quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os Dois Lados de Uma Mesma Moeda

Já há muito tempo que sabemos que este mundo é uma grande ilusão! Todos os fatos, independentemente à sua importância, são analizados de acordo com a versão que lhe são dadas. Por nós mesmos ou por outros...

Nosso aprendizado ocorre quando analisamos a representação da realidade pelos vários ângulos possíveis. Somente quando vislumbramos o "Outro Lado das Notícias" é que passamos a aceitar e a compreender o que ocorre à nossa volta.

Nossos olhos nos enganam. O que vemos tem a forma que nossos sentidos e filtros internos acreditam ser a "verdade".

Sempre acreditamos serem verdadeiras as informações que nos chegam com qualidades parecidas com o que somos, em nosso íntimo. Qualquer idéia contrária é excluída, sem pestanejar...

Antes de passar ao texto das cartas, publicadas no "Estadão", repasso uma breve história, atribuída a Fernando Pessoa, que é, mais ou menos, a seguinte:

"Fernando Pessoa caminhava pela rua quando encontra um amigo, que vinha em direção contrária e se mostrava bastante nervoso. Ao lhe perguntar o que havia ocorrido para estar tão irritado, o amigo lhe responde:
- Pois veja meu caro, acabo de ter uma discussão com Fulano, que você conhece também, e tive uma áspera discussão a respeito de determinado assunto. Por mais que lhe falasse ele teimava em duvidar do que lhe falava e argumentava exatamente ao contrário do que lhe dizia.
- E quais eram seus argumentos? - pergunta FP
Respondendo essa pergunta o amigo se esmera em apresentar cada um dos pontos que embasavam sua opinião. Ao final dela, Fernando Pessoa lhe diz:
- Pois não é que tens razão...
Após essa resposta o amigo, mais confortado, sorri e vai-se pelo seu caminho...
Fernando retoma sua caminhada e pouco depois encontra o tal fulano, vindo em direção contrária a que caminhava, e também com ar de poucos amigos.
Fernando, nesse novo encontro, faz a mesma pergunta:
- O que aconteceu para você estar nesse estado de irritação, meu caro?
O amigo passa a relatar a discussão que teve com Cicrano (primeiro amigo encontrado por FP), que teimava em não aceitar seus argumentos na discussão que estavam tendo à respeito de determinado assunto. Fernando Pessoa lhe faz a mesma pergunta:

- E quais eram seus argumentos? - pergunta FP
Respondendo essa pergunta o amigo se esmera em apresentar cada um dos pontos que embasavam sua opinião. Ao final dela, Fernando Pessoa lhe diz:
- Pois não é que tens razão...
Após esse segundo encontro FP vai para sua casa e relata os encontros que teve com ambos amigos e seus comentários, ao final dos argumentos ditos por cada um.
Ao ouvir toda a história, a mulher diz, repreendendo-o:
- Você é mesmo um imbecil. Não vês que deste razão a ambos?

Fernando Pessoa - tomado pelo choque da resposta - olha para a mulher e lhe responde:
- Não é que tens razão..."



Veja, agora, o texto de ambas as cartas enviadas ao jornal, e tire suas conclusões...


*Resposta de um Médico, Dr. Humberto de Luna Freire Filho, a outro médico, Dr. Aldo Pacinoto publicadas no jornal O Estado de São Paulo

Carta do Dr. Aldo Pacinoto
Date: Thu, 4 Jun 2009 12:35:10 -0300
Subject: CARTA ESTADÃO
From: producao197
To: hlffilh

Prezado senhor Humberto.

Sei perfeitamente que os leitores do jornal O Estado de S.Paulo são conservadores, muitas vezes reacionários, claramente de direita. Mas algumas cartas chegam ao cúmulo do absurdo.

