domingo, 7 de fevereiro de 2010

À quem serve o "Graal"?

     Quase sempre que me deparo com um jovem mal educado digo que seus avós deveriam ser surrados em praça púbica...
     Aos que me olham esclareço que esses avós deveriam ter ensinado aos filhos a importância da Autoridade, o valor da Disciplina e, claro, a Educação e o Respeito.
"É a nossos filhos que pagamos a nossa dívida para com os nossos pais." (Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo)
     Os pais, preocupados em cumprir seu papel, entregam seus filhos às melhores escolas, acreditando que estas irão cumprir com a obrigação de educadores. Ledo engano!
     As escolas mal conseguem prestar informação elementar aos seus alunos. Normalmente mantém um quadro de professores mal pagos e insatisfeitos. E que não recebem o menor sinal de respeito pelo que fazem. Aliás, se exercerem alguma autoridade terão reprimendas por parte da direção e dos pais dos alunos, que aprendem - desde cedo - o fascínio do poder tirânico que podem exercer sobre os adultos.


No Brasil de hoje não é mais o mérito que determina o valor das pessoas, mas sua ideologia. Sua cor. Sua raça. Falar bem o idioma é motivo de piada. Ser elite é quase uma maldição. Música de sucesso é aquela que for mais escatológica. O homem honesto aparece na televisão como se fosse algo inédito. Roubar é normal. Bala perdida é normal. Corrupção é normal. Vivemos uma inversão de valores sem precedentes e é contra esse estado das coisas que devemos gritar” (Luciano Dias Pires Filho)

     Quando o filho ultrapassa a idade de 20 anos, fazendo ou tentando fazer vestibular para uma carreira que lhe foi estabelecida pelos pais e adultos, ele já está suficientemente deseducado. Sabe que pode exercer seu poder sobre os pais, e mente até para si mesmo, atribuindo a outros os fracassos que vai acumulando.
     Na busca de soluções esses pais acabam causando mais mal do que bem. Descarregam sua ansiedade (e culpa) sobre o jovem, que, para livrar-se da pressão vai aceitando ser conduzido de um lado para outro. E sempre encontrando algo ou alguém a quem atribuir seus fracassos.
     Pais frustrados, em carreiras bem sucedidas financeiramente e verdadeiros fracassos em realização pessoal, continuam a delegar a terceiros a responsabilidade que lhes cabia. Como alguém pode culpá-los se "escolheram as melhores escolas e os melhores educadores aos seus filhos?"




A primeira vez que você vier a mentir e eu acreditar, a culpa será sua. A segunda, será minha” (Theodor Boehme)

     Esquecem-se de que o aprendizado efetivo ocorre pelas atitudes presenciadas ao longo da vida; nunca numa sala de aula onde um desconhecido, desvalorizado e totalmente desmotivado professor tenta passar - de forma arcaica informações sobre conhecimentos que não são (ou não estão) alinhados com o que vivenciam, em casa ou fora dela.
     A sociedade tinha, até há pouco mais de trinta anos, alguns rituais que marcavam a mudança de estado dos jovens, de crianças passavam à condição de adultos (Homens), com nítido conhecimento sobre suas responsabilidades e limites.
Isso foi abolido. Especialmente para os meninos; que continuam crianças até a idade de 30 ou 35 anos. E os pais acham isso "maravilhoso"; a dependência desses filhos aparentemente confere um grande poder aos pais. Tudo errado!
     Por ser totalmente dependente (mora na casa dos pais, tem carro, roupas e alimentação feita na hora e a qualquer hora, traz a namorada para transar dentro de casa, já que isso faz com a mãe sinta-se mais segura em relação ao filho, etc.) ele não adquire qualquer noção sobre a consequência de seus atos.
     Para conseguir dinheiro, além da mesada que recebe (ele não consegue ter um emprego, ou permanecer num por muito tempo), ele torna-se presa fácil de pequenos atos ilícitos, que lhe rendem algum trocado... até chegarem às drogas (pode começar a fazer negócios com ela e, muito provavelmente, tornam-se usuários após algum tempo).
     Com a total ausência de valores na formação dos jovens sua recuperabilidade é cada vez mais difícil. Até chegar o momento em que os pais, colocando-se na condição de vítimas, não sabem mais à quem atribuir sua culpa.
     Nesse ponto todos perdemos. Perdemos o cidadão potencial, perdemos os pais que ficam amargos, frustrados e depressivos, perdemos o futuro!
     Num momento em que assistimos a tantas histórias, presenciamos a tantas tragédias humanas, é chegado o momento de revivermos os antigos mitos para tentarmos mudar o comportamento e a atitude que temos com nossos filhos e netos.
     É preciso permitir que a Natureza haja, sem estabelecermos regras ditadas pelo nosso ego ou antigas frustrações. Um pálido exemplo disso é um fato bastante corriqueiro nos dias de hoje:
  • Crianças passam do prézinho para o primeiro grau em idades cada vez menores. Que condição terá a criança quando, antes da puberdade tiver de conviver com vários amiguinhos, todos púberes e com outras ideias ou interesses, causando uma grande confusão em sua cabeça.
  • Os pais disputam por escolas renomadas, sem importar-se em avaliar os interesses e/ou necessidades de seu filho. A eles interessa poder "bater no peito com orgulho" e dizer que seu filho estuda nesta ou naquela escola...
  • As promessas e indução para escolha de carreiras, impostas aos jovens no período pré vestibular, assemelha-se à tortura; além das terríveis comparações com outros que "tiveram sucesso".
  • Acreditar que todo o conhecimento necessário à formação do filho será obtido na escola; e que ele só irá ter acesso ao que realmente for necessário "à sua boa formação"...
     Costumava dizer que a educação que damos aos nossos filhos é como um bilhete de loteria. O custo desse bilhete corresponde a toda a dedicação e orientação que lhes damos. Tenho certeza de que todo Pai age, sempre, com a melhor das intenções nessa atribuição indelegável...
     Precisamos de 20 anos para sabermos se o "bilhete que compramos" foi premiado...