quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Descobri que sou um Ignorante e Dependente; e Você?

HelpAté meados da década de 1980 meus recursos para desenvolver meus trabalhos profissionais constituíam-se, basicamente, de lápis, borracha, caneta e papel.

Claro que o produto final do que elaborava era enviado à secretária que fazia a datilografia do mesmo, produzindo o relatório, objeto do trabalho realizado. Depois de pronta a datilografia iniciava a etapa de revisão e correção, que implicava, normalmente em retrabalho, de minha parte e por parte da secretária.

Facilmente encontrava as “ferramentas” necessárias para a realização do trabalho. Uma das sofisticações era, na época, o uso de máquina calculadora eletrônica, que me maravilhava e nem fazia idéia de como funcionava. Apenas confiava nos resultados que apresentava; e pronto!

Hoje, todo meu trabalho e de meus assistentes, é desenvolvido em uma tecnologia colocada à nossa disposição facilitando, enormemente, a eficiência do trabalho realizado.

Planilhas eletrônicas se encarregam de informar correta e rapidamente, cada resultado e dado que lhe tenha inserido. Todos os trabalhos passaram a contar com essa ferramenta. Claro que ela, aliada ao Editor de Texto, dispensa quase que completamente o trabalho da secretária.

Naquela época, se faltasse energia para a máquina de datilografia elétrica, bastava deslocar o trabalho para uma máquina de escrever manual. Máquinas de calcular eram, também, manuais em sua maioria. E os cálculos podiam ser feitos mentalmente, sem necessidade de máquinas.

Quando me lembro daquela época, e comparo com a tecnologia disponível, observo que hoje sou totalmente ignorante sobre que recursos usar se, por exemplo, faltar energia elétrica por um período superior a carga que as baterias da maior parte dos aparelhos suporta. E a comunicação então? As facilidades de conversarmos ou enviarmos uma mensagem a uma determinada pessoa tornou-se quase que instantânea.

Basta um simples movimento de dedos e pronto! Resolve-se qualquer questão pendente...

Agora posso, com os mesmos aparelhos: trabalhar, de forma isolada ou partilhada com outros colegas; informar-me; acessar outras pessoas; estudar; etc. Posso me sentir no Mundo, permanecendo no mais profundo isolamento.

Tudo isso; toda essa tecnologia e recursos disponíveis funcionam sem que eu consiga saber bem como. Sou leigo (ou isso é um sinal de ignorância?) e totalmente despreparado para lançar mãos de alternativas que não correspondam ao uso de aparelhos que, ao longo dos anos, vão ficando cada vez menores; sofisticados e menos compreensíveis quanto à forma como funcionam.

Tornei-me, como a maioria das pessoas com quem convivo social e profissionalmente, totalmente dependente da tecnologia, que nos incita a buscar mais e mais novidades. Somos dependentes (viciados?) em novidades.

Cada vez mais investimos nosso tempo – e dinheiro – para conhecer os novos lançamentos, tanto em termos de aparelhos como de facilitadores de nossos trabalhos.

O resultado de tudo isso?

Estamos – cada vez mais – escravos da tecnologia que nos permite trabalhar em qualquer lugar em que estivermos e sermos “acessados” por todas as pessoas, em qualquer horário ou local em que estivermos.

Fica a pergunta se tudo isso nos tronou mais produtivos ou dispersivos...

Agora, além de ignorante e dependente, avançamos cada vez mais nas horas do dia que seriam destinadas ao lazer e ao descanso. O que tende a nos transformar pessoas muito diferentes daquelas que nasceram na metade do século passado.

Se isso é bom ou não, só com o tempo saberemos...