terça-feira, 30 de novembro de 2010

A violência que criamos…

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Crianças do Conjunto do Alemão cumprimentam militares ao seguirem para a escola (Foto: Glauco Araújo/G1)

Estive na cidade do Rio de Janeiro, nesta última semana. Ainda que boa parte dos políticos e líderes (alguns nacionais) teime em “trabalhar” contra, a cidade, com sua natureza exuberante, continua maravilhosa.

Foi uma semana com notícias diárias sobre acontecimentos ocorridos em vários pontos da cidade e região metropolitana, mostrando imagens de atos de terrorismo e guerra, ante uma população que, surpreendentemente, se fortaleceu e resolveu, pelo menos, NÃO SENTIR MEDO. Claro que há cuidados, ninguém se expõe desnecessariamente; as empresas liberam seus funcionários mais cedo, para que possam chegar em casa com um mínimo de luz natural, já que estamos no horário de verão.

Por mais surpresa que possa causar vi pessoas que – diariamente – usam 3 horas pela manha e 3 horas à tarde para chegarem aos seus locais de trabalho. Parece-me totalmente insano a sociedade admitir que grande parte dela despenda até 25% de cada dia em deslocamento. Quanta riqueza esta sendo desperdiçada! Será falta de administradores, de sociólogos, ou de vergonha na cara?

Há muitos anos a sociedade brasileira convive com a violência. Nesse período tem adotado, na maioria das vezes, atitudes hipócritas, que nunca buscaram dar a solução necessária para cadaa uma das questões que compõe essa questão, sem dúvida complexa...

A sociedade que alimenta o tráfico de drogas é formada pela própria sociedade. O número de dependentes cresce continuamente. E, pior, aumenta a potência do mal que a droga causa. Mesmo assim temos leis que abrandam os crimes cometidos num “estado de crise de abstinência” ou motivados “pelo uso de drogas”. A quem está se protegendo, afinal?

É comum encontrarmos, nas capitais e grandes cidades, barracas, carrinhos, etc. dos chamados “vendedores ambulantes”. A maioria deles (ou pelo menos a aceitação pela sociedade) teve origem nos anos 70, com pessoas que viviam à margem do sistema ( os “hippies” da época pós Woodstoc). Não aceitavam “trabalhar para o sistema” e, para sustento próprio e da família, produziam e vendiam uma série de artesanatos.

Era comum ouvir das pessoas da sociedade a frase: “Pelo menos não estão roubando...”

Esse pensamento da sociedade previa que, se ela não aceitasse o trabalho marginal e ilegal, essas pessoas se voltariam, de forma violenta, contra elas.

No início dos anos 80 o Brasil quebrou. Literalmente. Houve o maior enxugamento do Estado, especialmente na sua folha de salários. Havia uma grande quantidade de funcionários públicos de altíssima qualidade profissional. Os serviços prestados pelas empresas estatais e pelo próprio Estado eram muito superiores aos que recebemos hoje, mesmo de empresas privadas que “fazem” os serviços que seriam, constitucionalmente, da responsabilidade do Estado (Educação, Saúde e Segurança).

A certeza da impunidade e de que a classe mais rica da população (além da classe política) é quem melhor se locupletava dessa atividade ilegal foi se fortalecendo, graças a omissão (ou medo) da população que ainda é, em boa parte, de trabalhadores e honestos.

Deu no que está aí. As cidades dominadas, o estado impotente e o país com governantes vivendo numa Ilha da Fantasia, só falando e fazendo besteiras, gastando dinheiro sem o menor critério ou responsabilidade. Sustentados por uma democracia da barriga vazia e da garantia de sustento sem ter de trabalhar, ou mesmo estudar.

Um país que vibra com a justiça que vê nos cinemas, em filmes como TROPA DE ELITE, por exemplo, que deixa evidente a mistura entre políticos, o crime organizado e o policial corrupto.

Quem sabe, agora, com essa reação na cidade do Rio de Janeiro, a população brasileira resolva terminar com a extrema violência que nós mesmos criamos!