natural é "Viver"! Por isso precisam comer...

E, para comer, são coagidos a vender seu voto, sua alma, seus valores...

Até quando será possível suportar tanto mal que esse suposto bem pretende fazer?

Ah Diógenes... Quisera que tua coragem e altivez voltassem a reinar, ou a inspirar a alguns poucos que comecem a repensar seus atos, compreendendo o quanto favorecem para que se perpetue esse roubo constante e sem fim... sem qualquer esperança de justiça ou de punição...



Segundo o Presidente, num discurso recente, ele declarou que pretende tirar o povo da "m*rda". Pena que ele não percebe (ou faz de conta que não percebe e assim engana a todos) que ele está entregando o país para outros... não importa quem, nem como, nem quando. É o maior entreguista deste País! (eu ia dizer nação... pelo andar da carruagem jamais nos tornaremos Nação. Para que isso ocorra são necessários alguns componentes básicos, que estão cada vez mais minguados, por conta dessa absurda forma de manter-se no poder, que foi inaugurada pela Nova República)

Um dia conto a minha versão sobre como tudo isso começou...

Só que já é outra história.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Você Também É Sonegador?

Quadrilha Há muitos anos (início dos anos 90) realizando uma entrevista com um possível futuro cliente, localizado em uma das importantes cidades do Estado do Paraná, fiquei surpreso quando deparei com uma série de procedimentos adotados na empresa que significavam práticas grosseiras de sonegação fiscal.
Antes de suspender a entrevista disse ao sócio responsável pelas informações se ele tinha consciência de que os procedimentos que adotava eram ilegais; passíveis de prisão, pois eram típicas de crime de evasão fiscal.
Com um meio sorriso e uma expressão entre desafiadora e debochada, esse empresário jovem e estrangeiro, me perguntou: “Quantos anos de prisão?”
A pergunta me pegou de surpresa. Como assim quantos anos? Não era melhor conversarmos sobre a forma de regularizar a situação de sua empresa? Como apurar e pagar os impostos grosseiramente sonegados, antes que houvesse alguma fiscalização que lhe exigisse sua liberdade?
Olhei fixamente em seus olhos e respondi que não sabia, já que se tratava de uma matéria de direito penal. Tentando intimidá-lo disse que deveria ser algo entre 3 e 5 anos de prisão.
Achei que essa informação “bombástica” lhe fizesse retomar a razão...
Sua resposta deixou-me completamente sem ação. Ele disse, com um sorriso: “Três anos... então vale a pena! Se eu trabalhasse duramente num período semelhante a esses três anos, jamais conseguiria ganhar riqueza num montante equivalente.”
Fui embora e nunca mais soube qualquer notícia desse “empresário”. Não sei se teve ou não algum problema com o fisco; ou ficou rico e hoje vive tranquilo em outro país…
Ou naturalizou-se brasileiro e hoje integra o Congresso Nacional…
oOo
Recebi um artigo comentando sobre esse tema: “Sonegar Vale a Pena?” onde vários bons motivos para que cada um comece a cuidar de suas coisas. Antes que as autoridades fiscais cheguem para tomar as contas.
O pior de tudo é que os fiscais, de um modo geral, continuam arrogantes e se acham infalíveis. Caso eles digam que você deixou de pagar algum tributo o ônus da prova é seu. É comum que eles solicitem uma cópia do comprovante continuamente (talvez na esperança de que você o perca e eles possam exigir com acréscimos de multas, juros e muita humilhação).
Falta seriedade! Falta transparência! Falta Ética! Falta berço! Falta vergonha na cara de todos!
Não falo apenas dos fiscais, neste caso. Falo de todos, até mesmo daquele cidadão que se considera o mais puro dos puros. Para que deixe de sê-lo basta que lhe ofereçam alguma vantagem. Qualquer uma, por mínima que seja o fará sentir-se importante; acima de todos os demais “que ralam; que nada tem; e, ainda, pagam elevadas importâncias como tributos”. Na sua imagem: “uns trouxas”...
Agora, se souber de alguém que tenha feito algo semelhante, ele levantará tudo contra o desonesto, o pilantra, etc.
Dirá: “Isto É Uma Vergonha!!!”
Infelizmente é essa a moral da maioria de brasileiros. Antes honestos e agora querendo participar da boquinha...
Você já ganhou seu Panetone especial de Brasília?

sábado, 12 de dezembro de 2009

Copenhague e a Continuidade do Mundo

BEIJA7
É bem interessante acompanhar as notícias que chegam de Copenhague. Verdadeiramente as instalações e principalmente as notícias que saem da cidade transformaram-na em “Sala da Justiça”, reunindo vários Super-Herois com seus mágicos poderes e a grande vocação para “salvadores do mundo”.
Quando digo interessante, poderia utilizar outros termos para definir a banalidade e enorme hipocrisia em que nossa sociedade está se transformando.
Palavras como: “nojento”; “triste”; “decepcionante”; dentre tantas outras que surgem ao desvelarmos o circo montado em Copenhague…
É irônico até… Enquanto uma parte do planeta trabalha (mesmo que em condicões de escravo) outra parte se diverte e gasta sem medidas; enquanto uma parte desperdiça a comida que tem em abundância outra é subnutrida (ou até morre de fome!); enquanto muitos sofrem pela falta d’água muitos perdem suas vidas em enchentes ou desastres causados por chuvas intensas…
E, enquanto isso, na Sala da Justiça de Copenhague tudo é lindo e maravilhoso. Todos os destinos já foram traçados. De um lado os ricos; no outro os pobres. De um lado quem manda; no outro quem somente pode obedecer…
Nas notícias há de tudo. A dubiedade em relação aos termos anteriormente acordados no Protocolo de Kioto, que fazem países como a Índia sairem da condição de Bandido a Heroi; ou práticas de sedução ou prostituição de governantes, mediante a apresentação de Montanhas de Dinheiro, aos países com governantes nem sempre alinhados com a Ética; ou aqueles que se unem a comunidades indígenas, para bradar por Direitos à Vida (seja lá de qual vida – ou vida de quem - estejam falando)…
Felizmente há esperança. Afinal a natureza sempre é muito generosa com os humanos. Suporta todas as ofensas e ingratidões e, principalmente, o total descaso.
Se Você e Eu fizermos alguma coisa; por mínima que seja… Não devemos esperar que outros façam o que compete a cada um de nós. Chega de crermos que pessoas, só por terem sido “investidas de autoridade” são melhores que nós e com maior obrigação em atender a vida, a natureza, ao meio-ambiente…
Farei minha parte…
BEIJA1Ao ver um Beija-Flor, voando alegremente (ao menos foi assim que me pareceu) de flor em flor entendi que reclamar de algo só tem sentido se “dermos sentido ao que estamos sentindo”.
Esta mensagem é do “tipo alimente seu Beija-Flor”, que espera alcançar cada um e proporcionar um pouco de Mel…
Afinal “esses super-herois” de hoje não merecem – sequer – a nossa mínima atenção, já que a eles somente interessa o que nos puder tirar (ou seria melhor dizer: ‘roubar’), mesmo que travestidos como ardorosos defensores da “democracia e dos direitos humanos, etc. e tal…”

