segunda-feira, 4 de maio de 2009

Gripe Suína. Os exageros que podem causar um bem!

A mídia mundial, por conta de sua ânsia em apresentar manchetes de impacto, corre um sério risco de descrédito perante a população em geral.
As informações contidas no texto de Paulo Nogueira, evidencia alguns dados que nos fazem refletir - com um pouco mais de profundidade e seriedade - o que vem sendo anunciado pela mídia.
Não pretendo analisar esse fato sob o ponto de vista de ser ela uma "crise criada" para garantir ganhos de determinadas corporações, ainda que à custa de vidas humanas. Isso é matéria para um próximo "post" assim que tiver mais algumas informações sobre as movimentações financeiras que estão ocorrendo, enriquecendo alguns poucos investidores. Isso fica prá próxima...
O que desejo, além de passar uma informação rica em conteúdo, é aproveitar para reforçar um hábito que parece ter sido esquecido pela grande maioria das pessoas: LAVAR AS MÃOS!!!
Se, de toda essa encenação (não tenho mais muitas dúvidas sobre o exagero que está havendo) resultar a retomada desse hábito: LAVAR AS MÃOS, a mídia, mesmo correndo risco de se ver desacreditada, nos terá prestado um grande benefício.
É com o simples ato de lavar as mãos antes das refeições e após usar o banheiro, em especial, que poderemos ter uma melhoria da saúde pública!
Acreditem!
Nas cidades brasileiras, mesmo aquelas que estão na Região Metropolitana das Capitais, a população carece de noções de higiene. Basta viajar 100 km de qualquer capital brasileira para se constatar o fato. Triste fato!
Abaixo o texto:
Os Alarmes sobre a Gripe Suína são Exagerados?de 

Gripe

Está havendo exagero nos alarmes feitos em relação à gripe suína pelas autoridades de saúde no mundo - e ecoados pela mídia? É uma questão que é cada vez mais levantada à medida que novos números e conclusões vão surgindo.

“Fico indignada quando vejo a gripe suína, ou H1N1, ser chamada de ‘vírus mortal’”,escreveu anteontem no site do New York Times a médica e jornalista Elisabeth Rosenthal. “Não houve nada, até aqui, que indicasse que essa gripe é mais mortal que as gripes comuns.”

Elisabeth lembra que pandemias potenciais dão “boas manchetes” e pessoas usando máscaras, “boas fotos”.  O principal conselho dela: lavar bem as mãos. (Numa entrevista que concedeu à imprensa, o presidente Barack Obama aproveitou para transmitir a mesma mensagem aos americanos: lavar mais as mãos.)

Máscaras, ainda segundo Elisabeth, têm escassa valia. Servem mais do ponto de vista psicológico ao fazer o usuário se sentir protegido. Quando bem colocadas, tornam difícil a respiração. E do ponto de vista social são negativas: dificultam as conversas e evitam que a gente veja se nossos interlocutores estão rindo ou crispando o rosto.

O médico Richard Besser, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, pertencente ao governo americano, está dizendo coisas parecidas em relação á gripe suína. “Estamos vendo sinais encorajadores de que este vírus, até aqui, não parece mais perigoso do que o que se vê nas épocas habituais de gripe.” A maior parte dos casos nos Estados Unidos, segundo o centro, é branda - um padrão que parece repetir o que está acontecendo em outros países. Hoje, no momento em que este texto está sendo escrito, os números oficiais da Organização Mundial da Saúde, a OMC, indicam que estão confirmados 985 casos em 20 países. O número de mortes confirmadas é baixo: 26.

O H1N1 não mostrou até agora ser capaz de mutação. Era - e é - o maior temor das autoridades médicas. O vírus H5N1, uma mutação do vírus original da gripe aviária, matou mais da metade das pessoas infectadas. Todas as pandemias do século passado -  a de 1918, a de 1957 e a de 1968 - tiveram em comum um vírus mutante.

Um enigma ainda não foi desfeito: por que a gripe suína está atingindo mais jovens do que velhos. A idade média dos pacientes, nos Estados Unidos, é 17 anos.

O que é certo, até aqui, é que existe uma pandemia de pânico no mundo. Na China, cerca de 70 mexicanos foram postos compulsoriamente de quarentena em hospitais e hotéis pelas autoridades locais. Nos Estados Unidos, 80.000 alunos desde a quinta-feira passada estão, também compulsoriamente, em casa e não nas escolas no Texas. O governador Rick Perry disse que os problemas do estado estão sendo exacerbados pelo “alarido da mídia”. No México, onde começaram os problemas, as missas foram suspensas. “É doloroso ver as igrejas vazias no domingo, mas tomamos essa decisão em solidariedade às autoridades de saúde”, disse a Igreja num comunicado.

O grande desafio para a mídia, como alguém notou, é achar o tom certo e responsável para dizer, num cinema lotado, que talvez haja fogo. (É algo que passa ao largo dos tablóides britânicos. Uma manchete recente do Metro dizia que 120 milhões de pessoas poderiam morrer.)

O desafio não só para a mídia, aliás. Também para os especialistas em saúde. A OMS estaria exagerando em suas ações? “Não estou prevendo uma explosão do vírus, mas se isso acontecer e não estivermos preparados, terei fracassado”, diz Margaret Chan, diretora da OMS. “É melhor exagerar nos preparativos do que não se preparar.”

O médico britânico Ben Goldacre escreveu um artigo provocador para o jornal londrino The Guardian. Goldacre contou que foi procurado por jornalistas de vários órgãos para falar sobre “o outro lado”: o possível exagero. “Precisamos de alguém que diga que essa história está sendo overhyped”, Goldacre diz ter ouvido de um jornalista. “Presumi que a mídia estava, roboticamente, buscando o ‘equilíbrio’.”

Goldacre escreveu que em casos recentes como o da gripe aviária os riscos não se materializaram. Mas mesmo assim eram riscos. “Nunca fui atropelado por um carro, mas não é estupidez pensar nessa possibilidade”, afirmou Goldacre.  Seu artigo teve repercussão transatlântica: o site do New York Times, num texto que discutia exatamente o eventual exagero da mídia e das autoridades em relação à gripe suína, transcreveu trechos inteiros de Goldacre. A busca forçada do “outro lado” neste episódio, segundo Goldacre, reflete “a perda total de confiança da mídia em sua própria capacidade de nos dar os fatos”.

Parte do pânico no presente caso se explica no comportamento típico de todos nós, em nossa dificuldade de lidar com grandes números, como notou o engenheiro Dirk Brockmann. Ele está usando técnicas de computação para fazer projeções sobre o curso da gripe entre os americanos. “Se existem 2.000 casos de gripe num país de 300 milhões de habitantes, a maioria das nós tende a se ver entre os 2.000, e não entre os 299.998.000″, diz Brockmann.

E então, o que fazer?

Como num serviço meteorológico, alguém notou, o que você ouve em relação às expectativas sobre a gripe suína pode acontecer - mas também pode não se confirmar no dia seguinte. Em todo caso, convém consultar o serviço meteorológico.