quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Origem e Finalidade do PT

Bandeira A Democracia é caprichosa! Somente ela admite a convivência de pessoas com variadas tendências políticas ou ideológicas.

A possibilidade de alternância de poder, sem que haja sufoco (ou eliminção) dos considerados “inimigos políticos”, quando derrotados nas eleições, dá um certo conforto e quase certeza de que haverá continuidade…

Nos velhos arquivos encontrei o texto abaixo. De tão antigo não há mais sinal de sua autoria. Entretanto, mantém a coêrencia e a atualidade, especialmente num tempo de eleição presidencial.

Que possa parecer desnecessário, pois estamos num Fórum de Debates, gostaria de solicitar especial atenção ao relato que estou fazendo a seguir. É baseado em informações que recebi durante uma conversa que ocorreu em meados de 2002, portanto pouco antes da ascensão da candidatura Lula à Presidência da República.

Creio que todos nos recordamos do início do ano eleitoral de 2002. Bush como Presidente Norte-Americano (cargo conquistado de forma inexplicável). No Brasil despontava a candidatura de Ciro, aparentemente o preferido dos banqueiros norte-americanos. O PFL, tendo em conta o prejuízo que o voto vinculado lhe causaria, provoca um “escândalo” com a Roseana que lhe possibilita “desgrudar-se” da aliança que mantinha com o PSDB. Como bom estrategista o Partido vê a oportunidade de fortalecer-se crescendo nas bancadas do Senado e da Câmara, alem de tentar o governo em alguns Estados. Tanto é que, após a fase do desligamento não se falou mais de Roseana ou da origem do dinheiro encontrado em poder de seu marido. Ficaram restritos aos seus “cantos”.

O Ciro – por sua própria ação – despenca do cenário eleitoral. As novas possibilidades são incertas. O então Presidente FHC mantém um discreto apoio ao candidato de seu partido: José Serra. Garotinho tenta alguma evolução apoiado nos evangélicos. Não foi suficiente. Lula vinha mantendo-se com os mesmos clamores da “direita” que se declarava temerosa de uma eventual vitória petista. Os outros candidatos não oferecem motivos de relato especial. Essa indefinição foi até junho, com algumas cartadas do PSDB favorecendo seu candidato mediante uso da mídia (Rede Globo, especialmente; que chegou a fazer transmissões através da rede de antenas parabólicas, levando Futebol e Discurso pró Serra). Parecia que o candidato chegaria liderando ao 1º turno; o segundo candidato poderia ser Garotinho ou Lula. O Ciro já estava “fora da jogada”.

O posicionamento de Serra destaca-se por parecer manter-se “independente” das ações de FHC. Tem opiniões que contrariam aos interesses do Poder Instituído. Começa a ficar isolado... sua atitude quixotesca apresentando “alvos e metas” que a população não consegue (até por causa da distorção provocada pela mídia) entender a pretensão do candidato. Sente que tem um discurso nacionalista duro; contra a ALCA e as dependências que o país vinha caminhando, ao capital internacional e a importância de uma administração “forte”.

A partir daí a candidatura Lula ganha um importante cabo eleitoral. O próprio Presidente FHC – que abandona qualquer apoio efetivo ao candidato do PSDB – passa a agregar votos e confiança ao candidato Lula. A direita reage! Só um pouquinho e só no princípio. Depois mantém uma crítica discreta; mais para dizer que “esta contra”! no fundo fica claro que “não existe mais o ‘temor’ da entrada do PT no Governo”. As ações eleitorais cristalizam-se entre os candidatos do PT e do PSDB.

Agora o relato que ouvi nessa época (meados de 2002). A mudança de apoio da “opinião pública” (claramente manipulada pela mídia e caciques políticos) é muito clara. A razão para isso? É simples... e estarrecedora (ao menos foi para mim à época). O objetivo é “acabar com o PT”. “Ele já havia cumprido o papel que lhe havia sido destinado quando de sua criação”.

???

Como assim?!?