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Reforma da ONU ou mais uma ‘Palhaçada’…

mundo_matRecebi a entrevista abaixo e achei importante partilhá-la. Trata-se de uma avaliação feita por alguém que tem vivenciado uma série de situações que envolvem negociações e o poder global.
Não concordo com a necessidade de ser reconstruir a ONU. Até, ao contrário, entendo que esse tipo de entidade, bem como o FMI, deveriam ser revisionados; e, quem sabe, extintos.
Qual a razão que o mundo tem de manter um poder “mediador e/ou assitencialista” cujo comando é feito sempre de forma unilateral?
Maner pessoas com cargos e trabalhos apenas para servirem de ‘fachada’ para a dominação econômica (que se acredita ser menos dolorosa que a militar) que destroi vidas, pessoas, ambientes e até a Fé?
Sei que vivemos a Era da Hipocrisia. Só que há de haver um limite para tudo. Inclusive para a própria…

"G20, um poder usurpado"
Diante da Conferência do Clima em Copenhague, neste dezembro, nada como ouvir um dos grandes especialistas no assunto. Aliás, um dos grandes especialistas em mundo.
Aos 82 anos, mais de 30 deles como professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, o economista polonês Ignacy Sachs, naturalizado francês, aposta que Copenhague depende na verdade do "G2": EUA e China. Ótima aposta.
Segundo ele, que vai na contramão das verdades prontas e acabadas, a transformação do G8 [países ricos mais Rússia] em G20, com a inclusão dos países emergentes, é um erro. Duvidando que o pior da crise econômica tenha de fato passado, defende um outro foco: a reforma da ONU (Organização das Nações Unidas), para um novo equilíbrio mundial.
"Nós estamos sentados sobre escombros de paradigmas falidos, como o neoliberalismo, o socialismo, a social-democracia", diz Sachs, em muito bom português, aprendido nos anos que morou no Brasil, de 1941 a 1954.
PERGUNTA - O pior da crise passou?
IGNACY SACHS - Tem gente enterrando a crise rápido demais. E, ao dizer que tudo passou, que tudo está bem, que o que houve foi um pequeno acidente de percurso, nós não estamos aproveitando a oportunidade para melhorar nada, rediscutir as coisas, aprender com os erros.

PERGUNTA - O que é possível aprender?
SACHS - Estamos sabendo que, sem uma intervenção forte do Estado, vamos para o brejo. O Estado tem de estar numa posição de propor.

PERGUNTA - O que é o seu projeto "Crise & Oportunidade"?
SACHS - Há necessidade de fazer três coisas. A primeira é ampliar a rede universal de serviços sociais, ou seja, de educação, saúde, saneamento e, quem sabe, habitação popular, porque essa rede atua no bem estar da população sem a mediação do mercado. A segunda é ampliar, dentro da economia de mercado, o perímetro daquilo que vocês no Brasil chamam de "economia solidária" e de cooperativas, aquela parte do mercado que não se rege pelo princípio de apropriação individual do lucro. A terceira é uma parte da crise da qual não vamos escapar: mudar de rumo no que diz respeito às estratégias produtivas, para mitigar as mudanças climáticas. Ou seja, partir para a construção de uma civilização de baixo carbono, com uma biocivilização moderna, porque biomassa é alimento, é ração animal, é adubo verde, é energia, são fibras, são todos os produ tos da biorrefinaria. E tudo isso é captado pela energia solar. Definitivamente, não podemos contin uar com o desperdício das energias fósseis.

PERGUNTA - Um dos efeitos da crise não é um novo equilíbrio geopolítico, com novos atores no centro das discussões?
SACHS - Nós não tivemos uma crise só, tivemos três crises interconectadas. A bolha especulativa dos loiros de olhos azuis, para citar o presidente Lula, que era uma crise aguda do sistema financeiro de Wall Street, se espalhou rapidamente como crise social e econômica de âmbito mundial. O importante é que ela mostrou as incoerências do sistema baseado numa grande assimetria entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. E esse problema permanece: como reconstruir esse sistema internacional?

PERGUNTA - Brasil, Índia e China, por exemplo, não estão tendo um papel muito mais político? O G20 não é um resultado positivo da crise?
SACHS - O G20 é uma maneira de afundar paulatinamente as Nações Unidas, é um poder paralelo, um poder usurpado. O meu presidente, o da França [Giscard D'Estaing], convidou alguns dos seus pares para um fim de semana num hotel cinco estrelas na Martinica e foi assim que começou o G-7. Com a implosão da União Soviética, virou G8. De repente, isso está sendo ampliado para G-20. E daí? G20, G18, G31... Ao mesmo tempo, o prestígios das Nações Unidas vai se erodindo. Vejo que não há mais como o G8 evitar se transformar em G20, mas ao mesmo tempo não creio que a solução esteja aí. A solução está numa reforma do sistema das Nações Unidas. Qual o edifício que não precisa de uma reforma depois de quase 60 anos? O G20 não está ajudando para a reforma. Ao contrário, está post ergando os problemas.

PERGUNTA - O que é fundamental nessa reforma?
SACHS - O papel dos emergentes.

PERGUNTA - Ou seja, o sr. defende que o Brasil, por exemplo, tenha assento definitivo no Conselho de Segurança?
SACHS - Isso é o mínimo, mas a reforma não pode ficar só no Conselho de Segurança, que só é importante quando tem fogo, é o Corpo de Bombeiros da ONU. Vamos ver o sistema todo. O Banco Mundial e o próprio FMI têm uma culpa histórica pelos desmandos do neoliberalismo que eles apoiaram, ou deflagraram. É uma enorme satisfação ouvir o Lula dizer que, em vez de o Brasil chegar com o chapéu na mão no FMI, é o FMI que tem de chegar de chapéu na mão ao Brasil. Tudo bem, é uma pequena satisfação, mas vocês, Brasil, ainda não têm capacidade de se contrapor a isso, por dentro do FMI, por dentro do Banco Mundial.

