terça-feira, 13 de abril de 2010

Tempos Modernos às avessas

É assim que os Sindicalistas e Líderes do PT ainda imaginam que seja a relação entre trabalhadores e empresários.
Já estão mumificados e acreditam que o mundo é dividido entre os que têm e não têm dinheiro.
Há algum tempo venho conversando com várias pessoas sobre a questão da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas.

Sei de Deputados, coerentes com sua linha de pensamento e vontade da maioria de seus eleitores, que votarão contra a medida; ainda que isso possa lhes trazer impopularidade (ao menos no meio da grande massa, que pensa com o estômago, apenas). Isso é um ônus político enorme, pois sempre que forem candidatos, esse tipo de votação populesca será lembrado contra eles...

Imagino ser muito difícil derrubar tamanha asneira num ano eleitoral. A imprensa apresentará, como sempre faz, os quadros dos que votaram a favor e contra a emenda. E, também como sempre, não se darão ao trabalho de apresentar qualquer informação adicional sobre as consequências do ato.

Acabo de ler um texto que me chamou a atenção. Trata-se da notícia da Agência Câmara, informando que "Redução de Jornada ampliará a automação da indústria".

Agora começam a ficar claras algumas das possibilidades arquitetadas:
  1. É uma PEC eleitoreira, que favorecerá todos os candidatos que votarem favoravelmente à sua aprovação.
  2. As consequências futuras serão sempre atribuídas às "práticas do capitalismo selvagem", contra o trabalhador.
  3. A redução dos postos de trabalho (ao menos o tipo de trabalho que é facilmente substituído por tecnologia acessível) é uma consequência natural, decorrente da própria evolução tecnológica. Só que os empresários que tomarem essa medida terão, por desculpa, o aumento de custo gerado pela redução da jornada de trabalho.
  4. As empresas que não tiverem condição de investir na tecnologia, por questões de capital ou especificidade de sua atividade, encontrarão meios de promover-se na esteira da "responsabilidade social", ou criando uma nova categoria de trabalhadores com custos sociais menores (tudo em favor do "emprego": novos postos ou manutenção dos anteriormente existentes).
  5. A vantagem somente ficará com as empresas vendedoras de tecnologia e com os lobistas de plantão.
Agora, convenhamos... pedir a um Deputado que "pense no povo", mesmo em época de eleição é pedir demais, não é?

Aliás... será que há, ainda, pessoas que pensam em nosso país?