quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Democracia Brasileira. Quanta Bobagem, meu Deus!

Na verdade nada temos a reclamar. Afinal dispendemos muito esforço em ‘conquistar a democracia em que vivemos’.

Não se trata de querer outro tipo de governo; afinal democracia é, segundo já dito há bastante tempo, a forma menos ruim que existe!

Agora, falando sério… dá muita vergonha vermos o estágio de ignorância, dependência e safadeza que levamos a palavra: “democracia”, alcançar! Está no último dos infernos! Lá nada resiste; muito menos a verdade e a coerência.

De que valeu a denúncia feita pelo wikileaks dos roubos, dos desvios de dinheiro para o exterior, da absurda ladroagem que vem sendo praticada pelo clã ‘sarney’ (entre aspas por isso não ser nome, apenas uma forma de tratamento dado a alguém; provavelmente com nome Nei).

Sem dúvida que sabemos o quanto custa o Congresso. Sabemos estimar, também, quanto custa as Assembleias Estaduais, as Câmaras Municipais… além dos amigos dos apadrinhados pela política ‘conquistada pelo voto direto’.

Essa tal mania do ‘políticamente correto’ só podia acaba nisso. Numa bobagem sem fim. Maior do que todo o universo…

A seguir o artigo de Dora Kramer, precedido do comentário recebido:

Reeleito José Sarney para a presidência do Senado. O mesmo político que mandou censurar um jornal da estatura de O Estado de São Paulo. Motivo: esse periódico ousou publicar falcatruas envolvendo um dos filhos deste "ilustre" político maranhense. Até hoje o jornal permanece censurado.Triste país o Brasil.

A falência da elite

Dora Kramer, O Estado de S. Paulo

Nunca foi tão verdadeiro o bordão da ex-senadora Heloisa Helena sobre o "balcão de negócios" que se instalara na Praça dos Três Poderes e comandava as relações políticas no Brasil.

O que há algum tempo era denúncia de uma personalidade rebelde hoje é voz corrente entre os parlamentares. Amanhã poderá - não se duvide disso - vir a ser prática reconhecida oficialmente, tal a rapidez com que se deteriora o Poder Legislativo.

Há cinco anos a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara foi um ponto fora da curva. Hoje, a escolha de deputado inexpressivo junto ao público para dirigir a Casa é fato aceito, padrão incorporado. Amanhã poderá vir a representar o curso natural das coisas.

Há dois anos causou espanto a quantidade de irregularidades reveladas a partir da eclosão do escândalo dos "atos secretos", mediante os quais a diretoria do Senado fazia e desfazia ao arrepio da lei, do regimento e da transparência.

Hoje ainda não se reduziram os funcionários de confiança, afilhados políticos seguem em seus empregos, não houve punições significativas. Da reforma administrativa prometida só se conhecem os R$ 500 mil pagos à Fundação Getúlio Vargas por um projeto que deu em nada e aumento de salários.

Hoje será eleito pela quarta vez o presidente que, ao assumir o posto pela terceira vez, em 2009, passou um ano como protagonista de uma crise que revelou desvios de conduta em série e só não resultou em renúncia por interferência do então presidente da República.

Sob incrédulo desdém geral e a tolerância desarticulada de suas excelências, José Sarney (PMDB-AP) consagra-se como o mais qualificado entre os 81 senadores. Mal visto pela opinião pública, mas, no dizer dos nobres colegas, o melhor e mais indicado para presidi-los.

Aqui merecem destaque os parlamentares de oposição. Muitos, não todos, clamaram pela regeneração da Casa. Quando viram que não daria resultado, dobraram-se docemente às conveniências corporativas. E isso sem o pretexto do dever de ofício frente às exigências de uma estratégia governista.

Um exemplo: nem um pio sobre a condução da Comissão de Orçamento. É possível que tenha a ver com acerto feito com o então relator Gim Argello (antes da apressada e conveniente renúncia) para o aumento das verbas do fundo partidário? Muito provável.

Amanhã, quando surgirem novas denúncias nenhum senador poderá dizer que a cigana os enganou. Mesmo entre os que chegam agora raros são os neófitos, todos sabem muito bem por onde andam as cobras e, ainda assim, aceitam as regras tais como elas são.