PERGUNTA - O sr. acredita em crise do neoliberalismo e no fim da hegemonia americana?
SACHS - Não há dúvida quanto a um enfraquecimento da hegemonia americana e à falta de limites claros do neoliberalismo. Nós estamos sentados sobre escombros de paradigmas falidos, do socialismo real, do neoliberalismo, que não fez nada daquilo que pregou nesses 30 anos, e da Social-Democracia, que aderiu à posição de dizer sim à economia de mercado e não à sociedade de mercado. Acuados, vários países europeus foram longe demais nessa posição e não vão a lugar nenhum. Precisamos botar a cabeça para funcionar e colocar em circulação ideias novas.

PERGUNTA - Como não há vácuo de poder, quem ou o que emerge para ocupar o enfraquecimento relativo dos EUA?
SACHS - Não é tão simples assim, um desce, outro sobe.

PERGUNTA - Na economia, por exemplo, a China já passou o PIB da Alemanha e continua crescendo rapidamente.
SACHS - A China é para mim a maior incógnita para o futuro, eu não consigo entender a fundo o que está acontecendo agora lá, com um governo autoritário, uma fraseologia socialista e uma aposta forte numa conversão capitalista acelerada. Até mesmo na questão do ambiente, eles são dúbios: se você olha as políticas de proteção ao ambiente, são os maiores investimentos do mundo; se você olha o estado deles, é o país que tem sofrido as maiores devastações ambientais, com rios que não chegam mais ao mar. Um quebra-cabeça chinês.

PERGUNTA - E o Brasil?
SACHS - Não sei se o Brasil vai saber aproveitar, mas talvez seja o país em melhores condições para desempenhar um papel de liderança na terceira grande transição depois da revolução neolítica há 12 mil anos e da energia fóssil nos séculos 17, 18, que mudou definitivamente a face do mundo. Agora, entramos na terceira transição, a coevolução da espécie humana com a biosfera, a biocivilização moderna, que não vai ser de um dia para outro, pode durar até um século.

PERGUNTA - Quais suas expectativas para Copenhague?
SACHS - Tenho um medo enorme em relação a Copenhague, mas, se a Europa, o Obama e alguns emergentes se reúnem de repente e chegam a um compromisso, pode haver uma reversão importante.

PERGUNTA - O que seria uma reversão importante?
SACHS - Levar a sério a transição para uma economia de baixo carbono e acelerar o processo. Mas, para se ter uma política ambientalmente e socialmente correta, é preciso um Estado forte, não de um mercado.

PERGUNTA - Qual o peso da troca de Bush por Obama?
SACHS - Por um lado, um peso enorme, porque, sem Obama, o pessimismo seria total, irrevogável e negro. Com Obama, há alguma chance. Mas os grandes articulistas, inclusive o próprio Paul Krugman, mal dissimulam uma decepção. O Obama apostou que poderia fazer um governo bipartidário e já perdeu essa ilusão. E vai ter que pesar muito os argumentos contra e a favor, porque vai enfrentar uma eleição no ano que vem para o Congresso. Se perder, ele vai estar frito.

PERGUNTA - De outro lado, o Obama marcou muito uma posição mais aberta, tanto na campanha quanto já depois da posse. Ele tem condições de chegar a Copenhague sem ratificar nitidamente essa posição?
SACHS - Não tenho dúvidas sobre a importância histórica da eleição do Obama, mas ainda não dá para ter certezas e fazer prognósticos sobre o que será de fato o governo Obama, porque não dá para medir ainda o embate dentro dos EUA, só dá para saber que eles estão com problemas muito sérios e com o dólar indo para o brejo.

PERGUNTA - Ou seja: pelo que o sr. diz, o mundo todo está dependendo de duas grandes incógnitas, que são os EUA e a China?
SACHS - O fato é que nós estamos condenados a um G2, a China e os EUA. Com um paradoxo, porque é a maior potência capitalista do mundo e o último país que se diz socialista no mundo, e os dois estão numa situação de interdependência incrível, precisando de um acordo para definir o jogo. A China está sentada sobre uns US$ 1,3 trilhão do Tesouro americano e não quer perder isso. Por outro lado, se os EUA cederem a algumas pressões chinesas e os chineses começarem a gastar pelo mundo, o que vai acontecer?

PERGUNTA - Como fica a União Europeia nisso?
SACHS - A Europa está muito dividida, e o que nós construímos lá é um escândalo, porque foi justamente quando prevalecia a social-democracia na maior parte dos países que nós construímos um imenso monumento à madame [Margareth] Tatcher [ex-primeira-ministra linha dura do Reino Unido]. A UE foi e está muito impactada pelo neoliberalismo. Não creio que tenha peso significante.

PERGUNTA - É para levar a sério essa aliança estratégica entre a França e o Brasil?
SACHS - Eu, por ter sido envolvido na cooperação entre França e Brasil, fico muito satisfeito com essa aproximação, mas não posso deixar de lamentar que ela tenha sido feita pelo lado do armamento, não por outra coisa.

PERGUNTA - É só armamento mesmo, ou envolve um alinhamento político em foros internacionais, por exemplo?
SACHS - Faço votos para que seja e em outras coisa também. Será?

PERGUNTA - O sr. é sempre cético?
SACHS - E não só quanto à aliança. Eu sou bastante cético em relação à própria França, o que ela representa atualmente e qual será o real impacto da crise. Dá para imaginar um avanço mais rápido dos grandes emergentes diante dos europeus e, na minha avaliação, aliás, vocês não estão aproveitando suficientemente esse espaço.

PERGUNTA - O Lula não está? Nem mesmo politicamente?
SACHS - Não. Chegou um momento para que o Brasil seja um lugar onde se discuta o mundo. O protagonismo do Brasil deve aumentar não só a nível de comércio, onde está sendo empurrado para as commodities, mas também a nível da produção intelectual, cultural, política. O Brasil precisa surfar nessa onda altamente favorável aos emergentes e surfar, particularmente, nessa onda que é o enorme prestígio pessoal do Lula. Como disse o Obama, "he is the guy" ["esse é o cara"].

PERGUNTA - A Copa em 2014 e as Olimpíadas de 2016 já não são passos nessa direção?
SACHS - Olha, foi uma sorte o problema com o helicóptero no Rio não acontecer três semanas antes. Já imaginou a posição do Brasil na decisão das Olimpíadas?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Depoimento da Ex-Ministra da Saúde da Finlândia

As questões relativas à Saúde Pública deveriam ser objeto de permanente monitoramento pelos agentes de governo. Sejam de que partido, religião, sexo, ou outras divisões possíveis de se encaixar as pessoas neste nosso "mundo maravilhoso".