Ontem um leitor disse que a culpa dos erros nas cartilhas do governo do senhor José Serra é culpa de algum "petista infiltrado" na Secretaria da Educação. Hoje, o senhor faz uma observação completamente equivocada.
Não é apenas o presidente americano Obama que elogia nosso presidente. Os elogios estão vindo de todos os continentes. É o presidente francês, é o presidente sul-africano, o premiê inglês, finlandes, alemã.

Só não vêem em Lula um grande líder pessoas preconceituosas que ainda o enxergam como um metalúrgico analfabeto. O senhor deve ser de classe média média ou alta.
Pergunto: o que piorou em sua vida com o governo Lula? O que vai melhorar com o governo Serra? É claro que a classe média não quer enxergar em Lula um presidente que tem enfrentado crises econômicas internacionais como ninguém.
O senhor lê a Economist? O El País? O Le Monde? Se ficar lendo apenas o Estadão e a Veja terá uma visão burguesa e centrada em críticas e mais críticas. Radical. O senhor sabe o quanto o atual governo melhorou a vida dos menos favorecidos? O senhor não quer que ele melhore a vida dos mais pobres?
Sou médico, não sou petista, sou classe média até digamos alta. Tinha tudo para pensar como os leitores do Estadão que mandam frases de efeito, às vezes engraçadinhas, que o jornal adora publicar. Mas, felizmente, penso exatamente ao contrário desses leitores. Graças a Deus e ao meu pai que me ensinou a olhar a vida sem radicalismos.

Atenciosamente.

ALDO PACINOTO
Curitiba



Resposta do Dr. Humberto de Freire Luna Filho

From: hlffil To: producao1972@ Subject:
RE: CARTA ESTADÃO
Date: Fri, 5 Jun 2009 01:54:52 +0000

Prezado colega Aldo
(Também sou médico - Neurocirurgião)

Antes de mais nada quero deixar claro que não sou eleitor do Sr.José Serra, sou apolítico, não filiado a nenhum partido, tenho nojo de politíca e, consequentemente, de políticos, principalmente dos atuais.
Sou a favor sim, dos princípios morais, mas, para meu desapontamento, isso transformou- se em fruta rara nos três Poderes da República no atual governo. Quero também informar ao colega que leio qualquer publicação e não só O Estado de S. Paulo e a Revista Veja, como também já viajei por meio mundo, portanto vou responder suas indagações com conhecimento, e o que é mais importante, com a independência de um profissional liberal não comprometido com governo nem com imprensa nem com igreja nem com sindicatos ou com quem quer que seja.

Quanto à sua pergunta sobre o que piorou na minha vida durante o governo Lula e as possíveis melhoras em um possível governo Serra, eu diria que não houve nem haverá nenhuma mudança. Nem eu quero que haja, porque de governo, qualquer que seja a tendência ideológica, eu só desejo uma coisa: DISTÂNCIA.

Não dependo nem nunca dependi de nenhum deles. Uma outra afirmativa sua é sobre a melhoria da vida dos mais pobres (por conta do bolsa família, imagino). Minha opinião é que bolsa família não é inclusão social, é esmola, mais precisamente compra disfarçada de votos. O pobre não quer esmola, quer escolas, hospitais,ambulatórios que funcionem na realidade. Nos palanques eleitorais já foi dito até que a medicina pública brasileira está próxima da perfeição. Só que a cúpula do governo, quando precisa de assistência médica, dirige-se ao Sirio-Libanês ou ao Hospital Israelita e chega em São Paulo em jatos particulares. O colega, como médico, não deve ignorar essa realidade.

Na área rural, falta mão de obra porque o dito trabalhador rural virou parasita do governo e não mais trabalha. Para que trabalhar? eu fico em casa e no final do mês o governo me paga. Essa foi a frase que tive que engolir, não faz muito tempo, antes de abortar um projeto em minha propriedade rural que empregaria pelo menos 50 pessoas. Quando optamos pela mecanização, vem um bando de sindicalistas hipócritas junto com a quadrilha do MST, diga-se de passagem foras da lei e baderneiros, financiados com dinheiro público, dizer que a máquina está tirando o emprego no campo.

