quinta-feira, 24 de abril de 2008

Fatos que ainda existem, e devem ser continuamente analisados

A mídia é incrivelmente dinâmica. As notícias que ocupam as pautas semanais alternam-se constantemente. Os assuntos que ocupam as principais manchetes num determinado tempo passam totalmente despercebidos, assim que surge algo novo para atrair a atenção das pessoas. Passam a debater o novo assunto e esquecem-se, completamente, dos demais assuntos, independentemente à sua importância, quase que instantaneamente.

Nestas últimas semanas temos ouvido, além do terrível caso da morte da menina Isabela, assuntos diversos relativos ao vôo feito pelo incauto Padre, com uso de balões de festa, e que está desaparecido, provavelmente no litoral Sul (entre Paraná e Santa Catarina); ocupa também esse tipo de notícia a ocorrência de terremoto no mar que, pela sua intensidade, foi sentido em vários estados brasileiros.

Não podemos esquecer o caso do Etanol, produzido no Brasil, acusado como um dos prováveis causadores da crise de alimentos, que vem sendo anunciada, já há algum tempo, pela própria ONU.

Claro. São assuntos de interesse geral e que devem ser divulgados. Só que nestes dois últimos dias não percebi nenhuma nova informação sobre a questão do “terceiro mandato” presidencial e nem a respeito da CPI dos cartões corporativos. Aliás, este último é o que mais deve “tirar o sono” das pessoas do Planalto. Até por isso criaram, anteriormente, a volta do requentado assunto do terceiro turno, como nova diversão ao público em geral.

Registro aqui duas opiniões sobre os assuntos acima. Na tentativa de voltar a analisar o Outro Lado das Notícias...

 

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TERCEIRO MANDATO

por Alfredo Kaefer (PSDB-PR) http://www.alfredokaefer.com.br/


Com a popularidade do governo federal inflada pelos ventos da economia, sequazes de Lula, entre eles, para minha surpresa, até o vice-presidente José Alencar, vêm sugerindo constantemente um terceiro mandato para o presidente. Lula tem repetido diversas vezes que não quer isso. Mas, não dá para confiar no presidente. Lula é uma espécie de Mario Sergio (ex-jogador de futebol) da política. Quando olha para um lado, quer sempre jogar pro outro. Lula foi até bem severo com seu partido. Disse: "Se o PT insistir no tema, eu rompo com  o partido". Porém, é sempre bom lembrar que o presidente se intitulou: metamorfose ambulante. Ou seja, ele muda de convicção ao sabor de suas conveniências políticas. E assim, daqui a pouco, como uma metamorfose que se preza, o presidente Lula, em um rasgo de humildade, dirá: “com os índices de aprovação de meu governo aliado à vontade do povo, eu, como brasileiro de origem humilde, não posso ficar insensível a este chamado. Aceito ser presidente por mais um mandato”.
A motriz do PT, de Lula e seus áulicos, é baseada no instituto da popularidade. O vice-presidente José Alencar citou o ex-presidente americano Franklin Roosevelt que governou o EUA por 12 anos, durante a segunda grande guerra. Pena que o presidente não vasculhou um pouco mais a história para ver que ela não é boa conselheira. Senão vejamos: Hitler, no auge de sua popularidade, tinha 96% de aceitação popular. Uma verdadeira divindade. Aqui no Brasil, temos um exemplo, no mínimo emblemático. O ex-presidente Médici, alcançou um nível nunca imaginado por Lula, no auge da ditadura militar, teve 84% de aprovação popular. Roosevelt, um estadista na acepção da palavra, é um exemplo isolado na paisagem. À lista de Hitler e Médici, podemos incorporar, personagens altamente populares, como Idi Amim, Saddam Hussein, Strossner, Khomeini. E basta prestarmos atenção nos governos circunvizinhos para percebermos o desejo de alguns dirigentes terem seu nome acrescido nesta lista.

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Sete conclusões sobre o escândalo do dossiê feito pelo governo Lula -http://www.fiepr.org.br/redeempresarial/Notes2218content46864.shtml)

Nesta altura do campeonato, não é mais necessário explicar muita coisa. O caso já está maduro o suficiente para passarmos diretamente às conclusões:

1 - Não há questão de segurança nacional envolvida. No máximo poderia haver uma questão de segurança presidencial e, mesmo assim, apenas em alguns casos e, ainda, se fossem divulgados fornecedores regulares da Presidência. A divulgação a posteriori de onde o presidente comprou picanha maturada ou produtos de beleza não coloca em risco a segurança de ninguém (bastaria mudar de fornecedor após a divulgação).

2 - Não há (no geral) gastos sigilosos. A maioria dos gastos feitos com o presidente e seus familiares não são sigilosos. Se o casal presidencial hospedou um chefe de Estado no Alvorada e mandou comprar um xampú especial para a primeira-dama do convidado, não há qualquer razão para sigilo. O próprio Fernando Henrique já declarou várias vezes que seus gastos não são sigilosos e podem vir a público.

3 - Não há banco de dados. A versão do banco de dados não se sustenta minimamente. Se fosse banco de dados não teria aquela coluna levantando suspeitas de desvio de recursos ou de excessos sobre os gastos. Além disso, ninguém (nem o TCU, nem a CPI) encomendou nada ao governo. Trata-se de um dossiê mesmo, para municiar os parlamentares da situação no jogo intimidatório contra as oposições.

4 - Não há vazamento feito pelas oposições. Quem vazou alguma coisa foi a base do governo. Como argumentou Reinaldo Azevedo, no seu blog, o que a oposição fez foi denunciar um crime: a chantagem e a fabricação de um dossiê para intimidá-la.

5 - Não há qualquer equivalência entre os gastos (via conta B) do governo com a família do presidente anterior e os gastos (via cartões corporativos) feitos por familiares ou auxiliares diretos de Lula. Qualquer governo tem gastos de representação, que podem ir desde a aquisição de um alfinete de fralda, passando pela compra de bebidas ou alimentos para abastecer recepções em palácio, até o aluguel de um carro feito pela segurança quando há deslocamento do chefe de Estado e de sua família para outras cidades. Nunca surgiu nenhuma denúncia de irregularidade sobre os gastos de representação ou de segurança do governo anterior. Esses gastos, regulares ou excepcionais, do governo anterior, nada têm a ver com o que a CPI quer investigar a partir das denúncias e evidências de despesas injustificáveis por parte dos familiares e auxiliares diretos de Lula.

6 - Não era constranger o presidente anterior e sua família o objetivo de toda essa "Operação Dossiê" decidida pelo comando do governo Lula (e não por Dilma) e sim chantagear as oposições para impedir que fossem investigados os gastos irregulares feitos por familiares ou auxiliares diretos de Lula com os cartões corporativos. Como vai ficando cada vez mais claro, a decisão de fazer o dossiê foi tomada pelo comando do governo. Dilma foi apenas uma das operadoras, obedecendo ordens. O objetivo dessa operação não era quebrar um suposto sigilo dos gastos do presidente anterior e de sua família e sim chantagear e intimidar as oposições para que elas desistissem de cobrar legalmente a revelação dos gastos com cartões corporativos do governo Lula, sobretudo da Presidência.

7 - Deve haver realmente algo de muito grave nesses gastos da Presidência atual com os cartões corporativos. É a conclusão óbvia. Por que o governo Lula se exporia a tanto risco se não houvesse algo de muito grave nos gastos da Presidência?


Augusto de Franco - 13/04/2008