Em tempo: coloco comentário que recebi de uma pessoa amiga, esclarecendo sobre a senhora que faz as declarações.
Quem fez a primeira exposição dessa entrevista cometeu um erro - ela não foi ministra mas funcionária do governo da Finlândia - e isso tem servido para os capitalistas tentarem desqualificar o conteúdo das opiniões dela. Ela nada mais fez do que descrever como eles agem: manhosamente, criminosamente, prejudicialmente ao conjunto da humanidade. É um mundo controlado pela ambição do poder, do lucro, da insensatez gananciosa, que destrói o meio ambiente e explora vergonhosamente as pessoas.
Aproveito para agradecer a atenção que me foi dispensada pelo amigo Alceu, prestando esse esclarecimento.

Abaixo um vídeo que deve ser ao menos conhecido, de forma a permitir um princípio de avaliação e debate. Não se trata de dar ou não a autenticidade ao fato (contido no vídeo) em si.

Trata-se de começarmos a observar quais são as políticas públicas efetivas e práticas para garantir a saúde de todos.

O que venho observando é que os governantes (acho que ainda temos de chamá-los assim) estão muito mais preocupados em identificar novas possibilidades de doenças para poderem aproveitar os grandes volumes de recursos que lançam mão para "atender à população".

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dica de Economia e de Saúde

A Gripe H1N1 (ou gripe suína como ficou conhecida) trouxe novos hábitos às pessoas.
O principal deles foi o da higiene pessoal. O simples ato de lavar as mãos.
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Isso é fantástico. O Ministério da Saúde deveria investir mais em ações simples e eficazes como essa, em vez de ficar inventando meios de aplicar recursos que beneficiam apenas uns poucos… (paro por aqui. Todos devem estar cientes sobre o que escrevo)
Muitos restaurantes, escritórios e locais públicos oferecem a todos o uso de álcool gel para ser usada pelas pessoas antes e após os cumprimentos de praxe. Higiene agora é chique, virou questão de etiqueta social…
Pois bem! É corrente entre enfermeiros que a Água Oxigenada é algo ultrapassado. De fato seu uso é uma prática, de certa forma, antiga. Será que a eficácia perde validade? Ou são os interesses que se modificam?
Vejam algumas informações que recebi:
A Água Oxigenada foi desenvolvida na década de 1920 por cientistas, com o objetivo de conter problemas de infecções e gangrena em soldados em frentes de batalhas. Na Segunda Guerra Mundial diminuiu o número de amputações.
O desenvolvimento desse produto tinha os seguintes fundamentos:
  • era barato
  • de fácil transporte
  • de fácil armazenamento e utilização
  • sem efeitos colaterais
  • numa solução de 3% é um dos desinfetantes mais potentes que existe
Qual o problema com a água oxigenada, então? Por que os práticos de enfermagem desconhecem esse produto e eles não existem nos hospitais?
Pelas seguintes razões:
  • ele é barato
  • simples de usar
  • de fácil armazenamento e transporte
  • pode ser usado para muitos fins
  • compete com produtos desenvolvidos por farmacêuticos e indústrias de desinfetantes domésticos e hospitalares
Alguns exemplos, facilmente comprováveis de sua eficácia:
  • Uma colher de sobremesa do produto usada para bochechos e mantido na boca por alguns minutos, mata todos os germes bucais, branqueando os dentes! Cuspir após o bochecho
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  • Manter escovas de dentes numa solução de água oxigenada conserva as escovas livres de germes que causam gengivite e outros problemas bucais
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  • imageUm pouco de água oxigenada num pano desinfeta superfícies melhor do que qualquer outro produto. Excelente para usar em cozinhas e banheiros 

  • Tábuas de carne e outros utensílios são totalmente desinfetadoimages após uso, com um pouco de água oxigenada. O produto mata qualquer bactéria ou germe, inclusive salmonelas
  •  Passada nos pés, à noite, evita problemas de frieiras e outros fungos que causam os principais problemas nos pés, inclusive os maus odores (chulé)
  • . Passada em ferimentos (várias vezes ao dia) evita infecções e ajuda na cicatrização. Até casos de gangrena regrediram com o seu uso
  • Numa mistura meio-a-meio com água pura, pode ser pingada no nariz em resfriados e sinusites. Esperar alguns instantes e assoar o nariz. Isso mata germes e outros microorganismos nocivos
  • Um pouco de água oxigenada na água do banho combate micoses e fungos e ajuda a manter a pele saudável
  • Roupas que precisam de desinfecção (lençóis, fraldas etc.) ou aquelas em contato com secreções corporais e sangue, podem ser totalmente desinfetadas se ficarem de molho numa solução contendo água oxigenada antes da lavagem normal
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domingo, 25 de outubro de 2009

Passa Nuvem Negra... passa...