Outro item a que você se refere é sobre a minha observação, completamente equivocada (equivocada na sua opinião), publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo. Pois é, aquela é a MINHA observação e eu espero que o colega a respeite como eu respeitaria a sua se lá estivesse publicada. E mais se você quiser fazer um giro maior, saindo portanto, da esfera do Estadão e da Veja para fugir do conservadorismo dos mesmos, (conservadorismo também opinião sua - respeito), verá que existem muitas outras publicações minhas dentro do mesmo raciocínio, coerência, independência e coragem que tenho para falar o que quero, e assumir totalmente a responsabilidade pelo dito . Colega, por favor, pesquise os seguintes jornais: Diário de Pernambuco (Recife-PE),
Diário da Manhã (Goiânia-GO), Gazeta do Povo (Curitiba-PR) , O Dia (Rio de Janeiro-RJ), Jornal O Povo(Fortaleza- CE) e outros, além de dezenas de sites e blogs.

Agora faço a minha primeira pergunta: são todos conservadores e reacionários? Não! são independentes. Não são parte da imprensa submissa e remunerada com dinheiro público, não fazem pubilicidade da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Economica Federal, do PAC, e o mais importante, não recebem ordens de Franklin Martins, (o Joseph GoebbelsTupiniquin), manipulador de informações, prestidigitador que usa o vulnerável substrato cultural brasileiro, para transformar câncer em voto.

E para encerrar, permita-me fazer mais essas perguntas:

O The Economist, o El País,O Le Monde etc. informaram a opinião pública européia sobre as dezenas de escândalos financeiros e morais ocorridos no País nos últimos sete anos e que permanecem impunes por pressão do grande lider e asseclas?
Informaram que o Congresso Nacional está tomado por uma quadrilha manipulada pelo Executivo ( 80% envolvidos em algum tipo de delito) e que conseguiram extinguir a oposição?

Informaram que a maior empresa brasileira é estatal e ao mesmo tempo usufruto do governo, e que o mesmo tenta desesperadamente blindá-la contra qualquer fiscalização?
Informaram que 40% dos ministros e ex-ministros desse governo respondem a processos por malversação de dinheiro público?

Eu acho que os chefes de estados da Europa não sabem dessas particularidades. Por muito menos estão rolando cabeças no Parlamento Britânico, e com uma grande diferença, o dinheiro lá desviado é devolvido aos cofres públicos; enquanto aqui parte é rateada; parte é para pagar bons advogados, e outra parte é incorporado ao patrimônio do ladrão.

Casos exaustivamente comentados na imprensa vem ocorrendo há anos com pelo menos cinco indivíduos que hoje fazem parte ativa da base de sustentação do grande líder. Isso para não falar de coisas mais graves como os assassinatos dos prefeitos de Campinas e de Santo André, envolvendo verbas de campanha. Crimes esses nunca esclarecidos e cujos cadáveres permanecem até hoje no armário do PT.
Portanto, ver Luiz Inácio Lula da Silva como um líder é querer forçar um
pouco. Para mim, ele não passa de papagaio de pirata de Hugo Chavéz. Veja a sua última pérola:

"O Brasil acha petróleo a 6 mil metros de profundidade, por que não acha um avião a 2 mil".
Isso não é pronunciamento de líder em um evento público envolvendo dezenas de chefes de estado. Isso cairia bem em reunião de sindicato ou em mesa de botequim. Caracteriza oportunismo vulgar.

Moro no Brasil, sei ler e não sinto azia quando leio. Não sou preconceituoso nem radical, modéstia a parte, sou esclarecido, e se combater corrupção é radicalismo, aí sim, sou RADICAL, e estou pronto para qualquer coisa como todo nordestino.. . de caráter.


Atenciosamente.
Humberto de Luna Freire Filho
São Paulo*