quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

l'État c'est moi!

bode preto
          Quando analisamos a história num período de tempo maior observamos que tudo se mantém absurdamente igual…
          A História se repete… se perpetua…
          Vejam este diálogo e reflitam:
Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV:

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...

Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é
diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se...Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criam-se outros.

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível.

Colbert: E então os ricos?

Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como havemos de fazer?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente situada entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais,sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável.
É por isso que não há como se pensar em sustentabilidade em termos de Estado. Tampouco pensarmos em punição a culpados, se estes pertencem a classe nobre dos amigos do Rei.
Realmente – e ao menos por algum tempo – só se resolve ‘CORTANDO AS CABEÇAS’!