"Não adianta me ver sorrir
Espelho meu
Meu riso é seu
Eu estou ilhada"
Já faz tempo que essa notícia é parte de nosso cotidiano. Na esperança de ver surgir a "Paz num milagre ou num passe de mágica" imobiliza (até de forma conveniente) todas as pessoas, que preferem esperar das "autoridades constituídas" as ações necessárias.
Não tive de ir muito longe... bastou uma breve busca com o Google para localizar notícias semelhantes as que hoje ocupam as manchetes dos jornais e os principais blocos nos noticiários apresentados na rádio ou na tv. Nada muda. Tudo é igual.
Irritantemente igual. As pessoas, ao menos a maioria que faz parte da assistência passiva dos fatos de violência, insistentemente repetidos, já faz comentário de indignação apenas "para fazer pose frente às câmaras".
"Hoje não ligo a TV
Nem mesmo pra ver o Jô"
A repetição faz com que as pessoas se tornem insensíveis. 
De forma cínica, poderemos afirmar que:
Tudo é normal, breve e passageiro. Que bom que temos a liberdade da democracia que nos permite escolher o candidato que fará as mudanças que esperamos, etc. e tal...
"Não vou sair
Se ligarem não estou
À manhã que vem
Nem bom-dia eu vou dar"
Nesta semana as manchetes tentam avaliar as consequências da nova onda de violência com os breves momentos de jogos em 2014 e 2016, onde haverá a paz à custa de negociação entre Estado e o Crime. Ao menos um dos dois é organizado...
"Se chegar alguém
A me pedir um favor
Eu não sei
Tá difícil ser eu
Sem reclamar de tu ...do"
Faça a leitura e, ao menos, uma breve reflexão...
7 de janeiro de 1981  Revista Veja.07/janeiro/1981
O Rio ferido a bala
A Baixada Fluminense fechou 1980 com 2.000 execuções e a zona sul do Rio torna-se, aos poucos, o quintal do crime numa cidade despoliciada
Há pelo menos uma coisa em comum entre o jornalista João Saldanha, antigo militante do Partido Comunista Brasileiro, e o general Antônio Carlos Muricy, estrela da linha dura militar até vestir o pijama. É a mesma que liga outras duplas de cariocas, por nascimento ou adoção, igualmente díspares - como o escritor Fernando Sabino e a novelista Janet Clair, ou o banqueiro Frank Sá e o ator Hugo Carvana. Todos são exemplos acabados de que um recente flagelo do Rio de Janeiro - os assaltos à mão armada - fez vítimas famosas em número suficiente para formar uma singular categoria de colunáveis do crime.
... CARTEIRA FALSA - Segundo o levantamento do Gallup, 36% dos entrevistados cariocas sofreram pelo menos um assalto em 1980, e 1 milhão de moradores do Rio, nos últimos dois anos, viram seu patrimônio parcialmente mutilado por homens armados. Dessa multidão de vítimas, 400.000 foram assaltadas mais de uma vez em 1980. E 700.000 cariocas preferiram não apresentar queixa à polícia. Alguns, porque o produto do roubo não justificava várias horas perdidas com a burocracia policial. A maioria, por estar convencida de que a polícia do Rio de Janeiro é irremediavelmente ineficaz, também por padecer há muitos anos da doença da corrupção.
... A perda da noção de segurança pessoal - sentimento indispensável para a vida tranquila nos centros urbanos - mudou os cariocas. Prosperam as empresas que vendem portas de aço com fechaduras adicionais - a Blind House viu crescer em 50% seu faturamento nos últimos três meses. Brotam ruas com acessos fortificados, como a Iposeira, em São Conrado, que convida os forasteiros a estacarem na guarita, ou a Osório Duque Estrada, na Gávea, que na sua parte superior dá passagem a uma colina de mansões entre as quais está a do banqueiro Marcos Magalhães Pinto. E, naturalmente, multiplicam-se as polícias particulares.
... Os terrores dos cariocas não levaram o comando da Polícia Militar do Rio a efetivamente espalhar pelas ruas os 30.000 policiais encarregados de proteger a população, como ordenou inutilmente o ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel. Mas popularizaram nos corredores das polícias civil e militar o argumento de que não há tantas razões para o medo - afinal, lembram os delegados, o trânsito, que fez mais de 1.500 cadáveres em 1980, matou mais que os assaltantes. O argumento é néscio. Ao agarrar um volante, um homem faz da máquina o prolongamento de seu corpo e corre um risco calculado: se não controlar a máquina, poderá ser vítima dela ou de outras. Esse mesmo homem não sai de casa e caminha pelas ruas pilotando dois revólveres.
... A marca do horror
Com os massacres do Natal, a Baixada Fluminense disparou nas estatísticas da violência
A quatro dias do Ano Novo, a Baixada Fluminense finalmente ultrapassa a marca dos 2.000 cadáveres em doze meses - uma sinistra barreira que há tempos parecia desafiar a multidão de assassinos diluída em seus 2,3 milhões de habitantes. A proeza foi emoldurada por requintes no melhor estilo da região, que mereceu da Organização das Nações Unidas o título de "a mais violenta do mundo".
...
"Passa nuvem negra
Larga o dia
E vê se leva o mal
Que me arrasou
Pra que não faça sofrer mais ninguém"

Até quando? Até quando a chamada sociedade civil irá ficar inerte diante de sua responsabilidade?
Afinal, tudo que vem acontecendo conta com sua ativa participação, mesmo que com sua estrondosa omissão. Omissão que pode ser por medo. Tudo bem. Ninguém quer morrer ou ver seus familiares sofrendo de uma violência sem o menor sentido.
Esses são claros em suas ações. Declaram abertamente (ainda que ocultos por mecanismos para garantir sua identidade) o medo que sentem da retaliação que paira sobre cada um que descumprir a "Lei do Crime Organizado"...
"Esse amor que é raro
E é preciso
Pra nos levantar"
Que todos façam uma mínima coisa que seja; um esforço ínfimo... Não vale ficarmos apenas indignados... Temos que ter alguma ação que deixe claro o que se busca... O que "é preciso pra nos levantar"...
Por isso finalizo com a música do Djavan, apresentada por ele, Gal e Chico e com a grande esperança de que, cada um de nós, com um mínimo de ação, além da indignação, superem quando somadas toda essa fase negra (Nuvem Negra...) que nos tem deixado cada vez mais apequenados.
Por isso, cuidem-se políticos e candidatos a cargos políticos... A força que será gerada a partir da soma da ação de cada um de nós afastará o Mal em definitivo. Mesmo que eles sejam realizados (por omissão ou ação) por pessoas com altos cargos públicos. Tremei todos os que agem para o mal ou praticam o mal ou, simplesmente, deixam que o mal persista...




Nuvem Negra

Djavan

Não adianta me ver sorrir
Espelho meu
Meu riso é seu
Eu estou ilha ... da
Hoje não ligo a TV
Nem mesmo pra ver o Jô
Não vou sair
Se ligarem não estou
À manhã que vem
Nem bom-dia eu vou dar
Se chegar alguém
A me pedir um favor
Eu não sei
Tá difícil ser eu
Sem reclamar de tu ...do
Passa nuvem negra
Larga o dia
E vê se leva o mal
Que me arrasou
Pra que não faça sofrer mais ninguém
Esse amor que é raro
E é preciso
Pra nos levantar
Me derrubou
nao sabe parar de crescer
e doer

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Caindo a Ficha...

Por vezes não temos de colocar nenhum comentário. As imagens e as palavras que ela traz são mais que suficientes para nossa reflexão e para entendermos como agimos (ou, melhor dizendo, reagimos a tudo o que nos cerca).
"O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quando o destino." Antoine de Saint-Exupery




Até onde vai a intolerância?
               
Este cartaz saiu da Espanha e está rodando o mundo (traduzido). Muito bom para os países que estão discriminando estrangeiros, mas bom também para todo mundo, para uma reflexão sobre nossos preconceitos, nossas escolhas e nossas rejeições...!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O Poder da Imagem

Há alguns dias assistimos, diretamente do programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, uma cena que deixou a grande maioria de espectadores surpresa, indignada e revoltada.