O relato, a seguir, ainda que não esteja entre aspas, é de terceiro. E é o seguinte:

- O PT foi uma criação (invenção) do General Golbery do Couto e Silva. Sim. Você leu direito. O PT foi uma idéia concretizada pelo General que ocupava a Casa Civil no Governo Figueiredo. E as razões são simples:

- O Governo Militar já havia se esgotado e passava da hora de entregar o poder, novamente, aos civis. Era uma missão que o General Figueiredo tinha “ordem” de cumprir integralmente. Era o momento de se promover a abertura. O retorno de todos os exilados políticos que viviam em outros países... dentre esses exilados alguns nomes conhecidos: Arraes, Brizola... Brizola! Um líder temido pelos militares. Dono de um carisma e um poder muito forte sobre os trabalhadores brasileiros. Ainda era viva a lembrança do PTB de Getúlio, de João Goulart “a quem muitos brasileiros idolatravam”. Era um temor muito forte dos militares que, caindo o poder na mão de algumas pessoas, houvesse a retaliação vingativa contra os mesmos. É provável que tivessem consciência dos atos cometidos e antevissem o julgamento que eles próprios fariam, se em campos contrários...

Era preciso, então, minar o poder desses exilados, antes que se mobilizassem e conquistassem o apoio do povo... naquele momento, final dos anos 70 o Brasil experimentava, especialmente em s. Paulo, na região do ABC, o enriquecimento proporcionado pela indústria, notadamente a indústria automobilística que agregava um grande número de trabalhadores com uma remuneração privilegiada em relação aos demais trabalhadores de outras áreas. Nascia o Metalúrgico. Uma atividade invejada por muitos. Era um grande status trabalha em uma das montadoras, naquela época. Essa mesma indústria, entretanto, tinha sua estratégia definida em seus países de origem, de acordo com a estimativa que faziam de crescimento ou diminuição do mercado consumidor. Ao final dos anos 70 ocorreu, também, o 2º choque do petróleo, provocando uma recessão da economia mundial e, conseqüentemente, no Brasil e no seio dos metalúrgicos. A dispensa dos trabalhadores gerou o crescimento dos sindicatos e estes passaram a ter algumas conquistas, decorrentes do trabalho e militância desses trabalhadores.

Foi visualizando essa situação que o astuto General provocou a gestação de novas lideranças no seio dos trabalhadores. Apresentando-lhes a importância de uma atividade política coordenada e permanente que possibilitasse a manutenção dos direitos de todos os trabalhadores. As lideranças nós ainda nos lembramos; a conclusão também. Foi fundado o Partido dos Trabalhadores com uma liderança muito forte; de um líder nascido no seio do, quase certamente, maior centro de trabalhadores do Brasil. O chamado ABC.

Em que isso interessava aos generais? Ora, dividindo-se os trabalhadores brasileiros em mais de uma liderança haveria, sem dúvida, o enfraquecimento de quem estava para chegar ao país. E assim foi. Não contente com essa divisão, foi imposto uma nova cizânia. A antiga sigla do partido PTB era também disputada por Ivete Vargas, que se dizia “herdeira” do PTB. Foi um Brizola amargurado por mais uma derrota que nasceu o PDT. Que chegaria em terceiro lugar na primeira disputa para presidência, pelo voto direto, nas eleições de 1989. o General tinha razão de o temer!

Muito bem! Essa, segundo o relato que recebi, a origem e a razão principal da criação do PT. E qual o motivo de se “acabar com o PT” neste momento (meados de 2002)? A explicação foi tão ou mais fantástica que a de sua origem...

A melhor maneira de facilitar o ingresso do PT era “combinando” que ele se incumbiria de fazer reformas estruturais extremamente importantes e necessárias ao País. Especialmente a Reforma da Previdência, que causaria uma grande perda à classe trabalhadora. Somente um partido identificado com esses trabalhadores é que conseguiria “realizar essa missão árdua” sem que houvesse uma agitação popular. O PT estaria entrando, então, para realizar o “trabalho sujo” que os outros partidos não conseguiram ou temiam fazer. Esse desgaste de aprovação de reformas anti-populares provocaria, também, um desgaste do partido, acelerando sua queda...

Pois é! Esse o relato. O resto dá pra sentir na leitura dos jornais diários e acompanhamento das notícias da mídia. O desgaste que está sendo imposto ao PT vem colocando em risco as instituições nacionais; aparentemente os arquitetos dessa ação não temem nenhum risco e continuam com a execução do que foi planejado!

É isso aí. Quem viver verá...