Talvez haja, além das acima citadas, outras formas de manifestação. A grande maioria, entretanto, já deixou de pensar no assunto; pois "sempre haverá outras notícias para se indignar, se surpreender ou se revoltar".



A minha surpresa foi a questão da "oportunidade quase cinematográfica" em que ocorreu a filmagem, certamente de um helicóptero que passava pelo local e contava com equipamento completo. É como se todos os "atores" estivessem ordenadamente posicionados para produzir a cena que a TV utilizou em sua manchete.

Fico me perguntando: qual o objetivo que há por trás de tanta barbárie... Nesse ponto, confesso que fico me perguntando onde reside a maior delas...

Vamos acompanhar a evolução. Se é que se pode esperar alguma evolução de tudo isso...

Não pretendo entrar em avaliação sobre o que é "certo" ou "errado" neste caso. Já foi longe demais o descaso com vidas e com o que ainda resta de cidadania.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Água – Momento para reflexão (e ação)

"Água, a substância mais comum na Terra... Ela está conosco em todos os momentos de nossas vidas... mas agora os segredos deste elemento surpreendente começam a ser revelados! Saiba mais sobre a Água, o poder da água e como amando sua água a torna mais pura, mais limpa e saudável!"
Neste vídeo (na realidade um filme) ‘revela-se os segredos contidos na água’. Realmente uma questão bem intrigante se pensarmos que a água é o único elemento que ao se resfriar aumenta de volume e, por isso, flutua sobre a água líquida.
Se isso não ocorresse, a vida estaria condenada todas as vezes em que houvesse um resfriamento e transformasse a água do mar, dos rios ou dos lagos, em gelo. Se não houvesse essa condição diferente e especial o gelo formado AFUNDARIA.
E mataria, consequentemente tudo o que estivesse sob ele.
SE ASSIM FOSSE, A VIDA DEIXARIA DE EXISTIR A CADA MOMENTO DE ESFRIAMENTO GLOBAL!
FELIZMENTE A ÁGUA TEM MUITOS SEGREDOS QUE, AOS POUCOS, ESTÃO SENDO REVELADOS…


sábado, 26 de setembro de 2009

Nossa história está se perdendo. O que aconteceu com o Hino Nacional?

Quando comecei a estudar a escola se chamava Grupo Escolar.

A Professora do meu primeiro ano era muito simpática e atenciosa. As outras, com uma exceção para a do terceiro ano, eram bem pouco humoradas. Só que foi no 2o ano que comecei a aprender mais sobre os hinos cívicos (Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino à Independência, etc).

Algumas palavras ficaram em minha lembrança. Antes, entretanto, conheça a letra da introdução ao Hino Nacional Brasileiro:


As palavras que me surpreendiam, em meus 8 anos de vida bem vividos para a época, eram: "Eia Sus..."

Passados mais de 50 anos recebo a informação sobre uma letra que foi retirada da parte introdutória do Hino Nacional Brasileiro.

Neste vídeo há a informação que tinha perdida em minha memória de criança. Nele a santista Senhora Ana Arcanjo mesmo com uma certa idade de vida nos mostra uma perfeita memória de tudo. Parabéns à Sra. Ana (muito mais que um anjo, conforme seu próprio sobrenome)! Que todos atendamos aos seus pedidos.

Quando a ideologia é maior que a racionalidade

"As massas não buscam a reflexão crítica: simplesmente, seguem suas próprias emoções. Acreditam na teoria da exploração porque ela lhes agrada, não importando que seja falsa. Acreditariam nela mesmo que sua fundamentação fosse ainda pior do que é". (Eugen von Böhm-Bawerk  1851-1914)
As manchetes nos dão informações sobre a forma de vida que está ocorrendo na embaixada brasileira, em Honduras. A Revista Veja apresenta sua matéria destacando o pesadelo do lado brasileiro, acompanhado da inconsequente atitude de Zelaya e o oportunismo de Chaves.
Tudo numa única matéria!
Como podemos ser, em termos de diplomacia, tão "inocentes"? Se é que a palavra "inocente" cabe aos "líderes" brasileiros...
Lembro-me de minha infância... quando a teimosia e as brigas de rua tinham idade para acabar; ou seja: enquanto "moleques" eram admitidas; depois de algum tempo, já no ginásio, ninguém mais disputava "no muque e nos socos" qualquer ideologia que pudéssemos ter tido.
Havíamos atingido a idade onde a racionalidade começava a funcionar...
Que pena que os governantes dos países sulamericanos ainda não tenham chegado a esse momento...
Chamar de infantilidade pode qualificá-los como imaturos e irresponsáveis; e, até mesmo, acharmos graça (brasileiro gosta de achar tudo engraçado e ri de sí próprio muito facilmente). Não nos tira a responsabilidade e as consequências.
Admira-me, também, a inocência desse tal Zelaya. Será que imaginava que tudo estaria acabado quando ele (sabe Deus como) entrou na embaixada com mais um monte de gente.
Palhaçada!
Claro que deve ser condenada a "prática de golpes"; sempre tão comum nas repúblicas das bananas. Só que há maneira certa para se propor esse tipo de condenação.
Do jeito que foi feito, por "comando" das "lideranças" do governo brasileiro, não passou de atitude de quem só pensa em "dar banana" à racionalidade...

sábado, 19 de setembro de 2009

Quando o "Mais" resulta em "Menos" - 1a Parte


Será que com Lupa fica mais fácil enxergar?


Normalmente buscamos alcançar "mais com menos". Essa é a regra natural para as ações que julgamos estarem alinhadas com a lógica da economia e da própria vida.


Há fatos, entretanto, que seguem o oposto. Conseguem, obtendo "Mais" realizarem "Menos". Bem menos!


Buscarei alinhar apenas alguns deles, pois acredito que existam muitos mais nas ações impensadas (?) de nossos governantes.


Na carga tributária de máquinas industriais
A indústria brasileira de máquinas operatrizes enfrenta grande dificuldade na colocação das mesmas nas pequenas indústrias que existem, praticamente, em todas as cidades.


Para que se visualize o processo a que me refiro, imagine uma indústria que vende máquinas para padarias e o comprador uma padaria igual a tantas que conhecemos. Claro que cada um de nós entra no negócio quando compramos cada pãozinho...


A carga tributária incidente na venda - que representa, normalmente, 40% do preço total do bem - limita a capacidade de sua aquisição pelas empresas que têm:
  • dificuldade de conseguirem financiamentos oficiais, com menores taxas e melhores prazos de pagamento;
  • normalmente estão em sistemas tributários que inviabilizam a recuperação, ainda que parcial, de alguns dos tributos incidentes na operação, tais como: ICMS, PIS, COFINS, IPI; CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO; IMPOSTO DE RENDA. Em outras palavras: o valor do tributo pago na aquisição é um custo da indústria que terá de ser repassada nos preços de venda ou deduzida da margem operacional da Indústria;
  • menor quantidade de postos de trabalho, tanto na indústria de bens como nas pequenas indústrias (ou em uma padaria, que estamos usando como exemplo).
A indústria nacional de máquinas vende seus bens para a produção por um valor que representa quase 2 vezes o investimento necessário aos industriais. Por isso elas têm reduzidos suas vendas.


Nesse caso o MAIS de nossa questão representa o "ganho" obtido pelo Governo (Federal e Estadual, em especial), já que os impostos não serão abatidos para as necessárias compensações e equalização da carga tributária devida pela sociedade. Sim. No fundo esse imposto arrecadado a MAIS será suportado pela sociedade.


Se houvesse uma suspensão de tributos na comercialização desses bens de produção com certeza teríamos:
  • menor valor da venda do bem. A redução seria da ordem de 40%, aproximadamente;
  • a indústria de máquinas teria maior facilidade de venda de seus bens e, por isso, teria mais empregados e estabilidade em sua continuidade;
  • maior facilidade na obtenção do crédito menor, necessário para a aquisição da nova máquina;
  • facilidade na recuperação do valor investido, o que significaria menor preço de venda do produto final (pães, em nosso exemplo). As consequências naturais seriam, provavelmente, um aumento na venda de pães, gerando ganho a todos...
  • facilidade na aquisição de mais de uma máquina (sem impostos e contribuições elas passa a custar quase a metade do preço inicial), e natural aumento nos postos de trabalho também na padaria.
O que estou citando acima é a consequência mais óbvia e banal possível. Certamente podem haver outras vantagens e ganhos. Ganhos para todos, inclusive para o próprio governo (federal, estadual e municipal), com geração permanente de riqueza.


Será que os líderes do governo, federal, estadual e municipal, são tão míopes assim?


Ou será que àqueles que ocupam cargos transitório, na Administração Pública, preferem ver o dinheiro em sua gestão, em vez de abdicar dele (bem pouco na realidade) e perpetuarem o ganho a todos eternamente?


Nesse caso fica bem claro que o MAIS arrecadado no primeiro momento pelo Estado significa MENOS (muito menos) para toda a sociedade, inclusive para o próprio Estado.


Acredito que falte visão, não apenas aos responsáveis pela área tributária do governo. Falta - principalmente - ação da própria sociedade.


Quem sabe se adotarmos uma Lupa? Especialmente para olharmos melhor em quem escolhemos para nos governar...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Empresa Familiar - Nepotismo, Talentos e Sucesso



Pode parecer incrível, mas naturalmente a maioria de nós é preconceituosa em relação às empresas familiares.

Somos mais condescendentes com o nepotismo na área pública do que com as pessoas que, no início de suas carreiras, começam a trabalhar com seus pais, na empresa da família ou não.

Todas as empresas, mesmo aquelas que são consideradas com "mega-corporações" são resultantes de esforços promovidos por famílias, ainda que pela ausência e distanciamento durante grande fase da vida apenas do seu fundador.

Essencialmente as empresas são formadas por Gente. E Gente ainda nasce em uma família; ou forma família ao longo de sua vida... Por quê, então, somos tão "avessos" às chamadas "empresas familiares"?

Há algum tempo abrimos, em nossa empresa de auditoria e consultoria empresarial, a possibilidade de contratação de jovens, pertencentes àquelas famílias que possuiam negócios tradicionais, para que vivessem, ao menos pelo período de 1 ano as várias experiências que a atividade propicia.

Fizemos, também, em parceria com uma importante Entidade de Ensino, um conjunto de várias áreas de conhecimento empresarial a serem ministrados aos funcionários das empresas, na forma que conjugava fatores como:
a) O Saber - Proporcionado pela Escola e seus Mestres
b) O Fazer - Proporcionado pelas Equipes de Profissionais de Consultoria
c) O Fazer "fazer" - Que compreendia o efetivo aprendizado com sua aplicação prática, disseminada a terceiros.

Claro que, em ambos os casos acima citados, nosso propósito era social e comercial. Somente aqueles que já passaram pela diversidade é que "conseguem, mais facilmente, superar as adversidades".

Um candidato a postos de comando nas empresas deve, após ter a certeza de que é seu objetivo servir a família e a empresa com suas habilidades e despreendimento, passar por um aprendizado amplo que somente a prática alcançada em atividades diversas, realizadas pelas empresas de consultoria proporcionam. Claro que o prazo de um ano é um indicativo do tempo mínimo desse "estágio". Ele poderá ser estendido, se for o caso, aos escritórios da Consultoria localizados em outras cidades, tanto no Brasil como no Exterior.

Muito poucas pessoas souberam valer-se dessa oportunidade. Preferem ungir seus filhos com atributos nem sempre reconhecidos pelos demais. Submetem o jovem a pressão e tensão permanente. O resultado pode ser muito ruim para todos: Par os Pais; para o Jovem; para a Empresa; para a Sociedade...

Essas são, de fato, as atitudes que fazem com que tenhamos o preconceito que cito acima. Espero que todos passemos a fazer a coisa certa. Abaixo um texto sobre o tema.



11/09/2009
Como fazer sucesso com uma empresa familiar
Objetivos diversos, interesses, discussões, laços afetivos. A empresa familiar tem todos os desafios de qualquer outra, mas carrega, no seu âmago, a afetividade. Um fator que pode tanto destruir o patrimônio como torná-lo mais sólido.
Isso dependerá do tipo de atitude que a família terá em relação à empresa. Para o economista Fábio Bartolozzi Astrauskas, diretor da Siegen, empresa especializada em gestão empresarial, com ênfase em sucessão familiar, a primeira lição a ser aprendida por todos os envolvidos é que alguns terão talento, interesse e habilidade maiores para lidar com o tipo de empreendimento da família.
"Fazer da empresa um local sério, de ganha pão de todos e não um cabide de empregos é um dos passos mais importantes para que ela tenha a produtividade e o crescimento desejados", garante Fábio. De acordo com economista, essa escolha, muitas vezes, acontece de forma natural.
"É notório quando um filho tem mais talento e interesse na empresa, no sentido de fazê-la prosperar. O que precisa ficar claro é que ter talento para gerir a empresa não tira o mérito de outro filho, que pode muito bem desenvolver gosto por outros trabalhos ou ainda trabalhar em outra área na empresa onde seu talento poderá ser melhor aproveitado.
Esse tipo de esclarecimento tem de vir à tona cedo, caso contrário, a situação pode ser um estopim para brigas e discussões em torno de sentimentos e não ao redor de fatos reais e necessários para que a empresa continue seu desenvolvimento", alerta.
Outro ponto importante a ser destacado é a contratação. Sendo uma empresa familiar, como contratar alguém da família? Quem decide isso? O economista Rogério Silveira Monteiro, também diretor da Siegen, explica que a melhor forma é ter uma consultoria para fazer esse papel.
Ela vai avaliar quem está apto, independentemente de ser filho, sobrinho, cunhado. O especialista explica que assim é eliminada uma boa parte do antagonismo ou mesmo das desavenças que uma contratação poderia gerar, visto que não são os próprios familiares a indicarem quem será ou não contratado ou promovido ou até desligado da empresa. "A consultoria não irá avaliar a pessoa enquanto da família.
O objetivo é analisar quem, de fato, está ajudando, poderá ajudar ou está atrapalhando a empresa. Para a consultoria o que interessa é o resultado que se espera da empresa e como ela pode alcançar o que deseja, independentemente do grau de parentesco que se tenha. É claro que a decisão é dos dirigentes, mas eles têm como respaldar suas ações em estudos feitos pela consultoria", avalia Monteiro.

Vantagens e desvantagens

Entre as vantagens de se ter uma empresa familiar, destacam-se:
O interesse em torno de um patrimônio comum, o que gera um sentimento comum de unidade.
A sucessão de herdeiros competentes que poderão dar sustentabilidade e continuidade ao negócio;
O sentimento de ter um negócio próprio que pode gerar motivação, responsabilidade e prazer.
Conhecimento dos membros da família, inclusive do provável sucessor. Aqui também vai a questão de fazer com que os membros comecem a conhecer a empresa desde cedo e de se sentirem parte dela, ainda que não trabalhem lá.
Conhecimento profundo da empresa e, com isso, melhores chances de suportar dificuldades e a busca por soluções.
Por ser familiar, criar forte relação de credibilidade e confiança com seus clientes. As pessoas gostam de se sentir em casa, em família.
Entre as desvantagens estão:

- A concorrência entre os familiares pode levar ao stress e à perda de foco, deixando a empresa em segundo plano e prejudicando os negócios;
- A existência de nepotismo onde todos querem viver do dinheiro da empresa, mas nem todos têm talento ou mesmo interesse em trabalhar por ela;
- A dificuldade em demitir devido ao laço familiar;
- A falta de separação entre o que deve ser vivenciado na empresa e o que deve ser vivido em casa;
- A utilização da estrutura da empresa para fins particulares: ligações, impressões, salas, funcionários...
- A impunidade ao descumprir regras, o que gera sentimento negativo, especialmente em funcionários que vêm o próprio superior sem a preocupação devida com a empresa.


Fonte:Administradores.com.br

Ps.: Continuamos, na Moore Stephens Auditores e Consultores, acreditando na competência que temos para a formação e transformação de jovens em profissionais qualificados, quer para atuarem nas empresas de suas famílias ou para a sociedade em geral... Foi por essa razão que criamos a marca METRI (que grafamos m3Tri), pois utilizamos a Contabilidade, unindo sua Ciência e Arte, como a principal ferramenta para Medirmos o resultado, o desempenho, etc.

Só se Ama o que se Conhece. Só se Conhece o que se pode Medir.

domingo, 6 de setembro de 2009

É como diz Santo Agostinho…

A natureza bela Cada um de nós percebe a presença do Mestre em variados momentos da vida.

Na minha vida tive a felicidade de perceber a presença de vários deles em variados momentos…

Um desses mestres foi meu Pai! Mesmo sem poder falar nos últimos dez anos de sua vida me proporcionou a sabedoria de suas palavras, que ainda ouço vivas em minha mente (ou será no coração que ficam esses nossos ouvidos, tão especiais?).

A lição mais marcante foi sobre a Vida!

Apesar de toda a dor que sofria todos os dias em cada hora. Ele disse a frase que me marca profundamente:

A Vida Vale a Pena! A Vida Sempre Vale a Pena!

Ao ler estes versos – atribuídos a Santo Agostinho – não pude deixar de lembrar das palavras de meu Pai. Veja, a seguir, os versos:

A MORTE NÃO É NADA

"A morte não é nada.

Eu somente passei para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês,

O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.

Me dêem o nome que vocês sempre me deram,

falem comigo como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,

eu estou vivendo no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir

daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.

Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado

como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.

Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.

A vida significa tudo o que ela sempre significou,

o fio não foi cortado.

Porque eu estaria fora de seus pensamentos,

agora que estou apenas fora de suas vistas?

Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente...

A vida continua, linda e bela como sempre foi."

(Santo Agostinho)

sábado, 29 de agosto de 2009

De quem é o problema?

Achei que já bastava tudo o que vem sendo apresentado na mídia. Entretanto para uma tomada de consciência é necessário divulgar e continuar divulgando fatos que modifique o padrão mental da maioria das pessoas.
O título do vídeo: "O Brasil não é problema deles" é dúbio, já que remete ao eleitor a mesma atitude e responsabilidade. Vivemos num mundo onde todos acham que o "problema deve ser resolvido pelo outro" (e que nunca nós - na realidade Eu - somos os únicos responsáveis por qualquer coisa que deva ser feita; afinal, tem tanta gente para resolver problemas e eu ando tão ocupado com meu trabalho, e tenho tantos compromissos importantes. Afinal, acreditamos que a nossa passividade provocará mudanças... etc. e tal...)
É a passividade de muitos anos (creio que desde o início dos anos 60) que acabou provocando tudo isso. Afinal os líderes atuais são formados pela parte menos nobre daqueles que souberam viver margeando o poder, puxando o saco de autoridades e fazendo-se de vítima de opressão política.
Acorda Brasil! Também vivi aquela época! Trabalhava, estudava e ainda tinha de superar toda a dificuldade que os brutalhões que compunham a Força Pública e a Polícia do Exército faziam para nos intimidar.
Abaixo um outro vídeo que vem incomodando muito alguns políticos de elevada pretensão (há uma parte da mídia que utiliza desse expediente para manter-se dona do poder):